
Nascida em Curitiba no gelado maio de 1950 – numa época em que a cidade ainda tinha ares de interior –, Aglair do Rocio Molinari Zequinao foi uma pessoa sempre pronta e disponível. Ao contrário do clima da cidade, para ela não existia tempo ruim. Não era, é verdade, toda sorrisos a qualquer um. Para correr ao encontro dos seus, porém, largava o que estivesse fazendo. À família, tudo.
Conheceu o marido, Haroldo, a quem chamavam de “Gentil” – pela doçura –, na juventude, nos tradicionais bailes que aconteciam na região do Ahú. Haroldo era baterista de um grupo que se apresentava nas festas e, entre uma música e outra, encantou-se por Aglair. Companheirismo e amor não faltaram nos 32 anos de união. Os dois tinham o costume de se chamar de “Vida”.
Além de Haroldo, Aglair, muito católica, teve outra companhia inseparável – que veio, inclusive, antes do marido: Nossa Senhora Aparecida. Muito devota, contou com o apoio da santa brasileira até o fim, com muita fé. Com o marido, organizava excursões anuais para Aparecida, em São Paulo, onde fica a Basílica de Nossa Senhora. A viagem era sagrada – por inúmeros motivos – e não faltava animação durante os 600 quilômetros que separam a capital paranaense da cidade.
Não tiveram filhos biológicos, mas a afilhada Patrícia cumpriu bem esse papel. Filha de uma amiga de adolescência de Aglair, Patrícia conta que, quando criança, não via a hora de passar os fins de semana com a madrinha, que adorava agradar a menina. Quando Patrícia se tornou mãe, Aglair virou “avó” de Maria Cecília e Ana Clara, a quem amava levar para passear, especialmente na tradicional feirinha do Largo da Ordem, aos domingos. À segunda avó, as garotas deram o apelido carinhoso de “Táta”.
Trabalhou como cantineira em escolas municipais durante muitos anos e era uma cozinheira de mão cheia. Sabia fazer de tudo, e adorava cozinhar o que lhe pedissem. Dentre muitos pratos, Patrícia guarda um carinho especial pelo bolo de abacaxi e pelo empadão. Eram de comer até lamber os dedos. A torta salgada, inclusive, era de um sucesso tão grande que Aglair chegou a fazer para vender. Não sobrava uma unidade.
Muito ativa, começou a dar sinais de cansaço há três anos, quando perdeu o irmão Júnior, a quem tinha como um filho, devido a um câncer. Pouco tempo depois, descobriu um tumor no útero, que acabou se espalhando. Mesmo assim, lutou o quanto pode. Não queria partir. Foi atendida com mãos de anjo pela equipe do hospital em que ficou internada. Patrícia, que perdeu a mãe para a mesma doença, ficou com muito medo.
“Acho que ela só conseguiu descansar depois que eu e as meninas [Maria Cecília e Ana Clara] fomos visitá-la em uma tarde; agradecemos por tudo o que ela tinha feito por nós, e pedimos para que Nossa Senhora Aparecida a colocasse nas mãos”, conta Patrícia. À noite, Aglair se foi, deixando muitas saudades. “Ela era uma pessoa completa”, destaca a afilhada. Deixa marido e afilhada.
Dia 14 de maio, aos 66 anos, de câncer, em Curitiba.
Colaborou: Mariana Balan







