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Café com a Gazeta

Caiado diz que eleitor não tem como pedir voto de volta e cobra quebra de sigilo do Master e INSS

Ronaldo Caiado
O candidato do PSD afirmou que, se for eleito, ele deve indicar quatro mulheres às vagas de ministros do STF. (Foto: Reprodução/YouTube/Gazeta do Povo)

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O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) participou do programa Café com a Gazeta do Povo desta sexta-feira (18), dentro da série de entrevistas que o jornal está realizando neste período eleitoral.

Ex-governador goiano e ex-senador, Caiado volta à disputa presidencial depois de 37 anos. Em 1989, ele entrou na corrida pelo Palácio do Planalto como representante do agronegócio na primeira eleição direta após a redemocratização do país. 

Caiado comparou as relações suspeitas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro às surpresas do chocolate Kinder Ovo e defendeu que o eleitor conheça as investigações antes do primeiro turno.

“Solicitei ao presidente do STF que quebrasse o sigilo de tudo, tanto do INSS como do Banco Master, para que a sociedade soubesse quem são os envolvidos. Se o eleitor votar no dia 4 de outubro, não terá como pedir o voto de volta se acabar elegendo um corrupto”, afirmou.

O candidato do PSD afirmou que, se for eleito, ele deve indicar quatro mulheres às vagas de ministros do STF.

Além da cadeira do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte e não foi substituído, ainda estão previstas as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Caiado não confirmou os nomes preferidos por ele, mas citou a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge. 

“Esse é o perfil de uma mulher que tem compatibilidade de ser ministro do Supremo porque se o ministro Dias Toffoli tivesse aceito a decisão dela como procuradora-geral da República não teríamos o inquérito da fake news. Ela negou a autorização naquela época”, disse Caiado ao citar o inquérito que foi aberto por Toffoli, em 2019, e remetido para o relator Alexandre de Moraes.

Caiado aposta em fatos novos para reagir nas pesquisas

Questionado sobre seu desempenho nas pesquisas eleitorais, Caiado afirmou que pretende manter a campanha até o fim e aposta no surgimento de novos fatos para alterar o cenário da disputa.

O candidato disse acreditar que os próximos dias podem levar o eleitor a reavaliar as opções colocadas para a Presidência e deixar de votar apenas em oposição a outro candidato.

“Eu sou uma pessoa extremamente otimista. Para você ter uma ideia, na área de cirurgia, eu sou especialista em cirurgia da coluna vertebral, a área mais delicada que tem junto ao cérebro. Então eu sou daquele que vou até o último minuto, diria você talvez até uns 10 minutos a mais, para poder salvar uma vida e para poder salvar um país", afirmou.

"Então, eu acredito que nesses 16 dias muitos fatos virão à tona e acredito que a sociedade vai sair desse processo de votar contra o outro sem poder analisar o que é melhor para o país", completou.

O candidato também relacionou a estratégia eleitoral à necessidade de ampliar o conhecimento sobre sua trajetória.

Para Caiado, o fato de ter exercido o governo de Goiás o tornou conhecido no estado, mas não necessariamente no restante do país.

Segundo Caiado, há falta de apoio dos governadores à política local

Caiado também respondeu sobre a falta de apoio de parte dos governadores do PSD à sua candidatura à Presidência.

Ele atribuiu a posição aos interesses políticos de cada estado e afirmou que o apoio dos governadores não define, por si só, o resultado de uma eleição presidencial.

“Por um motivo simples: porque essas pessoas estão vivendo uma realidade do seu estado. A realidade do estado delas naquele momento foi dizer: ‘Olha, o governador Caiado indiscutivelmente é o melhor de todos, mas eu não vou deixar de perder aqui uma oportunidade de estar com uma obra aqui, uma concessão...’ Esta é a vida como ela é", afirmou.

Segundo Caiado, o eleitor analisa os candidatos à Presidência de forma independente das alianças entre governadores.

“Não quer dizer que você, ao ter apoio de mais governadores ou menos, foi eleito presidente da República, não tem essa vinculação", disse.

O candidato também disse que a campanha nacional precisa apresentar uma alternativa à polarização.

Caiado afirmou que pretende apresentar seu histórico administrativo e alcançar eleitores que ainda não conhecem sua trajetória política.

Caiado atribui desconhecimento nacional à atuação como governador

Ao comentar o desempenho nas pesquisas, Caiado afirmou que o baixo conhecimento de seu nome fora de Goiás está relacionado à própria natureza do cargo que ocupou nos últimos anos.

Segundo ele, a exposição como governador ficou concentrada no debate estadual. “Quando você é governador, você não está num debate nacional”, afirmou.

Caiado citou os índices de aprovação que alcançou em Goiás para argumentar que o desconhecimento não se repete entre os eleitores que acompanham sua trajetória no estado.

“Agora, o que deve emergir como resposta à sua pergunta é: como é que um governador pode chegar a 88% de aprovação? Em cada dez goianos, nove me aprovam. Nunca existiu isso no Brasil em nenhum estado da federação. Como é que pode?”, disse.

O candidato também recorreu à própria trajetória política para defender seu nome. Ele afirmou que o eleitor pode consultar seu histórico como deputado, senador e governador.

“Quem me conhece, de dez, nove me apoiam. Faz o Google do Caiado, não tem bandalheira. Vai ver minha trajetória como deputado, como senador da República e como governador do estado", disse.

Na sequência, Caiado reconheceu que precisa ampliar sua exposição nacional durante os últimos dias da campanha.

“Então é tentar ser mais conhecido, sim, tentar ser mais conhecido e poder fazer chegar a mensagem nas pessoas que estão com o voto do ódio”, afirmou.

Caiado confirma presença em todos os debates

Caiado também afirmou que pretende participar de todos os debates presidenciais previstos até o primeiro turno.

Segundo ele, sua campanha tem defendido a manutenção dos encontros entre os candidatos.

“Eu comparecerei a todos, comparecerei a todos, eu não vou faltar a nenhum debate. Pelo contrário, nós estamos até insistindo para que não haja cancelamentos aí dos debates. A conclusão que você pode tirar é que os dois candidatos, o Lula e o Flávio, têm muito a esconder", ressaltou.

Caiado defende combate integrado às bets

Na entrevista, o candidato também falou sobre as apostas on-line e defendeu uma atuação integrada dos órgãos de fiscalização e segurança para combater plataformas que operam de forma irregular.

Caiado classificou o vício em apostas como um problema de saúde e afirmou que pretende ampliar o cruzamento de informações para identificar operadores clandestinos.

“Eu falo como médico: isso é uma doença, é uma ludopatia que está no Código Internacional de Doenças. Eu não faço concessão a jogo. Se você tem o que eu criarei, que é o Ministério da Segurança Pública, e você tem a Receita Federal junto com o COAF, CVM e a inteligência da Polícia Federal, tudo isso convergindo para um sistema chamado Sentinela, essas informações são cruzadas, você pega cada um desses aí que estão na clandestinidade e interrompe essa jogatina. Em Goiás não tem loteria", disse.

A proposta, segundo Caiado, envolve o compartilhamento de informações entre órgãos de segurança, fiscalização e inteligência para identificar movimentações relacionadas às apostas clandestinas.

Caiado cita inteligência artificial como estratégia de segurança

Na área de segurança pública, Caiado apresentou os resultados que atribui às políticas adotadas durante sua gestão em Goiás.

O candidato destacou o uso de inteligência de dados e inteligência artificial pelas forças de segurança e afirmou que essas ferramentas ajudaram a reduzir os índices de criminalidade no estado.

“Nós já implantamos em Goiás a inteligência artificial de combate ao crime. Hoje as nossas forças de segurança têm toda uma estrutura por trás de inteligência de dados e de inteligência artificial”, afirmou.

Caiado citou a redução dos índices de criminalidade durante o período em que governou o estado.

“Goiás saiu de um percentual de 40,7% quando eu entrei no governo para 16,5% — 60% de queda”, disse.

O candidato também mencionou os índices de roubos e furtos e afirmou que Goiás apresenta os menores registros do país em diferentes categorias.

“Roubo e furto de veículos é o menor do Brasil, empatado com Santa Catarina. Roubo em estabelecimento comercial, residência e transeunte: o menor do Brasil", assegurou.

Na sequência, Caiado destacou os resultados relacionados a roubos contra instituições financeiras durante sua gestão.

“Roubo a banco, instituição financeira e carro-forte na minha gestão: nenhum assalto", afirmou.

Ao defender a política de segurança adotada em Goiás, o candidato também fez uma crítica à falta de autoridade de agentes públicos envolvidos em irregularidades.

“Eu peguei um governo que era a verdadeira Cinelândia dos bandidos. Agora, quem dá ordem tem que ter autoridade moral, porque, se quem vai dar ordem está envolvido em bandalheira, como é que alguém vai atender à ordem dele?”, questionou.

As respostas de Ronaldo Caiado ao pinga-fogo do Café com a Gazeta

Ao fim da entrevista, Caiado foi questionado se é "a favor" ou "contra" temas diversos, e foi convidado a opinar em poucas palavras sobre alguns temas. As respostas foram:

  • Voto impresso: Se acrescentar, tudo bem. Não tem problema nenhum.
  • Bets: Contra.
  • Legalização do aborto: Não.
  • Redução da maioridade penal: Sim.
  • Fim do foro privilegiado: Sim.
  • Audiência de custódia: Não.
  • Câmera no uniforme da polícia: Vou ser presidente. Enquanto fui governador, não usei.
  • PEC 6x1: Sim.
  • Teto de gastos: Sim.
  • Impeachment de ministros do STF: Todos que tiverem motivos para sofrer impeachment. Isso é constitucional.
  • Escola cívico-militar: Todas as minhas são militares.
  • Um grande político brasileiro: Juscelino Kubitschek.
  • Lula: Ladrão do futuro brasileiro.
  • Jair Bolsonaro: Conseguiu unir a direita brasileira, mas não soube governar.
  • O 8 de janeiro foi: Uma baderna.
  • André Mendonça: Resistindo, mas está isolado. Tem o reconhecimento da população brasileira por ter tido a coragem de desnudar.
  • Alexandre de Moraes: Já passou do momento de saber que o seu comportamento não é compatível com o cargo de ministro do STF.

Gazeta do Povo realiza série de entrevistas

A Gazeta do Povo promove, no seu canal do YouTube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional.

As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 9h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta do Povo.

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