
SÃO PAULO - O tempo passa rápido para que cada coisa encontre seu devido lugar. Quando, em 2007, lançou Sim, álbum de onde vem boa fatia do repertório mostrado em seu novo show, Perfumes de Sim (que estreou no último fim de semana em São Paulo e chega dia 16 de setembro ao Teatro Positivo, em Curitiba), Vanessa da Mata estava "estourada pela primeira vez. A animada "Ai, Ai, Ai, do disco anterior, era uma febre e alcançara o primeiro posto entre as mais tocadas naquele período. A recém-lançada "Boa Sorte/Good Luck, em dobradinha com o americano Ben Harper, também caminhava para o topo. E, regra número um das paradas de sucesso, quem está em primeiro lugar pode ter tudo o que quiser.
Vanessa teve tudo inclusive coisas que não lhe faziam a menor falta. Tinha cenário "cabeça" de Helio Eichbauer (o mesmo que faz os de Caetano Veloso), uma banda com músicos famosos (Davi Morais nas guitarras, por exemplo), backing vocalistas, participação virtual pré-gravada de Ben Harper e o que mais ela inventasse. E não era um grande show. Sofria por escassez de, imagine só, Vanessa da Mata.
O novo espetáculo busca o oposto disso. Uma limpeza geral derrubou tudo que era mera ostentação, o desnecessário para a música, o que poluía a imagem. E trouxe Vanessa a compositora, a cantora, a mulher de cena de volta para o eixo de seu próprio palco.
Para que isso se desse, tudo teve de ficar mais enxuto, a começar pela banda. A bateria continua a cargo de Stephane San Juan (Orquestra Imperial) e os teclados, nas mãos de Donatinho que, além dos sons cada vez mais impressionantes que vem tirando do instrumento, dá um show fazendo a voz masculina em "Boa Sorte. No baixo e produção musical está o eficiente Kassin, com quem Vanessa já havia trabalhado na concepção de Sim, o disco. Davi Morais teve seu lugar ocupado pelo também ótimo Gustavo Ruiz. Só os quatro.
Agora, o cenário diz a que veio. Vanessa entra em cena atravessando uma floresta seca,mas florida, que, graças a efeitos de autocontraste da iluminação, consegue se tornar quase uma imagem em duas dimensões, plana como uma tela. A luz aumenta em seguida e Vanessa, com um esvoaçante vestido amarelo, está pronta para rodar as canções que o Citibank Hall lotado (ingressos esgotados) já sabe de cor. "Baú, "Vermelho, "Pirraça, "Fugiu com a Novela, "Ilegais, "Você Vai me Destruir músicas que já estavam em Sim, mas agora, limpas dos excessos, parecem mais dela do que antes.
A essas, somou alguns hits de antes "Joãozinho, "Não Me Deixe Só e uma inédita, composta com Fernando Catatau, do Cidadão Instigado. E um bocado de canções alheias. Novidade maior é sua versão para "Último Romance, de Rodrigo Amarante, gravada em Ventura, o terceiro álbum do Los Hermanos. Tão doce e delicada quanto "Um Dia, um Adeus, clássico de Guilherme Arantes, que viria no bis.
Na apresentação de sábado, Vanessa recebeu Marcelo Jeneci o melhor compositor pop brasileiro pós-Los Hermanos e sua sanfona. Ele é coautor de "Amado, segunda faixa estourada em Sim. Cantando juntos, os dois trouxeram à canção o impacto da novidade, a essência que tantas audições, na novela ou no rádio, já haviam roubado dela. Foi um momento arrebatador por sua simplicidade, que resumiu bem o que certas "limpezas podem alcançar. GGGG
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Serviço
Perfumes de Sim. Vanessa da Mata. Positivo Grande Auditório (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Universidade Positivo), (41) 3315-0808. Dia 16 de setembro, às 21 horas. Ingressos: R$ 110 e R$55 (meia entrada, válida para estudantes e pessoas acima dos 60 anos). Não serão aceitos cheques; 20% de desconto para Clube do Assinante Gazeta do Povo na compra de um ingresso com preço de inteira, válido apenas para o titular. Os descontos não são cumulativos. Pontos de venda: Na bilheteria do Teatro Positivo; Disk-Ingressos 3315-0808 e www.diskingressos.com.br; nos quiosques do disk-ingressos nos shopping Muller, Shopping Curitiba e Shopping Total. Classificação indicativa: livre.







