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lista de falecimentos - 01/10/2015

Sálvio Edson José da Silva: o zagueiro que parou Pelé

 | Acervo da família /
(Foto: Acervo da família /)

Nos tempos áureos do Rio Branco Sport Club, de Paranaguá, um zagueiro era destaque por onde passava: Sálvio Edson José da Silva, o Salvito. Jornais e revistas da época, entre elas, a renomada Gazeta Esportiva Ilustrada, falavam do talento do jogador do Leão da Estradinha, como era conhecido o clube. Nem mesmo o rei do futebol escapou da marcação ímpar de Salvito. Aos 19 anos, Pelé veio disputar uma partida no litoral, mas o Santos não saiu do zero porque Salvito foi implacável na marcação ao camisa 10 santista.

A carreira de jogador começou em Curitiba, no Alto da Glória, onde morava com a avó. “Jogou como amador pelo Coritiba”, conta o filho, Athos Frota Silva. Foi bicampeão juvenil e bicampeão amador pelo clube. Chegou ao Rio Branco em 1953 e ficou lá por sete anos. Em 1954 foi campeão do interior. Depois do episódio com Pelé, recebeu uma proposta para vestir a camisa do Santos, mas a paixão pelo Leão era maior. “Naquela época se jogava por amor à camisa e não por dinheiro, até porque o pai trabalhava como taxista também e tinha algumas casas para alugar”, lembra Athos. Assistindo às atuações do Rio Branco nos últimos anos, Salvito costumava lamentar a “falta de amor à camisa” dos atuais jogadores.

Os recortes de jornal que destacavam a atuação do jogador e da equipe foram guardados. Neles, as homenagens citam a parceria com Dicesar, outro jogador do Rio Branco: “uma zaga notável”, diziam. O jornal Diário do Litoral também destacava: “ótimo destruidor de jogadas”. Em 1957, a Gazeta Esportiva Ilustrada destacou a simpatia e a rápida acensão da equipe da cidade de Paranaguá.

Antes do futebol, Salvito serviu à Aeronáutica. Lá, já mostrava a boa forma física que o levaria para os gramados. “Mário Mickosz, um amigo do meu pai, brinca que ele voava sim, mas que era sem o avião porque corria muito”, diz o filho.

Salvito trabalhou também como taxista por 25 anos -- em frente ao Palácio do Café. Lá, fez muitos amigos, assim como na Costeira, bairro onde morou por 13 anos, na região portuária. “Dibom, Vartico, Juvercindo, Pirata, Bolacha, Zé Pequeno, eram vários amigos de caça e pesca”. Os hobbies com os amigos transformaram o jogador em um homem que “viveu a vida como quis, fez o que queria fazer”, afirma o filho.

Com o tempo, comprou sete casas e as alugava para complementar a renda. Segundo a família, porém, o desejo de Salvito de não prejudicar ninguém fez com que abusassem da boa vontade dele. “Uma vez ele alugou a casa para um amigo. O tempo foi passando e o cara parou de pagar o aluguel. Passou um mês, dois, até que o pai desistiu de receber e o cara ficou com a casa”, diz Athos.

O zagueiro que parou Pelé afirmava, com orgulho, sua boa saúde. Costumava dizer aos filho que “nunca nem dor de cabeça sentiu”. Há alguns meses foi diagnosticado com Alzheimer. Em uma última conversa com o filho, deixou um recado: “sempre ajudar o próximo, nunca prejudicar ninguém”. Complicações do Alzheimer causaram a internação de Salvito por duas semanas e ele faleceu. Deixa esposa, dois filhos, três netos, noras, dois irmãos e riobranquistas saudosos.

Dia 01 de setembro, aos 84 anos, por complicações do Alzheimer, em Paranaguá.

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