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Série

Terra da Máfia retorna com disputa pelo poder e Tom Hardy no centro

A nova temporada aprofunda a disputa dentro dos Harrigans enquanto Tom Hardy segue como principal força da série

(Foto: Divulgação/Luke Varley/Paramount+)

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Guy Ritchie voltou ao lugar onde, provavelmente, se sente mais à vontade: o submundo do crime britânico. Terra da Máfia (MobLand), que estreia sua segunda temporada no Paramount+, reúne famílias criminosas, disputas por território, traições, violência e uma coleção de personagens que parecem ter saído de algum dos filmes que ajudaram a construir a reputação do diretor. A diferença é que, desta vez, Ritchie não está contando uma história de duas horas. Há dez episódios pela frente — e sustentar esse universo durante tanto tempo é uma tarefa bem mais complicada.

Ritchie tem uma carreira difícil de resumir. Começou chamando atenção com Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch, transformando histórias de criminosos britânicos em filmes de ritmo acelerado, personagens excêntricos e humor peculiar. Depois vieram trabalhos de recepção bastante irregular.

Terra da Máfia é séria e pesada. No centro da história está Harry Da Souza, interpretado por Tom Hardy, um sujeito que trabalha como solucionador de problemas para a família Harrigan. Quando o filho de um mafioso rival desaparece depois de uma noite envolvendo drogas, violência e o jovem Eddie Harrigan, a tensão entre as duas famílias cresce e Harry passa boa parte do tempo tentando impedir que a situação saia completamente do controle. A primeira temporada começa com um ritmo lento, mas que melhora a cadência a cada episódio.

Recepção da crítica

O site TheWrap enxergou na série um retorno interessante de Ritchie ao universo do crime londrino e destacou principalmente Tom Hardy. O ator tem uma presença que ajuda a série a funcionar mesmo quando o roteiro está ocupado demais explicando quem é quem. Harry é ameaçador sem precisar ficar o tempo todo demonstrando que é ameaçador. Hardy faz isso com postura, silêncio e uma tensão que parece estar sempre prestes a escapar.

É difícil também não perceber o tamanho da presença de Helen Mirren. Ela não precisa estar em todas as cenas para marcar a história. Quando aparece, chama a atenção. Sua personagem é uma peça fundamental dentro da família Harrigan, e Mirren dá a ela uma força que faz com que as cenas ganhem outra dimensão. Paddy Considine também se destaca, compondo um personagem que ganha importância à medida que a disputa familiar se desenvolve.

É justamente o elenco que acaba compensando algumas das limitações da primeira temporada. A história não chega a reinventar as séries de máfia, mas há reviravoltas suficientes para manter a curiosidade. Para quem gosta de crime organizado, a temporada entrega o que promete. Não é preciso procurar uma grande inovação no gênero para encontrar motivos para continuar assistindo.

A segunda temporada parte de uma situação diferente. O conflito deixa de depender apenas da rivalidade entre os Harrigans e os Stevensons e começa a olhar para dentro da própria família. Conrad Harrigan, vivido por Pierce Brosnan, e seu filho Kevin, interpretado por Considine, entram em uma disputa que coloca em questão quem realmente está no comando. A revista Empire enxergou nessa nova configuração uma dimensão quase shakespeariana: existe um poder estabelecido, existe uma possível sucessão e existe uma família começando a se dividir por causa disso.

Os novos episódios também introduzem Frankie, personagem de Johnny Flynn, que passa a ocupar uma posição importante nessa disputa. E é curioso como a avaliação dos críticos começa a se dividir justamente nesse ponto. A Empire gostou da mistura de violência e humor absurdo e chamou atenção para Flynn, que alterna um comportamento aparentemente ridículo com momentos mais ameaçadores. Tom Hardy continua sendo visto como uma espécie de ponto de equilíbrio no meio dessa confusão.

O IndieWire teve uma impressão diferente. Depois de assistir aos quatro primeiros episódios, Ben Travers considerou que a segunda temporada havia tirado o pé do acelerador. Para ele, o conflito interno dos Harrigans não produz inicialmente a mesma sensação de perigo da primeira temporada, enquanto Harry fica mais afastado das decisões que movimentam a trama.

O Guardian foi ainda mais duro. Sarah Dempster considerou a segunda temporada tediosa e criticou o excesso de palavrões. É uma reação bem distante da Empire, que encontrou justamente nessa mistura de violência e absurdo parte do encanto da produção.

Terra da Máfia representa uma volta bastante clara ao território que ajudou a definir a carreira do diretor. Não é necessariamente uma obra que expande seu repertório, mas é uma produção em que sua familiaridade com esse universo aparece o tempo todo. Mesmo os críticos que encontraram problemas na série reconheceram qualidades na direção, no elenco ou na atmosfera.

Tom Hardy talvez seja quem melhor traduza essa característica. Harry não precisa transformar cada cena em espetáculo. A força do personagem está justamente na maneira como o ator segura a tensão. Na primeira temporada, isso faz dele uma presença particularmente importante para manter a história de pé quando ela se torna mais carregada de personagens, relações e explicações.

A segunda temporada agora precisa provar que esse universo ainda tem fôlego. A série já foi renovada para uma terceira temporada, e a permanência de Hardy foi confirmada depois de dúvidas sobre seu retorno. Por enquanto, Terra da Máfia parece encontrar sua força menos na novidade do que na execução. Guy Ritchie continua sabendo trabalhar com o imaginário do crime britânico, mesmo quando a história se aproxima de fórmulas já conhecidas.

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