
É uma pista importante o fato de apenas nove, e não dez títulos terem atingido a nota de corte para figurar entre os indicados ao Oscar de melhor filme, última estatueta a ser entregue na madrugada de domingo para segunda-feira em Los Angeles. A produção cinematográfica do ano passado não parece ter sido grande coisa para os integrantes da Academia de Hollywood.
O inesperado número de finalistas, contudo, mais parece um capricho dos votantes do que um relexo do cinema feito em 2011 no mundo: havia filmes de qualidade para preencher essa última vaga. Desde obras mais autorais, como Drive, premiado drama noir de Nicolas Winding Refn, até o grande blockbuster deste ano: Harry Potter e as Relíquias da Morte 2, último episódio da bilionária saga baseada nos livros da autora escocesa J. K. Rowling.
Nesse cenário insólito, desponta como favorito na categoria principal a inventiva e original produção francesa O Artista, que recebeu dez indicações e venceu vários prêmios das associações de críticos nos Estados Unidos. Graças a uma estratégia engenhosa de lançamento orquestrada pelos seus distribuidores no mercado norte-americano, os astutos irmãos Weinstein, o filme tem enormes chances de ser o grande premiado da noite.
O diretor de O Artista, o quase desconhecido Michel Hazanavicius, também pode sair vitorioso, embora o norte-americano Martin Scorsese que levou o Globo de Ouro, mas perdeu o prêmio do Sindicato dos Diretores para o francês corra por fora com o deslumbrante A Invenção de Hugo Cabret, que tem o maior número de indicações (11). Trata-se do único a ameaçar o favoritismo de O Artista na corrida pela estatueta principal.
O interessante é que tanto o filme de Hazanavicius quanto o de Scorsese (já vencedor de um Oscar de direção, por Os Infiltrados [2006]) homenageiam o cinema mudo. E ambos também têm fortes conexões com a França. Enquanto O Artista é uma produção do país europeu, apesar de rodada nos EUA, A Invenção de Hugo Cabret se passa em Paris e um de seus personagens centrais é Georges Méliès (Ben Kingsley, sublime), um dos pioneiros da sétima arte.
Ator
Depois de vencer o Festival de Cannes, o Globo de Ouro (comédia/musical), o prêmio do Sindicato dos Atores (SAG) e o Bafta (o Oscar britânico), tudo leva a crer que o francês Jean Dujardin, também um nome obscuro fora de seu país antes de O Artista, será o vencedor do Oscar de melhor ator. Sua atuação como o astro do cinema mudo George Valentin, que cai em obsolescência com a chegada dos filmes sonoros, impressiona, por seu domínio da linguagem corporal e de expressões faciais.
A ameaçar o favoritismo de Dujardin, apenas George Clooney, que venceu o Globo de Ouro (drama) com a melhor atuação de sua carreira no sensível Os Descendentes, longa de Alexander Payne no qual vive um advogado, pais de duas filhas, que descobre estar sendo traído pela mulher quando ela sofre um acidente de esqui aquático e entra em estado de coma irreversível. O filme, no entanto, tem mais chances de faturar o Oscar de melhor roteiro adaptado, já que levou o prêmio do Sindicato dos Roteiristas na categoria. O de script original deve ficar com Woody Allen, por Meia-Noite em Paris, cujo único concorrente mais sério é O Artista.
Entre as categorias mais importantes, a que promete uma briga mais emocionante é a de melhor atriz. Há duas favoritas. Meryl Streep, dona de dois Oscars, está indicada pela 17.ª vez por sua intepretação como a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher no irregular A Dama de Ferro. O desempenho lhe deu o Globo de Ouro (drama) e o Bafta, além do prestigiado prêmio da Círculo de Críticos de Cinema de Nova York.
Muitos creem que, como suas duas estatuetas de melhor atriz coadjuvante, por Kramer Vs. Kramer (1979), e de melhor atriz, em A Escolha de Sofia (1982) foram conquistadas há três décadas, já é hora de "a maior atriz norte-americana viva" ganhar mais uma vez.
Antes, no entanto, ela vai ter de vencer sua amiga Viola Davis, apontada por muitos como a candidata com mais chances, por sua tocante atuação como a empregada Aibileen, vítima do preconceito racial no Mississippi dos anos 1960 no drama Histórias Cruzadas. A seu favor, ela tem o fato de ter vencido o SAG e, até hoje, apenas uma outra atriz negra, Halle Berry, por A Última Ceia (2001) ter vencido na categoria.
Brasil
Os brasileiros terão um motivo a mais para assistir à entrega do Oscar hoje à noite. "Real in Rio", tema da animação Rio, do carioca Carlos Saldanha, disputa o prêmio de melhor canção original. A composição de Carlinhos Brown, Sérgio Mendes e Siedah Garrett (autora da letra na versão em inglês) tem 50% de possibilidade de vencer apenas uma outra música, "Man or Muppet", de Os Muppets, concorre na categoria.
Serviço:Cerimônia de entrega do Oscar. Transmissão ao vivo pelo canal pago TNT, a partir das 21h30 (pré-show). A festa inicia-se às 22h30. Na RPC TV, vai ao ar logo após o Big Brother Brasil.



