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Lista de falecimentos - 11/06/2015

Aristeu Palmeiro: o construtor de casas, amizades e valores

Ari em Gramado. Foto de dezembro de 2014 | Arquivo da família
Ari em Gramado. Foto de dezembro de 2014 (Foto: Arquivo da família)

“O seu Ari, o teu Ari e o nosso Ari” era a expressão que mais ilustra a essência do pedreiro Aristeu Palmeiro. Era o Ari da família, dos clientes –que viravam amigos–, dos amigos dos filhos – que se transformaram um pouco seus também ainda e o Ari dos vizinhos, aqueles que eram quase da família. Ele formou um círculo do bem.

Sua popularidade era quase de um estadista. Na infância e juventude, Ari criou suas memórias e amizades na Vila Leão, em Curitiba. Depois do casamento com Bernadete, o bairro Boa Vista virou seu chão. A casa grande e confortável construída por ele mesmo estava sempre de portas abertas. A filha Ana Paula lembra-se das festas de aniversários como as mais divertidas. Nos últimos cinco anos, a comemoração era realizada com a famosa feijoada do tio Ari, quando o casal recebia muita gente. Certa vez havia mais de cem convidados.

Tinha orgulho do que fazia. A profissão de pedreiro surgiu ainda na juventude e era o meio de ajudar a família. A mãe, Alice, saiu de Teixeira Soares, nos Campos Gerais, com 14 filhos. O pai, José, já havia falecido. A família Palmeiro veio tentar a sorte na capital e seguiu adiante com o empenho e dedicação da matriarca e das irmãs de Ari e com a experiência e o trabalho na construção civil dos irmãos mais velhos. Ele era o caçula e foi aprendendo o ofício de pedreiro.

Com o tempo já sabia tudo sobre alvenaria, dominava as ligações elétricas e hidráulicas de uma construção e também era um pintor exigente, conta a filha. “Não derrubava nem um pingo de tinta”. Com pouco estudo, foi um verdadeiro autodidata.

Se um dia precisou escolher entre os estudos e a profissão, com os quatro filhos fez diferente. Incentivou que eles estudassem e usava como referência a sua história de vida. “O pai edificou muito coisas em nós, os filhos. Ele tinha a capacidade de edificar não só os espaços físicos, mas também construir as amizades e valores”, acrescenta Ana Paula.

Como autônomo, Ari definiu o tempo de parar de subir em telhados, mexer com pá de pedreiro e se sujar com caliças e afins. Não de todo, é claro. O último trabalho realizado ainda esse ano foi em fevereiro. Ele presentou uma vizinha com pintura da casa e uma nova fiação elétrica. Tinha se sensibilizado com a perda da senhora, pois ela enterrado um filho. “Era solidário e muito participativo na comunidade”.

Nas horas livres, aproveitava para viajar com Bernadete e às vezes com os filhos e as netas. Além das visitas ao município de Pitanga, no Centro-Sul do Paraná, onde moram os sobrinhos da família da esposa, e à Ilha do Mel, no Litoral paranaense, quando aproveitava para pescar. Ari também levou seu bom humor para um pouquinho mais longe. Em dezembro de 2014, ele, a esposa, as duas filhas e uma neta foram conhecer Gramado, na serra gaúcha. Se encantou com a natureza.

Nos últimos meses, Ari se abateu com a doença da irmã, Lenira, debilitada com problemas respiratórios. Ele sempre foi muito ligado à família e era guardião das irmãs. Para a tristeza da família, há dois meses Ari descobriu um câncer. Uma parada cardíaca levou Lenira na véspera do aniversário da sobrinha Ana Paula, em 1.º de maio, o que o deixou mais triste. Ele partiu oito dias depois. Na véspera do Dia das Mães, 9 de maio, Ari deu adeus, às 15 horas, na Hora da Misericórdia. De família religiosa, vários terços foram rezados na despedida.

No último gesto, a neta Ana Clara deixou o seu “cheirinho” mais amado para o “vovô levar junto”. Deixa a viúva Bernadete, os filhos Ana Paula, Arilson, Ariane e Edno, as netas Maria Cecília, Luana e Ana Clara, a irmã Zenita, e muitos amigos.

Lista de falecimentos - 11/06/2015

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