Cena do curta-metragem A Fábrica, escrito e dirigido por Aly Muritiba, que teve uma versão para o cinema e outra para a tevê| Foto: Divulgação

Audiovisual

De olho nas produções paranaenses

Carlyle Ávila conta que já conhecia o trabalho da Grafo Audiovisual, e que por isso sabia que o filme de Muritiba era merecedor de atenção. "Produzir um filme para cinema foi uma primeira experiência da RPC que deu certo e que pretendemos repetir daqui pra frente. O Aly tem um trabalho muito voltado para o audiovisual e a gente tem interesse em desenvolver esse tipo de produção", afirma.

Ao todo, a RPC já produziu cerca de 160 curtas-metragens em conjunto com produtoras independentes. "Acho que temos potencial para produzir materiais cujo interesse vá além do público paranaense. É uma expansão do mercado audiovisual", conta Ávila. Para isso, ele afirma que a emissora investe na formação de atores e roteiristas: "Já promovemos dois cursos de roteiro neste ano. Temos bons diretores aqui, mas precisamos também de bons contadores de histórias e de bons atores para interpretarem essas histórias. Só assim vamos explorar todo o potencial da indústria cinematográfica paranaense". (YA)

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Mais uma produção cinematográfica paranaense inicia carreira nacional. Além do documentário de Rafael Urban, Ovos de Dinossauro, o curta-metragem A Fábrica, escrito e dirigido pelo cineasta curitibano Aly Muritiba, também foi selecionado para o 44.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos maiores eventos da sétima arte do país, que acontece entre os dias 26 de setembro e 3 de outubro na capital federal. Ele concorre com outros onze filmes na Mostra Competitiva de Filmes de Curta-Metragem.

O filme, que tem produção da Grafo Audiovisual – empresa de Muritiba em parceria com os sócios Antônio Junior e Marisa Melo – coprodução da RPC TV com apoio da Lei de Incentivo da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), conta a história de um preso que convence a própria mãe a contrabandear um telefone celular para dentro do presídio. Filmado em formato de vídeo e finalizado em película 35 milímetros, a grande novidade da produção de A Fábrica é o seu formato de negócio.

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"A gente sempre apostou nos materiais de audiovisual feitos aqui no Paraná, mas essa é a primeira vez que a RPC coproduz um filme que é veiculado também no cinema", conta o diretor de Produção e Programação da RPC TV, Carlyle Ávila. Ele explica que A Fábrica ganhou duas versões: uma para a tevê, para o quadro "Casos e Causos" do programa Revista RPC, e outra para o cinema. "O filme precisava ter alguns minutos a menos de duração, porque a tevê disponibiliza um tempo limitado. Tudo o que fizemos foi acelerar um pouco o ritmo das cenas para fazer uma versão televisiva de A Fábrica", explica Muritiba.

O diretor afirma que a parceria com a RPC TV tem uma im­­portância que vai além da questão financeira: "Do ponto de vista da abrangência, eu consegui ter o meu filme veiculado na televisão para mais de um milhão de espectadores, e é difícil que uma produção autoral tenha tanto público assim. Mais importante do que isso, porém, é que a transmissão garantida na tevê dribla um gargalo muito estreito no cinema nacional, que é o da distribuição".

Para o cineasta, que já participou de mais de 50 festivais de cinema, a seleção para o Festival de Brasília representa um avanço em sua carreira. "É um evento que tem um respaldo muito grande da crítica, e você passa a ser conhecido e reconhecido por um público muito seleto, que gosta de cinema autoral, que é o que eu estou interessado em fazer", conta.

A Fábrica e SBX, outra produção de Muritiba, serão exibidos hoje na Cinemateca de Curitiba, às 20 horas, com entrada franca.