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Edison Brittes Jr. durante audiência. Ao fundo, a mãe do jogador Daniel e demais familiares do atleta | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Edison Brittes Jr. durante audiência. Ao fundo, a mãe do jogador Daniel e demais familiares do atleta| Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

As audiências de instrução e julgamento da morte do jogador Daniel começaram nesta segunda-feira (18) no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Até as 20h, três testemunhas de acusação prestaram depoimento, mas ainda restam dezenas de testemunhas a serem ouvidas, o que deve prolongar a audiência pelo menos até quarta-feira (20). A expectativa é de que os familiares do jogador falem em juízo já na manhã de terça (19), a partir das 9 horas, de frente para o assassino confesso, Edison Brittes Júnior, e os outros seis réus. As audiências irão definir se os sete acusados irão ou não a júri popular.

O advogado Nilton Ribeiro, que representa a família de Daniel, ressaltou que os parentes fazem questão de prestar depoimento de frente a Brittes Júnior. Ao longo desta segunda, a mãe de Daniel, Eliana Aparecida Corrêa Freitas, já chegou a encontrar o assassino de seu filho. Também estiveram presentes na primeira sessão a tia de Daniel, Iolanda Regina Corrêa de Assis, e a ex-mulher, Bruna Larissa Ferreira Martins, que também devem falar em juízo.

“Ter que ficar de frente com esses monstros não é fácil, mas pela honra do meu filho, eu vou ser forte”, desabafou a mãe do jogador, bastante emocionada. Vestindo uma camiseta com a foto do filho, admitiu que precisou passar por acompanhamento psicológico, mas que precisava estar presente na audiência. “Eu vim porque sempre acompanhei meu filho em tudo. E, agora que fizeram isso com ele, não vou abandoná-lo”, disse.

Leia mais: Ter que ficar de frente com esses monstros não é fácil”, desabafa mãe de jogador Daniel

Nesta segunda, as três testemunhas do caso que foram ouvidas eram sigilosas. De acordo com o advogado Nilton Ribeiro, o sigilo foi adotado pois as testemunhas se sentem ameaçadas. Nos próximos dias, ainda serão ouvidas 74 testemunhas, sendo 11 de acusação, incluindo a família de Daniel, e 48 da defesa da família Brittes. Também devem prestar depoimento os sete réus — Edison Brittes Jr, Cristiana Brittes, Allana Britte, Ygor King, David Silva, Eduardo Silva e Evelyn Brisola Perusso. A única que não está presa é Evelyn.

Segundo Ribeiro, as testemunhas que depuseram nesta segunda reforçaram os pedidos de socorro de Daniel antes de sua morte. “Elas voltaram a falar que ele chegou a pedir por favor para que não o matassem”, afirma. O advogado se mostrou confiante quanto ao teor dos depoimentos da tarde desta segunda: “Tudo que nós esperávamos foi dito. A defesa está tentando desviar o foco, mas o crime é bárbaro, hediondo”, comentou.

Já o advogado da defesa da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, afirmou estar “muito otimista” e reiterou a inocência de Cristiana Brittes. “Ficou claro, com os depoimentos desta segunda, que a Cristiana não participou [das ações que levaram à morte de Daniel]”, defendeu Dalledone. O advogado afirmou também que, para a defesa, o motivo do crime teria sido o fato de que Daniel estaria na cama com Cristiana “e isso não foi explorado a fundo no inquérito policial”, avalia, dando a entender que Brittes Jr. cometeu um crime passional.

Primeiro dia de audiências

Edison Brittes Jr, réu que confessou ter assassinado o jogador, chegou ao Fórum de São José dos Pinhais por volta das 14h10 desta segunda, acompanhado de outros três acusados: Eduardo Henrique da Silva, Ygor King e David Willian da Silva. Eles estão presos na Casa de Custódia de São José dos Pinhais. Pouco antes chegaram ao local Cristiana Brittes e Allana Brittes, esposa e filha, respectivamente, de Brittes Jr, que estão presas no Presídio Feminino de Piraquara. Essa foi a primeira vez que os sete acusados deixaram a prisão.

A última acusada é Evellyn Brisola Perusso, que não chegou a ser indiciada pela polícia, mas teve acusação do Ministério Público do Paraná (MPPR) aceita pela Justiça. Ela é a única que responde em liberdade.

O primeiro a prestar depoimento à juíza da 1.ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, Luciana Regina Martins de Paula, foi um dos jovens que presenciou as agressões a Daniel na casa dos Brittes. Na sequência foram ouvidas outras duas testemunhas sigilosas. No caso do sigilo, os réus ficaram em uma sala ao lado, porém ouviram os depoimentos.

Os réus não são obrigados a acompanhar os depoimentos, entretanto a Justiça permite que eles conheçam a acusação por inteiro. Todos foram autorizados a acompanhar o primeiro dia e devem retornar na terça-feira. Na quarta-feira estão previstos os depoimentos dos acusados.

O caso

O meia Daniel, que teve passagem pelo Coritiba, Botafogo e São Paulo, havia participado da festa de aniversário de Allana Brittes em uma boate no bairro Batel na noite do dia 27 de outubro e na sequência foi para a casa dos Brittes continuar a comemoração. Lá, ele tirou fotos deitado na cama ao lado de Cristiana Brittes, esposa de Edison, as quais enviou a amigos pelo WhatsApp. Em entrevista à RPC logo antes de ser preso, Edison afirmou ter matado o jogador porque ele teria tentado estuprar Cristiana – versão a qual a Polícia Civil não sustentou durante as investigações.

O corpo do atleta foi encontrado no dia 28 de outubro de 2018 em um matagal em São José dos Pinhais com o pescoço quase degolado e o pênis decepado.

Edison Brittes Jr é acusado de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilitando a vítima de defesa), ocultação de cadáver, coação de testemunhas, fraude processual e corrupção de adolescentes. Cristiana Brittes é acusada de homicídio qualificado por motivo torpe, coação de testemunhas, fraude processual e corrupção de adolescente. Já Allana Brittes responde por fraude processual, coação de testemunhas e corrupção de adolescente.

Os jovens Eduardo Henrique da Silva, Ygor King e David Willian da Silva respondem por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente. Evellyn Brisola Perusso é acusada de falso testemunho e denunciação caluniosa.

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