Michael Schiefel: cantor tem três discos-solo gravados e é referência do jazz alemão| Foto: Mark Wohlrab.

A partir das 18 horas de hoje até o dia 23 de maio haverá dois aparelhos de MP3 na entrada do Goethe-Institut, em Curitiba, que serão emprestados a quem visitar o espaço. Explica-se: enquanto os olhos poderão visualizar 15 painéis com mais de 30 fotos de músicos de jazz alemães, os ouvidos dos visitantes terão acesso às músicas dos grupos, que encontraram no gênero tipicamente norte-americano o segredo para sair do anonimato.

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Concebida pelo Instituto de Jazz de Darmstadt, sob encomenda do Goethe-Institut, a exposição foi apresentada ao público pela primeira vez em 2006 na feira Jazzahead!, na cidade alemã de Bremen. A itinerância pelo mundo ocorre desde 2007. Músicos como Albert Mangelsdorff, Peter Brötzmann e Til Bröner acabam de chegar de Recife eternizados em fotos feitas pela imprensa alemã de épocas diversas. Há também imagens das Big Bands radiofônicas, que deram importante impulso ao gênero no país europeu.

"Os painéis descrevem como a cena de jazz se desenvolveu na Alemanha desde anos anos 1920. Mostra como o nazismo negou aquela música, que renasceu junto com a Alemanha nos anos 1950 e 1960, e teve seu período de libertação a partir dos anos 1970", conta Cláudia Roemmelt, diretora do Goethe-Institut de Curitiba.

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As imagens trarão um breve texto explicativo – em português – sobre o período histórico e sobre os músicos, retratados desde o início do século 1920 até os dias atuais. O gênero, na Alemanha, acompanhou os movimentos políticos do país, recriando-se mesmo quando esteve sob a suástica de Hitler.

"O jazz começou efetivamente na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Nessa época iniciaram-se os cursos de música em escolas superiores de Colônia. A partir daí, se formaram centros autônomos de jazz. Foi assim que o gênero ganhou um sotaque alemão", explica Claudia.

A queda do Muro de Berlim, em 1989, que marcou a unificação das Alemanhas Oriental e Ocidental, também foi prolífica para o crescimento da cena jazzística. No país reunificado, a capital Berlim tornou-se campo de experimentação de músicos como Joachim Kuhn, Michael Schiefel e Michael Riessler.

"Hoje a gama de músicos alemães de jazz é muito grande e há vários selos interessados. Temos uma força na improvisação livre mesclada com influência do rock, do hip-hop e até da música brasileira", comenta Claudia. O gênero segue, então, seu rumo, fazendo da globalização política um trunfo musical.

Como forma de despedida da exposição – que segue para Porto Alegre – o Mano a Mano Trio irá se apresentar no dia 21 de maio no Goethe-Institut Curitiba. Formado por Sérgio Albach (clarinete), Glauco Solter (contrabaixo) e Vina Lacerda (percussão), o grupo irá executar composições brasileiras e outras de sua própria autoria.

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Serviço

Jazz Alemão – Goethe-Institut Curitiba (R. Reinaldino S. de Quadros, 33), (41) 3262-8244. Abertura hoje, às 18 horas. Entrada franca.