Moda, beleza, relacionamento, filhos... Sobre o que as mulheres contemporâneas querem saber? Se a resposta fosse simples, os programas matutinos da tevê aberta não estariam derrapando no Ibope há anos. A geração que viu passar o TV Mulher na Rede Globo não, minha mãe não controlava o que eu via na tevê , agora se debruça sobre o Saia Justa depois que as crianças dormem. A perspectiva da mulher na sociedade obviamente mudou muito em 30 anos e o Saia Justa, no ar há 7 anos pela GNT, no momento, é o melhor porta-voz televisivo dessa transformação. São quatro "saias" em uma sala cenográfica, o que por si só já garante certo movimento. Paira no ar o ímpeto em falar ao mesmo tempo, gesticular, intrometer-se, discordar e até brigar.
A jornalista Mônica Waldvogel é uma espécie de mediadora do grupo, que inclui a atriz Maitê Proença, a ex-modelo e atriz Betty Lago e a filósofa Márcia Tiburi. Parece-me que a escolha dos integrantes do time tem como objetivo garantir um equilíbrio: há uma generalista, duas artistas e uma especialista. E ainda há a participação de Lucia Guimarães, o melhor texto feminino do telejornalismo brasileiro, com matérias de assuntos quentes direto de Nova Iorque.
Seria razoável então dizer que o Saia Justa é sempre um bom programa, independentemente dos assuntos abordados? Mais ou menos. Anda mais comum sair com implicância de uma de suas apresentadoras do que com um bom conhecimento do programa.
No sofá, as questões abordadas se misturam com o ego e o esforço de cada uma em provar quem é ou quem não é. Maitê é de longe a "saia" mais controversa. Também escritora, tem dificuldade em ficar quieta mesmo que não tenha lhufas para falar e, subliminarmente, está sempre se autoafirmando na imagem de símbolo sexual que ostentou no passado. Dizem que ela não se bica com Márcia Tiburi, talvez porque sejam parecidas demais em suas vaidades. Inteligente e articulada, Márcia recorre sempre ao discurso acadêmico para fazer valer sua voz. Acontece que as vezes o remédio vira veneno. Ela não consegue sair do reme-reme de intelectual de gabinete e dia desses teve a coragem de dizer que não tinha visto nenhum filme que concorria ao Oscar por causa da fila! Claro que isso não é um pecado, mas a forma com que ela se alienou na discussão foi tão desconfortável para o espectador, que é impossível não questionar sua postura pedante e muitas vezes distante da realidade.
Betty Lago é irregular. Há dias em que faz intervenções brilhantes. Com tiradas irônicas é capaz de colocar aquela cerejinha no bolo e desmontar as teorias filosóficas de Márcia ou dar um chega prá lá na artificialmente correta Maitê. Outras vezes, se mostra entediada com as amigas saias e simplesmente fica quieta.
Monica Waldvoguel, no ar desde o início, tem muita habilidade em conduzir os temas, mudar de assunto quando um já ficou chato e até interromper as colegas mais alteradas. É incrível como consegue estabelecer a ponte com cada uma das participantes, fazer comentários autênticos e originais, ser bem-humorada, simpática e sensível. A jornalista tem uma considerável bagagem intelectual, mas sua sabedoria vem da observação e da vivência e por isso o que ela fala se torna tão interessante. Sem a pretensão de querer ser a melhor, acaba sendo.
Com a mesa meio capenga e o sofá desgastado, talvez esteja na hora do Saia Justa de reinventar novamente. Que tal trocar algumas peças da mobília?
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