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A peça Tchekhov apresenta ao público dois momentos distintos. O primeiro ato se passa em um ambiente de ciganos: a origem de Aniuta, interpretada pela atriz Janine de Campos. Roupas coloridas e adereços brilhantes fazem parte da atmosfera. Aniuta conhece Tchekhov, inicialmente interpretado por Marcelo Rodrigues de Oliveira. A cigana logo se apaixona pelo estudante de Medicina que a socorre quando ela fere a mão.

No segundo ato apresenta um Tchekhov recém-formado, sustentado financeiramente pelos contos publicados no jornal, e decidido a largar Aniuta. É nesse momento que surge a criação do Teatro de Artes de Moscou em meio à revolução russa, que é dirigido por Nemirovitch-Dântchenko (Marcelo Rodrigues), Constantin Stanislavski (Evandro Santiago) e Ana (Tatiana Dias). Em meio às manifestações russas, os atores procuram manifestar-se por meio da arte, e são os contos de Tchekhov que dão vida a esses manifestos.

Três atrizes conquistam logo de cara com suas personalidades cativantes: Regina Bastos diverte com um sotaque francês, interpretando uma atriz que não compreende o método criado por Stanislaviski – em que o ator precisa saber como o seu personagem se comporta e se sente em todas as situações possíveis, inclusive “bebendo chá”. Janine de Campos, que já impressionado com a intepretação da jovem cigana, surpreende ao interpretar também a atriz Olga, que logo apaixona-se pelo autor das peças que interpreta. Já Vida Santos apresenta uma atriz mais séria e compenetrada, porém preocupadíssima com o seu figurino no espetáculo.

Na maioria das cenas, Helena Tezza, que interpreta uma vendedora de flores, traz leveza ao espetáculo. Os atores revezam-se para dar conta de todos os personagens, sendo o médico e escritor também interpretado por Val Salles. A peça conta com a composição musical de Jean-Jacques Lemêtre, que é tocada ao vivo. Tchekhov é apaixonante do início ao fim, e faz jus ao Troféu Gralha Azul conquistado em 2014: os personagens cheios de humor, o figurino impecável, a música que preenche cada possível silêncio. Entretanto, o que deixa tudo especial é o espaço Ave Lola. O pequeno auditório de 37 lugares propõe um ambiente aconchegante, em que a arquibancada de poltronas vermelhas permite que o público fique bem perto dos atores. Lá fora, a exposição de croquis “Olhares sobre a cidade” preenche o intervalo de quinze minutos que o espetáculo de uma hora e quarenta minutos propõe.

Além disso, a equipe Ave Lola serve comidinhas em um ambiente aconchegante que combina uma pequena cozinha e um grande jardim, com redes, bancos e poltronas. Antes e depois do espetáculo, a diretora Ana Rosa Tezza estava lá, conversando com o público. Ana Rosa conta que o Espaço de Criação tem apenas três anos e meio. Aconchego e identidade não faltam no Ave Lola. Para completar, a equipe cativa e os atores surpreendem do início ao fim.

Serviço

Tchechov da Mostra Ave Lola

Dias 4/4 e 5/4, às 15h

O ingresso tem o custo de R$ 40,00

Classificação é livre

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