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Uma vida cheia de som e fúria

Entrevista o ator Guilherme Weber

 | Fotos: Divulgação
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Vencedor do prêmio da APCA (o segundo consecutivo) pela minissérie Queridos Amigos, o ator curitibano Guilherme Weber fala de seus trabalhos na televisão, cinema e sobre o retorno ao teatro |

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Vencedor do prêmio da APCA (o segundo consecutivo) pela minissérie Queridos Amigos, o ator curitibano Guilherme Weber fala de seus trabalhos na televisão, cinema e sobre o retorno ao teatro

SÃO PAULO - O ator Guilherme Weber passou um ano mostrando em larga escala, na televisão, o talento que o público fiel do bom teatro se acostumou a ver em montagens como A Vida É Cheia de Som e Fúria e Educação Sentimental do Vampiro. Ele encerrou o ano profissional como o Marquês de Itanhaém da fábula O Natal do Menino Imperador, especial que a Globo exibiu na última semana.

Em 2009, interpretou o incrível Benny da minissérie Queridos Amigos. O papel lhe rendeu o prêmio de melhor ator de televisão na votação da Associação Paranaense dos Críticos de Arte (APCA) – no ano passado, ele venceu na categoria teatro por Educação Sentimental do Vampiro, baseada na obra de Dalton Trevisan. Ainda em 2008, viveu o dândi Arthur X da novela das 18 horas, Ciranda de Pedra. São três personagens que, guardadas as sutilezas, têm em comum a performance.

Depois da maratona televisiva, Weber volta aos palcos de São Paulo para comemorar os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que mantém em Curitiba com Felipe Hirsch e Érica Migon, cariocas de nascimento, mas com formação teatral na capital paranaense.

Em 5 de fevereiro, eles levam a São Paulo uma retrospectiva com as montagens de A Vida É Cheia de Som e Fúria, Avenida Dropsie e Não sobre o Amor, para uma temporada de dois meses. Leia a seguir trechos da entrevista com Weber.

Quando você fez a novela Da Cor do Pecado, em 2004, já tinha uma estrada no teatro. Por que demorou tanto tempo para ir para a tevê?

Guilherme Weber –Eu sempre tive o foco principal no teatro. Comecei a fazer teatro amador em Curitiba e resolvi fundar uma companhia com o Felipe Hirsch, a Sutil Companhia de Teatro. Fiquei muito empenhado em fortalecê-la. Em 2003, percebi que ela estava estabelecida, e que era tempo de me dedicar a outras coisas. Em 2004, tirei um ano sabático. Fiz o Árido Movie (de Lírio Ferreira), depois o Nina (de Heitor Dahlia) e vim para o Rio de Janeiro gravar novela. Agora, consegui uma maturidade de logística para administrar três mídias.

Deve ser uma tentação ser chamado para a tevê, que tem grande projeção, e não aceitar.

É mais imediato. E tem um mito também de que se você disser não para a tevê não vai ser mais chamado. Mas tive o privilégio de vir para a televisão pelas mãos da Maria Adelaide, da Denise e do Silvio de Abreu, que até achavam louvável o meu gesto.

Em O Natal do Menino Imperador você foi o Marquês de Itanhaém. É uma composição diferente dos seus outros personagens, todos ficcionais?

Ele também tem tintas fortes de composição. O programa é uma fábula, uma noite de Natal vista pelos olhos do Pedro II garoto. Por isso, os personagens se tornam um pouco arquétipos. Tem um pouco ali da luta da criança contra o mal e um olhar humanista sobre a infância. No especial, o marquês é visto como o mal, o vilão, porque era o cara que exigia rigor do menino, para prepará-lo para assumir o Império. Visualmente, o programa tem uma reconstrução de época muito fiel. Eu pintei o cabelo, uso uma barba falsa. Mas parou por aí, porque o único registro que temos dele é visual. E a (diretora) Denise Saraceni me pediu para fabular esse personagem, torná-lo bastante vilanesco.

Como é manter a Sutil Companhia de Teatro em pé?

É muito difícil. Não temos patrocínio fixo, por exemplo. Mas ela é peculiar, porque é uma companhia de criadores. É a maneira que a gente encontrou de se manter ativo. E de administrar criações, não egos. Por que Curitiba? Costumo dizer que Curitiba é uma doença sem cura. A necessidade de se manter em Curitiba é criativa, não logística – até porque não há nenhum apoio do governo ou de alguma fundação cultural ao nosso trabalho. Curitiba é a cidade que forneceu os nossos signos, a nossa primeira depuração de repertório. Ao mesmo tempo, conseguimos estabelecer uma relação muito forte com São Paulo, que sempre recebeu os exilados. São Paulo é a cidade que nos mostrou para o Brasil, quando montamos aqui A Vida É Cheia de Som e de Fúria (1999). São Paulo sempre nos recebeu muito bem. Tanto é que vamos comemorar os nossos 15 anos no Teatro do Sesi, na Paulista. As minhas mais lindas memórias de teatro são daquele palco.

E como é reviver o Rob Fleming de A Vida É Cheia de Som e Fúria?

A minha abordagem desse personagem era muito mais performática. Fiquei mais maduro e, hoje, a performance está tão assimilada nesse personagem, que posso abordá-lo de maneira mais realista, mais humana. É também um espetáculo que fala sobre o amor, um assunto que abordamos em outros espetáculos da companhia. Então, essas novas pesquisas interferem na maneira de a gente olhar o amor nesse espetáculo.

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