Kiss & Cry é um espetáculo belga que une cinema e coreografias feitas com mãos e pés filmadas e projetadas em um telão| Foto: Divulgação

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Saiba tudo sobre estas e outras peças no site especial da Gazeta do Povo.

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Pelo andar da carruagem, o Festival de Teatro de Curitiba já pode ir incluindo um "internacional" em seu nome. O diretor Leandro Knopfholz desconversa, diz que "são só 3...". Mas é um privilégio para os curitibanos terem acesso a trabalhos do calibre do belga Kiss & Cry e do coreano Pansori Brecht Ukchuk-ga.

O evento curitibano, que vai de 26 de março a 7 de abril, traz também o grupo de dança escocês 2Faced Dance, com In the Dust. E o argentino Ojalá está montando, em parceria com a produtora do festival, a Parnaxx, Homem Vertente, com elenco brasileiro a ser selecionado nesta semana, para a abertura do evento.

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Como benefício da inclusão de trabalhos de outros países na grade de espetáculos, está o acesso para nossos artistas e o público em geral a formas de expressão gestadas em outro contexto, sob outras circunstâncias, com resultados que saltam aos olhos pelo inusitado.

Em Kiss & Cry (em inglês, "beije e chore"), o cineasta Jaco Van Dormael juntou-se à coreógrafa Michèle Anne De Mey para criar um espetáculo de "nanodança", arte de movimentar pequenas partes do corpo, filmadas e projetadas num telão.

A história que se conta fala sobretudo da memória de amores passados. Além de mãos e pés que bailam, surgem pequenos bonecos, como o que representa Gisele, senhora que relembra fatos de sua vida, e um trem que circula por um ferrorama.

Os integrantes do grupo, que já soma 16 anos, também circulam pelo palco, operando os elementos cênicos, como se se tratasse de um set de filmagens. Compõem a trilha sonora obras de nada menos que 11 compositores consagrados – algo pouco comum no Brasil, onde se dá preferência a trilhas originais ou canções saídas do pop.

Ainda no mundo dos movimentos, In the Dust une danças urbanas como o hip-hop e o break, executadas apenas por bailarinos homens. O diretor Tamsin Fitzgerald busca criar, com seu coletivo masculino, uma linguagem própria, com repertório corajoso, cheio de adrenalina, e ao mesmo tempo ágil e gracioso. É a oportunidade de ver um corpo de dança cheio de conceito.

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Partindo para o reino do canto, o festival abre uma janela para a arte asiática, repleta de referências novas ao público brasileiro. A artista coreana JaRam Lee, que canta desde os 4 anos, conforme contou à Gazeta do Povo (leia na entrevista abaixo), adaptou a peça Mãe Coragem, de Bertolt Brecht, para o tradicional pansori, em que um performer-cantor conta uma história auxiliado por músicos. Apesar das legendas em português, é bom o espectador ter em mente que não é uma peça com representação, e sim um musical.

Produção própria

O espetáculo de abertura do festival, Homem Vertente, é uma versão da obra argentina Hombre Vertiente e começou a se tornar realidade nesta semana, com a confecção de bonecos gigantes em Maringá e a montagem da tenda para as apresentações no Parque Barigüi. As audições para a escolha de 12 atores locais acontece de terça a quinta-feira desta semana.

Outra iniciativa internacional do festival é uma parceria com o Festival de Edimburgo, um dos mais importantes do mundo e de onde o Fringe tira seu nome. Neste ano, a diretora Faith Liddell é convidada do evento curitibano para conhecer espetáculos e, quem sabe, levá-los para a Escócia.