
Fabiano Assad Guimarães era advogado. Além do Direito, tinha outras duas paixões: a culinária e as viagens. Era um guia turístico nato e informal. Só para a família. Nas inúmeras viagens – e não foram poucas – era dele a incumbência de organizar passeios, apontar curiosidades e atrativos locais. Ele se perdia nas páginas de guias locais durante a noite, aprendia tudo o que era possível em poucas horas e discorria com a maior facilidade; no outro dia, colocava os aspectos históricos, culturais e urbanísticos nos roteiros.
Fabiano aprendeu como era bom conhecer novas culturas desde que se formou no Ensino Médio. Argentina, Chile, Peru fizeram parte das primeiras viagens. A família nunca passava o ano novo em Curitiba. O mapa que indicava os locais já conhecidos só foi aumentando. Egito, Leste Europeu, Portugal e Itália foram alguns dos destinos. “Era bom passar as férias junto com ele”, destaca Lucimara, mãe do rapaz. As novas localidades também eram registradas em muitas fotos.
O destino turístico predileto de Fabiano era Portugal. Significava parte de sua história e da ascendência paterna. Ele era apaixonado pelo sotaque e pela música. “Chorou abraçado comigo ao ouvir o fado”, conta a mãe. Também se emocionou quando viu pela primeira vez o brasão dos Guimarães e quando visitou a Universidade de Direito de Coimbra.
Fabiano surpreendeu a família quando demonstrou o gosto pela culinária, recorda -se Lucimara. Ele ligava e pedia o passo a passo da receita e depois convidava a família e os amigos para experimentá-la. Uma delas foi o mjadra, arroz com lentilhas. Descendente de árabes pelo lado da mãe, aprendeu muito cedo a cozinhar os pratos servidos diariamente na família Assad Guimarães. Preparava pratos gourmet e tinha preferência pelos estilos indiano e francês. “[Os pratos] sempre foram muito bons”, ri Lucimara. Ele foi um dos melhores clientes do Mercado Municipal. Era lá que encontrava os produtos, temperos e especiarias para incrementar suas receitas. Tinha todo o tipo de pimentas em casa.
O gosto musical veio do lado paterno. Passava as férias e fins de semana com os avós na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba – cidade em que nasceu – e tocava violão e cantava com os tios Dito e Elias. Por um bom tempo foi possível ouvi-lo “dar uma canja” de MPB no espaço Lapinha SPA. Para o amigo e sócio no escritório de advocacia, André Portugal, Fabiano era um artista nato.
Mas o que encantou profissionalmente o lapeano foi o Direito. Tirou o 10º lugar no curso da UFPR e estagiou com Elias Mattar Assad, seu tio. Pelo lado do pai, os parentes eram de médicos; pelo lado da mãe, eram advogados. Quando se formou, tornou-se sócio do amigo de infância– da época do Colégio Marista Santa Maria – no escritório Assad Guimarães&Portugal. Especializou-se em Direito Empresarial.
André conta com orgulho que além de sócios, em 2011, eles viraram compadres. Fabiano batizou a pequena Heloísa, atualmente com 3 anos, e se referia à pequena como “minha linda!”.
Em abril de 2014, ele descobriu que tinha câncer. Desde então lutava contra a doença, que se agravou em dezembro do ano passado. Depois de um longo processo de quimioterapias e cirurgias, faleceu no fim de julho. Deixa pai, mãe, um irmão e amigos.







