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Bruno Mazzeo interpreta um pai de primeira viagem na montagem. | André Gardenberg/Divulgação
Bruno Mazzeo interpreta um pai de primeira viagem na montagem.| Foto: André Gardenberg/Divulgação

Assim como muitos artistas de sua geração, Bruno Mazzeo é um equilibrista entre tantas demandas. Sua rotina atual ilustra bem isso: finaliza um filme (“Chocante”), uma série para a TV (“Filho da Pátria”) e ainda excursiona com a mais recente versão da peça “5x Comédia”, que chega a Curitiba nesta sexta-feira (10) para três apresentações.

“Defino minhas preferências em função de como é o trabalho, não por causa da minha função nele. Isso varia de acordo com as minhas necessidades pessoais, desejos e oportunidades”, conta o ator. “Agora, o que eu gosto mais é de escrever e atuar em teatro. É onde prefiro, onde acho que funciono mais e onde me sinto à vontade”.

Estar na peça, dirigida por Monique Gardenberg e Hamilton Vaz Pereira, uma versão ‘dois-mil-e-dez’ de um sucesso do teatro dos anos 1990, é, portanto, reconhecer essa alternância de oportunidades que tem marco sua vida, entre filmes (fez três praticamente no mesmo ano), novelas (a última foi “A Regra do Jogo”) e projetos tão especiais como “A Escolinha do Professor Raimundo”, em que encarnou um dos papéis mais populares do pai, Chico Anysio (1931-2012).

5x Comédia

Sexta (10), às 21h; sábado (11), às 21h30 e domingo (12), às 20h

Auditório Salvador de Ferrante - Guairinha

Ingressos: de R$ 35 (meia balcão) a R$ 100

Em “5x Comédia”, o ‘jogo’ começou quando Monique resolveu retomar o projeto da irmã, Sylvia (1960-1998), que concebeu o espetáculo ao lado de Hamilton. Nos anos 1990, mais de 450 mil pessoas assistiram a todas as montagens, que contaram com gente como Andréa Beltrão, Débora Bloch, Fernanda Torres, Pedro Cardoso. Luís Fernando Guimarães e Diogo Vilela no elenco. O jovem roteirista Mazzeo estava na plateia em uma das versões. “Nem foi a original. Na época eu pirei. Aquela sensação de que eles faziam aquele trabalho de galera, já que já tinham trabalhado juntos em outras peças ou na ‘TV Pirata’. Isso me agrada muito”.

Na montagem de 2016, que estreou no Rio, passou por Belém antes de chegar a Curitiba e inicia temporada em São Paulo em março, Mazzeo também viu formar sua turma. Débora Lamm, Lúcio Mauro Filho, Thalita Carauta e a curitibana Fabíula Nascimento completam o quinteto cômico, que se alterna em cena. “A Débora (que interpretou sua namorada na série “Cilada) é minha parceira preferida, o Lucinho, nem preciso falar, é (algo) de outras encarnações. A Fabíula fez comigo ‘Junto e Misturado’ (série de 2010). Só a Thalita que eu não conhecia ainda, mas que também ficou muito próxima”, conta.

Curitibanos exigentes

“É a melhor coxia do mundo!”, conta Fabíula. “Nós todos somos amigos de longa data. Foi incrível”, conta. “Eu vou te dizer que eu conto os dias para chegar na hora de viajar com a peça. A gente se sente muito feliz, muito protegido”, confirma Bruno.

Curitiba, inclusive, é uma praça importante para Mazzeo, algo passado de pai para filho mesmo. “Cresci ouvindo falar que Curitiba é a plateia mais exigente do Brasil. Meu pai sempre falava que, quando dependia da decisão dele, ele escolhia sempre começar as turnês por Curitiba porque aí ele testava realmente o que funcionava. ‘Se derem risada em Curitiba, vão rir no país inteiro”, ele dizia. Por minha experiência, eu só tive alegrias. Um público muito inteligente e disposto”, comemora.

Textos

A nova “5x Comédia” conta também com um quinteto de autores. À Fabíula coube um texto do carioca Jô Bilac. Interpreta uma arara de pet shop que não consegue ser vendida. “Ele me ligou e contou a ideia eu topei na hora. A gente fala do que é hoje, do esquecimento, de uma hierarquia estranha que, no pet shop, é representado quando um poodle de coroa de princesa chega e vira mascote da loja”, conta a curitibana.

Mazzeo interpreta um pai de primeira viagem imaginado por Antonio Prata. “Esse texto é bem autobiográfico e, como eu passei pelas mesmas coisas, pude trazer alguma experiência. Mas o texto dele é bem amarradinho. Ele é o maior cronista brasileiro, na minha opinião”, diz o ator. Os outros autores são Gregório Duvivier, Julia Spadaccini e Pedro Kosovski.

Escolinha

O segundo ano de “A Escolinha do Professor Raimundo – Nova Geração” ainda está sendo exibida aos domingos na Globo. O peso de vestir a peruca e o avental que coube ao pai por muitos anos diminuiu muito, garante Bruno. “Foi punk demais a primeira temporada. Todo mundo tão tenso que não dava nem pra olhar para o lado. Na segunda, já deu para curtir um pouco mais, estava todo mundo mais seguro de seus personagens, todo mundo mantendo mais a homenagem”, conta.

Segundo o ator, não está confirmada ainda uma terceira temporada. “Nada mais foi dito, é combinada uma por vez, até porque depende de muitas agendas, é um quebra-cabeça, mas não participo de nada de criação, estou bem por fora”, conta.

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