
O catarinense Clotardo Stratmann pode se considerar um gráfico praticamente desde que nasceu. Quando criança já mexia com papéis. Recortava folhas e colava fotos de santos que recolhia na igreja. Ali nasceram seus primeiros livros. Natural de São Bento do Sul, em Santa Catarina, chegou em Curitiba aos 21 anos já casado com Genoveva.
O rapaz dominava o serviço gráfico. Com 14 anos já desempenhava a função no jornal Correio de Santa Catarina. Na capital paranaense, conseguiu emprego na Gráfica Taquari e mais tarde na Iguaçu. Montou o próprio negócio no final da década de 1980.
Sem nome e feita na sua própria casa, a gráfica de Clotardo ficou conhecida pela tradição. Com métodos de produção antigos, frequentemente recebia trabalhos artesanais. Por conta da experiência e atenção aos detalhes, a pequena gráfica chegava a receber serviços de empresas maiores. Clotardo era conhecido por nunca recursar um trabalho. Produziu até os 80 anos e não parava mesmo quando sentia dores. Era um perfeccionista. A satisfação chegava apenas quando o trabalho ficava do jeito que ele queria.
Junto com a esposa Genoveva teve dois filhos, Bernadete e Gilberto. Segundo a filha, Clotardo era sério, até um pouco bravo, mas sempre ensinando o que considera melhor. Cursou magistério, mas não chegou a ser professor. Era um homem considerado sábio. Trabalhava no meio dos livros e os amava. Lia de tudo: livros, revistas, jornais e até panfletos. Na dúvida, os filhos sempre recorriam ao pai. “Para a gente, era como se ele soubesse de tudo”, lembra Bernadete.
Clotardo era o que pode se chamar de um homem reservado, mas a chegada dos cinco netos e dos dois bisnetos fizeram com que ficasse mais solto. Luiz Felipe, seu primeiro bisneto, e Amanda, com apenas seis meses, conseguiam fazer o “biso” brincar muito.
Gostava de mexer na terra com a esposa. O jardim de casa onde moravam sempre foi um lugar amplo em que plantavam um pouco de tudo. O casal cultivou milho, tomate, alface, cenouras e morangos. Depois das missas, o plantio era um dos programas prediletos. A esposa faleceu em 2001, o que o afastou um pouco do jardim.
O catarinense usou a fé também como uma forma de lembrar de Genoveva. Junto com a filha, frequentava as missas na Paróquia do Santa Quitéria. Nos últimos anos, mantinha o hábito de ouvir as pregações. Mas já o fazia pelo rádio e TV. Gostava também de apreciar os momentos simples. Os encontros com os filhos eram momentos valiosos para ele. Aos sábados, tomava chimarrão com o filho Gilberto. Aos domingos, almoçava com a filha. A preferência era sempre o peixe.
Orgulhava-se por cuidar muito bem de sua saúde. Não faltava às consultas médicas, fazia check-ups completos e tomava todos os remédios no horário. Sofria de diabetes, mas controlava muito bem os índices de açúcar no sangue. Em maio de 2015, descobriu um câncer no pâncreas. Em julho foi internado para tratar da doença, mas não resistiu as complicações que ela causou. Deixa dois filhos, genro, nora, cinco netos e dois bisnetos.







