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O ator Leandro Daniel Colombo interpreta o cineasta Gregório General, que acaba sendo possuído pelo espírito de Zé do Caixão | Marco Novack/Divulgação
O ator Leandro Daniel Colombo interpreta o cineasta Gregório General, que acaba sendo possuído pelo espírito de Zé do Caixão| Foto: Marco Novack/Divulgação

Estreia

À Meia-noite Levarei Teu Cadáver

Teatro Universitário de Curitiba – TUC (Galeria Júlio Moreira, 30, Largo da Ordem), (41) 3321-3312. Hoje, às 21 horas, com a presença de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Sessões de 4ª a sáb., às 19h e às 21h. Apenas no dia 13 de maio haverá sessão no domingo. Entrada gratuita. Em cartaz até 13 de maio. Serão distribuídos 70 ingressos a partir das 20 horas. Sujeito a lotação.

  • Atrizes contracenam com o protagonista de À Meia-noite Levarei Teu Cadáver em vídeo

O mundo tem falado muito em crise desde o colapso econômico que abalou o planeta em 2008. Natural que a temática chegue às artes. O diretor Paulo Biscaia Filho e o ator Leandro Daniel Colombo também enfrentam questionamentos em suas carreiras – e esse tom fica bastante evidente na nova peça da companhia Vigor Mortis, À Meia-noite Levarei Teu Cadáver (veja serviço completo no Guia Gazeta do Povo), que estreia hoje, às 21 horas, no Teatro Universitário de Curitiba (TUC). O espetáculo é uma homenagem ao cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, cuja obra é mais valorizada lá fora do que no Brasil. Aqui, a figura de Mojica é mais ligada ao seu estilo excêntrico do a que seus filmes. Situação que, sem dúvida, se relaciona com a discussão sobre a identidade e a serventia da cultura. A primeira apresentação terá a presença do cineasta na plateia.

A peça (escrita pelo diretor e pelo ator) fala sobre Gregório General, um cineasta que não anda em bons tempos de criatividade e faz um pacto de sangue com Mojica, mas acaba sendo possuído pelo espírito de Zé do Caixão. No palco, Leandro contracena com as atrizes Carolina Fauquemont e Íria Braga e com o ator Luiz Bertazzo, que aparecem em vídeo, recurso bastante presente nos trabalhos de Biscaia. Além disso, o próprio Zé do Caixão aparece nas imagens (gravadas em março, em São Paulo).

A ideia de abordar Mojica veio de Colombo, que andava se sentindo "na obrigação" de contribuir intelectualmente para a companhia. Após assistir a alguns filmes do cineasta, percebeu que seria um tema relevante, afinal, nunca se fez uma peça sobre Zé do Caixão. Além disso, a figura e a história de Mojica casaram perfeitamente com as críticas presentes no espetáculo, como, por exemplo, a obrigação que cineastas têm na hora de inscrever um projeto para leis de incentivo, sejam elas federais, estaduais ou municipais, de se enquadrar em temáticas que valorizem a "cultura brasileira" e que tenham "relevância cultural". "Sempre surge esse questionamento. Quem decide o que tem relevância? Já tivemos projetos ignorados com essa justificativa, que é muito subjetiva", disse o ator após ensaio da peça acompanhado pela Gazeta do Povo no último sábado. A energia e a intensidade que Leandro Daniel Colombo colocou no protagonista são visíveis: ele chegou a estragar uma pequena parte do cenário em uma das cenas.

Por conta dessa "mania" existente na filmografia brasileira de se abordar figuras folclóricas, Biscaia diz que o fato de Mojica ter se transformado em um mito é louvável. "Ele não se valeu de velhos ícones para construir sua identidade e, curiosamente, é parte do folclore brasileiro, apesar de muitos ainda não entenderem que Mojica é muito mais do que sua imagem de capa e cartola." Uma das partes do espetáculo que deixa esse contraste bastante evidente é quando o personagem Gregório encontra Zé do Caixão animando um bingo na Vila Mariana, em São Paulo, mesmo depois de ter recebido homenagens internacionais em países como o Japão.

Gratuito

O sangue, répteis e a atmosfera de horror da peça ganham força com o local escolhido pela Vigor Mortis – o TUC fica em uma galeria subterrânea, e o teatro "underground" ajuda a criar o ambiente da peça. Outra experimentação de Biscaia foi a de promover entrada gratuita nas duas sessões diárias (o espetáculo dura cerca de 50 minutos). "É um teste. Além de ser o imposto das pessoas que paga os espetáculos subsidiados por lei, muita gente reclama que não vai ao teatro por não ter dinheiro. Vamos comprovar se é isso mesmo", ressalta o diretor.

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