Daphine Bozaski é a Alice na montagem dirigida por Maurício Vogue que estreia hoje| Foto: Antonio More/Gazeta do Povo.

A Alice do mais recente espetáculo de Maurício Vogue é muito parecida com as meninas de 13, 14 anos e, acima de tudo, com o que ele mesmo foi quando era um adolescente. Afinal, a personagem que ganha vida na interpretação da atriz Daphine Bozaski tem na música o ponto de aderência com o mundo. Maurício, aos 43 anos, reconhece que as sonoridades são vitais para ele, mesmo quando não está cantando com a banda Denorex 80.Essa encenação de Alice no País das Maravilhas, que estreia hoje no Teatro Regina Vogue, é, na definição de Maurício, um show de rock-and-roll para crianças e adolescentes. A afirmação, em alguma medida, traduz o que o diretor de teatro fez a partir da obra de Lewis Carroll.

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O que deflagra toda a ação é a performance de uma banda, na qual todos os 11 integrantes do elenco se revezam, tocando guitarra, violão, baixo, bateria, teclado, além dos vocais.

Já nos instantes iniciais, o conjunto toca uma canção e alguns dos integrantes chamam Alice, para que ela diga o que está "achando" do som. Indecisa, não sabe o que pensa, sente ou deseja. Pressionada a se manifestar, corre.

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Uma chave para decifrar o ponto central da proposta é a cena na qual Alice corre atrás do Coelho e, ao entrar em um túnel, cai dentro de um buraco que também pode ser uma metáfora para o mundo interior, a subjetividade dela.

Sonho real

Maurício Vogue está mais do que contente. Conta que realiza um sonho, pois não se trata apenas de apenas uma montagem de um texto clássico, mas sim de uma recriação. A Alice dele pode ser um reflexo das meninas que circulam pelas imediações do Shopping Mueller ou qualquer outro ponto de encontro de adolescentes em Curitiba.

Mas há outras referências, em especial, ao filme Corra, Lola, Corra, de Tom Tykwer. A atriz Daphine Bozaski, a Alice de Maurício, entra em cena com um visual inspirado na atriz Franka Potente, a protagonista do premiado longa. A influência é tão direta que, noite dessas, o elenco de Alice no País das Maravilhas desceu ao porão do Wonka Bar para mostrar as canções da montagem, e a perfomance teve como título Corra, Alice, Corra.

No palco do Teatro Regina Vogue, Daphine corre, de um lado para o outro, e essa inquietação representa, explica Maurício, a fase em que a personagem enfrenta, quando a infância acabou e todas as perguntas do mundo se multiplicam na cabeça.

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Maurício escolheu apenas atores versáteis, que cantam, dançam e têm noção de música. Diegho Kozievitch, Gabriel Manita, Giovana de Liz, Lucas Buchile, Raphael Fernandes, Renét Lyon, Simone Magalhães, Tarciso Fialho, Val Salles e Vitor Sant’Anna demonstravam entrosamento no ensaio realizado na última quinta-feira (29), mas Daphine Bozaski tem uma presença que magnetiza os olhares e, dependendo da recepção do público, ela pode até escrever o seu nome na História da dramaturgia local.

Serviço:

Alice no País das Maravilhas. Teatro Regina Vogue (Av. Sete de Setembro, 2.775), (41) 2101-8292. Direção de Maurício Vogue. Com Daphine Bozaski, Diegho Kozievitch e Gabriel Manita. Sáb e dom, às 16 horas. R$ 20 e R$ 10 (meia). Até 14 de novembro.