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Vozes femininas da nova MPB

Vanessa da Mata optou por um formato mais enxuto no elogiado show Perfumes do Sim | Divulgação
Vanessa da Mata optou por um formato mais enxuto no elogiado show Perfumes do Sim (Foto: Divulgação)
Fernanda Takai embala o universo de Nara Leão em roupagem pop, no espetáculo Onde Brilhem os Olhos Seus |

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Fernanda Takai embala o universo de Nara Leão em roupagem pop, no espetáculo Onde Brilhem os Olhos Seus

As cantoras Vanessa da Mata e Fernanda Takai (também vocalista da banda pop Pato Fu) chegam nesta semana aos palcos de Curitiba. Cada uma a sua maneira e estilo, elas representam faces rejuvenescidas da atual música brasileira.

Estrela ascendente

Vanessa da Mata não é mais uma revelação da música brasileira. Em tempos de YouTube e My Space, nos quais astros e estrelas despontam e somem da noite para o dia, a cantora matogrossense segue firme em trajetória ascendente. Vende muitos discos e DVDs à revelia da pirataria. E consegue lotar casas de shows, mesmo quando a ameaça da gripe suína continua a rondar os medos do pú­­blico, cabreiro com eventos que reúnam muita gente. Foi o que aconteceu no fim de agosto na concorrida estreia paulista de Perfumes de Sim, espetáculo que lotou o Citibank Hall e agora ela traz ao palco do Teatro Positivo na próxima quarta-feira (16).

Embora seja, em tese, a turnê de divulgação do CD e DVD gravados ao vivo para o canal pago Multishow, Perfumes de Sim não é mera reprodução do espetáculo gravado ao ar livre na cidade histórica de Paraty (RJ). Em en­­­trevista por telefone à Gazeta do Povo, Venessa conta que o repertório é basicamente o mesmo. Contudo, há diferenças fundamentais. Entraram no set list o clássico "A Lua e Eu" (de Cassi­ano), "O Úl­­­timo Ro­­mân­­tico" (assinada por Rodrigo Amarante, das bandas Los Her­­manos e Little Joy), "Um Dia, um Adeus" (balada de Gui­­lherme Arantes que estava apenas nos extras do DVD) e as inéditas "Era Você" e "Per­fune Ba­­­rato", ambas assinadas pela própria cantora.

A diferença mais marcante do novo show de Vanessa da Mata, entretanto, está no que mais interessa: a música. Ela so­­be ao palco sob a direção musical de Kassin, um dos no­mes mais requisitados da cha­mada nova MPB, e acompanhada de uma banda enxuta, de apenas quatro instrumentistas, indo na direção contrária de seus espetáclos anteriores. O grupo é formado por Davi Moraes (guitarras), Donatinho (teclados), Stephane San Juan (bateria) e Alberto Continentino (baixo). "São excelentes músicos, que trouxeram modernidade, eloquência ao show", diz.

O cenário, embora guarde elementos do Ao Vivo Multishow, é, nas palavras de Vanessa (que o assina ao lado de Gigi Barreto), "mais simples, lúdico e adequado a um espetáculo itinerante". Assim como o figurino, da grife Martu. No show lançado em disco e DVD, Vanessa encarava, bravamente, o desafio de envergar um traje bem barroco, que pesava (acreditem!) 12 quilos – segundo ela, "uma colagem" de peças que foi comprando ao redor do mundo. "Terminei as gravações exausta. Não dava para viajar pelo Brasil vestindo aquela roupa."

Sobre a opção de, além de todos os sucessos, experimentar o seu lado intérprete, emprestando a voz a outros compositores, Vanessa diz estar contente, desafiada. Até porque fora do palco, na vida, adora cantar o que não é seu.

Com status de cantora

Até bem pouco tempo atrás, Fernanda Takai tinha fama de "vo­­­calista de banda", decorrente da função de voz principal do Pato Fu. Mas Nelson Motta prestou atenção na moça discreta que o fazia lembrar Nara Leão mesmo em canções pop, e, desde que a "mineira" do Amapá saiu em carreira-solo afinada com a MPB, para gravar o repertório da musa da bossa nova no disco Onde Brilhem os Olhos Seus (2007), o status dela mu­­­dou.

"O que aconteceu foi um maior reconhecimento do meu papel de cantora", constata Takai. "Na banda, isso fica meio diluído."

Investida da nova condição, ela encara pela primeira vez o desafio de ser o centro das atenções em palcos das proporções do Guairão, onde faz o show do DVD Luz Negra na próxima sexta-feira (18), às 21 horas. "Estou honrada de me apresentar no Guaíra, um teatro emblemático, onde nunca toquei. Espero que vá muita gente."

O show conjuga as canções do universo de Nara – nada restrito à bossa nova, aliás –, com as referências pessoais que Fernanda adicionou na hora de registrar o DVD. Figuram versões de "Com Açúcar e com Afeto", "Insensatez" e "Diz Que Fui por Aí", ao lado das particularidades do gosto da cantora.

"A escolha foi totalmente mi­­­nha, nem o Nelson Motta opinou. Nesse show, fica claro meu DNA musical", revela. A árvore genealógica remonta a Mi­­chael Jack­son, em "Ben", ao ex-casal An­­­nie Lennox e Dave Ste­wart, do duo britânico Eurythmics, em "The­­re Must Be an Angel", e à banda inglesa Duran Duran, com "Or­­di­­­nary World", na listagem internacional.

Entre os brasileiros, elege "Você Já Me Esqueceu", de Ro­­­berto Carlos – denunciando de vez um "pé" no romantismo –, o carimbó "Sinhá Pureza", de Pin­­duca, e uma parceria sua com o marido John Ulhôa, "Cinco Dis­­cos". "É uma faixa que comecei a escrever quando tinha banda de colégio. Eu e o John reformulamos a música e refizemos a letra. Com o Pato Fu, (essa música) sempre entrava em votação para o repertório, mas só eu votava nela", conta. Vantagem da carreira-solo: liberdade para definir sua personalidade musical. "Ficou visível o meu papel no Pato Fu: calmo, melodioso e pop."

Fernanda não está realmente sozinha em cena. Ao fundo, se vê tanto John quanto o tecladista Lulu Camargo, também fundador do Pato Fu – mais a baterista Ma­­riá Portugal e o baixista Tiago Braga. "O John fica quietinho, mas ele é o nosso diretor musical, o cérebro do show."

Nos detalhes do espetáculo, se percebe o toque cuidadoso de Fer­­­nanda e do marido. Ela, principalmente, primou pelo apuro estético, como se vê no registro do DVD, com planos e luzes bem trabalhados. Mesmo zelo garantiu a sofisticação do CD em homenagem a Nara, produzido de modo independente, até que o sucesso maior que o esperado exigiu a lo­­­gística de uma gravadora para dar conta da distribuição.

Com o disco e o show, Takai di­­­versifica (e amplia) seu público para muito além dos fãs fiéis do Pato Fu, sem, contudo, perder a identidade. Ao contrário, está mais clara do que nunca, em momentos como "Kobune", a versão em japonês de "O Barquinho", que encerra o show amarrando a vertente nipônica da banda que gravou "Made in Japan" a uma das canções que levaram mais longe a voz de Nara Leão.

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