Filipa Pato é uma
das enólogas mais renomadas da atualidade e elabora vinhos com refinamento
e elegância que conquistaram o consumidor internacional. De um ano para cá, seus rótulos foram citados pelo crítico
Eric Asimov, no New York Times; pelo diário espanhol La Vanguardia; pela Forbes
internacional; e pelo The Irish Times, só para citar alguns exemplos.
Foi eleita a
enóloga do ano 2020 pela Revista de Vinhos, apareceu diversas vezes na
publicação do principal crítico de vinhos do mundo, a Wine Advocate, de Robert
Parker, e teve um vinho entre os 100
melhores do ano de 2021, na prestigiada Wine Spectator. Por sinal, a
primeira vez que um vinho da Bairrada recebeu 96 pontos de Robert Parker foi
para um rótulo da Filipa, o Nossa
Calcário tinto safra 2015.
Seu mais recente prêmio foi o “Vinho do Ano” para o “Nossa
Solera Desde 2001 Extra Bruto”, pela Revista de Vinhos. Mas nada aconteceu
por acaso, por sinal, são mais de duas décadas de trabalho árduo e incansável.
Este mês, a importadora Porto a Porto lançou mais dois
vinhos da enóloga no Brasil, Post
Quer...s Bical e Território
Vivo Baga.
O Post Quer...s
Bical traz a principal uva branca da Bairrada, a Bical, que expressa
delicados aromas que lembram peras. Vinho complexo, é a demonstração de um
rótulo mineral – o conceito de mineralidade remete a elementos do subsolo que
lembram pedras e giz, entre outros que possam ser extraídos da terra. Entre os
aspectos de vinificação, todos os cuidados impecáveis que caracterizam o
trabalho de Filipa: as videiras têm mais
de 40 anos, a colheita é feita à mão e a fermentação acontece em ânforas de
barro, o que permite uma micro-oxigenação suave que ajuda muito a uva a
expressar plenamente a sua mineralidade. Assim como os demais vinhos da
produtora, é orgânico e biodinâmico.
O outro rótulo é
o tinto Território
Vivo Baga 2020, elaborado com esta uva que é o símbolo da região, a
Baga. O nome do vinho traz na essência toda a preocupação com a
sustentabilidade do trabalho da enóloga e reflete o termo “Living Terroir”. A colheita 2020 certamente será inesquecível para
os produtores da Bairrada. Houve um ataque de coelhos em todas as vinhas velhas
de Baga – as que originaram este rótulo têm mais de 80 anos. Os coelhos comeram
todas as uvas até 30 centímetros do solo. Isto resultou em uvas de alta
qualidade, mas uma safra muito pequena. Filipa diz que fazer vinho perto da
natureza sem usar pesticidas ou herbicidas pode ser um grande desafio, mas é certamente quando o terroir está
muito vivo.
Na degustação o Território Vivo Baga é um tinto de
cor cereja profunda e intensa com esplêndida fruta no nariz. Em boca,
destacam-se cerejas e ameixas pretas, com notas de tabaco e cacau. É elegante,
estruturado e com excelente acidez. O amadurecimento foi de 9 meses em pipas de
500-600 litros e 6 meses de adega.
Autênticos e Sem Maquiagem
Filipa Pato,
juntamente com o marido, o renomado
sommelier William Wouters, lidera o projeto Vinhos Autênticos, Sem Maquiagem,
na região da Bairrada, em Portugal. A enóloga elabora vinhos que demonstram a
forte identidade com o local onde são produzidas as uvas. “Minha
dedicação primordial é ao vinhedo, onde passo 70% do meu tempo, pois acredito
que com uvas saudáveis tudo se torna mais fácil na adega e não é preciso
maquiar as uvas”, diz Filipa.
Desde 2014 os vinhedos estão
em processo de conversão à biodinâmica e ela
não usa herbicida desde 2009. O resultado tem sido excelente. “Usamos
animais nas vinhas, como é o caso das ovelhas, que pomos lá entre novembro e fevereiro,
quando ainda não há folhas nas videiras”, conta. “Elas comem a erva toda. E
também servem para fertilizar naturalmente o solo. E, na primavera, na altura
em que temos o ataque dos caracóis, levamos para lá as galinhas. Sou química de formação, mas evito usar os
produtos químicos. Nas minhas vinhas
e nos meus vinhos não há produto químico”, completa. Até as rolhas que
vedam todos os vinhos da vinícola são de cortiça natural de floresta biológica.
Apesar de ter crescido em meio
aos vinhedos portugueses, pois é filha
do conceituado Luis Pato, a enóloga foi buscar experiências além de suas
origens para construir a identidade de seus rótulos. Depois de se formar em
Engenharia Química, trabalhou em vinícolas na França, na Austrália e na
Argentina até retornar a Portugal para dar início a sua produção própria. O
reconhecimento internacional foi impulsionado pelo fato de, em 2011, ter sido
eleita, ao lado de outros enólogos, “Revelação do Ano” pela prestigiada revista
alemã gourmet Feinschmecker.
Sempre com ideias
vanguardistas e adepta a experimentações, Filipa
Pato é também responsável pela evolução primorosa dos vinhos portugueses
que aconteceu nas últimas décadas. Mas mirar o futuro não a impede de cuidar e
preservar as tradições locais e as uvas nativas.