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Diesel é o segundo componente que mais pesa nos custos dos ônibus de Curitiba, ficando atrás apenas da folha salarial de motorista e cobradores.
Diesel é o segundo componente que mais pesa nos custos dos ônibus de Curitiba, ficando atrás apenas da folha salarial de motorista e cobradores.| Foto: Setransp

O reajuste do diesel anunciado pela Petrobras em março vai impactar R$ 0,30 por passageiro na planilha de custos do transporte público de Curitiba em abril. Esse impacto só não vai ser repassado ao valor da passagem, que vai seguir R$ 5,50 na catraca, graças ao subsídio de R$ 157 milhões a ser repassado até fevereiro de 2023 à Urbs - empresa municipal que gerencia a frota curitiba.

Após anúncio de aumento de quase 25% na refinaria na primeira quinzena de março, o litro do diesel nos postos da capital subiu nesse mês 21,4%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O preço médio do diesel no início de março em Curitiba era de R$ 5,229 o litro e agora está em R$ 6,349.

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De acordo com a Urbs, o aumento do combustível em março já sobrecarregou em R$ 0,30 a tarifa técnica dos ônibus para abril. A tarifa técnica é o valor cheio dos custos de operação dos ônibus, que em março ficou em R$ 6,36 por usuário.

Com a passagem reajustada na catraca em 22% no começo de março após três anos sem aumento por causa da pandemia, a passagem foi de R$ 4,50 para R$ 5,50 - tarifa mais cara das capitais. Com isso, a prefeitura teve de aportar em março R$ 0,86 por passageiro para fechar a conta da diferença entre os R$ 6,36 da tarifa técnica e os R$ 5,50 pagos pelos usuários no embarque. Aporte que vai subir em abril para manter o preço da passagem como está justamente por causa do reajuste do combustível.

Com o impacto de R$ 0,30 do diesel nos custos, a tarifa técnica mês que vem vai ficar no mínimo em R$ 6,66. O valor de fato só vai ser divulgado no início de abril, já que a Urbs precisa levar em conta outras variantes que podem impactar nos custos até o fim de março para fechar o cálculo.

Os R$ 0,30 a mais na tarifa técnica em abril serão absorvidos pelo subsídio de R$ 157 milhões que a Urbs obteve para 2022, o que vai permitir que a passagem não suba mesmo com o aumento do combustível. A maior parte do subsídio vem da própria prefeitura: R$ 97 milhões. Os outros R$ 60 milhões são do governo do estado: R$ 40 milhões do próprio caixa estadual e R$ 20 milhões que a Assembleia Legislativa devolveu ao governo para ajudar o transporte coletivo da capital.

Com esse socorro financeiro, a Urbs trabalha com a previsão de que a tarifa técnica varie entre R$ 6,36 e R$ 7,20 até o ano que vem, levando em consideração a variação de preço que os insumos venham a sofrer e o volume de passageiros no sistema.

"Em Curitiba, equacionamos o problema com aporte da prefeitura e do governo do estado. Temos fôlego para aguentar um ano inteiro sem reajuste na passagem de ônibus. Apesar de o governo federal não nos dar recursos, vamos aguentar um ano com o preço do combustível como está", declarou o prefeito Rafael Greca em entrevista à Rádio CBN semana passada ao receber gestores municipais no encontro da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

Liderada por Greca, a FNP vem pressionando a União para que banque os custos da gratuidade de idosos no transporte coletivo em todo o Brasil e, assim, aliviar os cofres municipais para evitar novos reajustes na tarifa. Em Curitiba, aproximadamente 778,3 mil idosos acima de 65 anos têm direito à gratuidade, o que gera uma despesa anual de R$ 65,5 milhões bancada pelo município.

Gasolina mais cara, mais passageiros

O preço caro do combustível pode ter influenciado também no aumento no número de passageiros nos ônibus de Curitiba. Em fevereiro, a média foi de 510 mil passageiros por dia no sistema. Agora em março, o número subiu para 550 mil passageiros por dia, aumento de 8% nos embarques.

Com a gasolina mais cara, muita gente opta por deixar o carro na garagem e evitar usar veículos de aplicativo para circular de ônibus e economizar. A quantidade de passageiros da frota, entretanto, segue 27% menor do volume de usuários de antes da pandemia, quando o sistema chegava a transportar diariamente perto de 700 mil passageiros.

"O aumento no fluxo de passageiros ajuda a minimizar o impacto da alta do combustível, mas o sistema não se equilibra dessa maneira. Mais passageiros significam mais frota e, consequentemente, mais utilização de combustível", explica a Urbs em nota à Gazeta do Povo.

O custo com combustíveis e lubrificantes é a segunda maior despesa da planilha da Urbs. Representa 21,62% de todos os custos da frota. Os combustíveis perdem apenas para o pagamento da folha salarial, que fica com 33,93% do orçamento da Urbs. Lembrando que em abril também haverá reajuste no salário de motoristas e cobradores, de 10,6%.

A prefeitura de Curitiba garante que mesmo com futuros reajustes no litro do diesel e outros insumos do petróleo vai manter a passagem de ônibus a R$ 5,50 até o começo do ano que vem. Mas, para isso, admite a Urbs, o sistema poderá precisar de subsídio além dos R$ 157 milhões atuais caso os aumentos dos combustíveis sejam muito altos.

"Mesmo com novas altas que eventualmente possam ocorrer, não há previsão de reajuste da tarifa antes do fim do período tarifário. Para isso, a prefeitura poderá ampliar o subsídio ao sistema para manter a tarifa congelada a R$ 5,50 até março de 2023", argumenta a Urbs.

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