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Dana e Evan Perry: mãe e filho protagonizaram uma tragédia familiar | Divulgação
Dana e Evan Perry: mãe e filho protagonizaram uma tragédia familiar| Foto: Divulgação

O documentário Boy Interrupted, em cartaz na programação do canal pago HBO, é uma experiência dolorosa, vou logo avisando. Mas poucas vezes se viu uma produção cinematográfica capaz de mostrar, de uma perspectiva tão íntima, a cadeia de sofrimentos provocada por um distúrbio mental.

O filme, de 2008, é assinado pela cineasta norte-americana Dana Perry e conta a trágica história de seu filho mais velho, Evan Scott, que se suicidou aos 15 anos, jogando-se dê um prédio. A diretora e o marido, Hart Perry, também profissional de cinema, compartilham com o espectador a dor vivenciada ao longo dos anos, desde que Evan, ainda na infância, começou a apresentar sintomas de um grave transtorno bipolar que demorou a ser diagnosticado.

Como são profissionais do audiovisual, Dana e Hart registraram as várias fases da tortuosa jornada do filho, desde o parto até o funeral. É desse material de imagens e sons que o filme tira seu impacto, por vezes devastador. Quando essas imagens dialogam com depoimentos dos familiares, amigos, colegas de escola, professores e médicos, tudo se torna ao mesmo tempo mais claro e complexo.

Evan era um menino adorável, gentil e inteligente desde muito pequeno. Mas, como sua mãe relata, tinha um lado obscuro. Quando deprimido, tornava-se agressivo, retraído e não escondia uma obsessão: a morte. Num dos momentos mais perturbadores do documentário, Evan aparece cantando ao violão uma composição que fala de dor, depressão e suicídio. Dana explica que o filho nunca teve uma "fase Britney Spears". Aos 10, 11 anos, começou a ouvir Nirvana, Bob Dylan e a compor essas músicas, cujas letras são de assombrosa profundidade para alguém tão jovem.

Ainda mais desconcertantes são as imagens que os pais fizeram de Evan em uma das vezes que o garoto mostrou, em detalhes, a quem quisesse ver e ouvir como iria se matar, por enforcamento. "Resolvi fotografar para provar aos médicos, a quem nos conhecia, o que estava acontecendo com ele. Estava cansada de ouvir as pessoas duvidando do que eu contava sobre esses momentos de Evan."

Mas se Boy Interrupted é triste e perturbador, também é extraordinário. Pela coragem de Dana e Hart de expor uma tragédia tão íntima, fazendo uma contribuição e tanto aos estudos de disturbios mentais que afligem crianças e adolescentes. E tsambém por ser uma declaração de amor a Evan e a sua breve passagem pelas suas vidas.

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