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Mais duas tartarugas gigantes mortas nas praias do PR: são 9 em 20 dias

Bióloga Camila Domit, do Centro de Estudos do Mar da UFPR, acredita que mortes podem estar relacionadas à ação humana

  • Raquel Derevecki
Tartaruga de couro recolhida nesta segunda-feira da praia de Nereidas, em Guaratuba. | Colaboração/Jornal de Guaratuba
Tartaruga de couro recolhida nesta segunda-feira da praia de Nereidas, em Guaratuba. Colaboração/Jornal de Guaratuba
 
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Mais duas tartarugas de couro - a maior espécie marinha - foram encontradas mortas no litoral do Paraná. Domingo (25), foi encontrada a carcaça na orla entre Matinhos e Pontal do Paraná. Na manhã desta segunda-feira (26), foi encontrada mais uma em Guaratuba. Em menos de 20 dias, nove tartarugas de couro, também conhecidas como tartarugas gigantes por chegarem a 2 m de comprimento e a terem 500 kg, foram encontradas mortas nas praias paranaenses. A mortalidade preocupa os biólogos, já que a espécie é a mais ameaçada de extinção no mundo: a cada mil filhotes que nascem, apenas um, em média, chega à vida adulta.

A tartaruga encontrada domingo estava em avançado estado de decomposição. De tão grande que ela era, foi necessário que uma retroescavadeira retirasse o réptil da praia. A desta segunda foi encontrada na praia de Nereidas, em Guaratuba, onde já havia sido encontrada outra tartaruga gigante semana passada, na quarta-feira (21). Esta tartaruga, encontrada na praia de Coroados, tinha 1,50 m de carapaça e também precisou ser retirada de retroescavadeira. Além desses, outros seis animais já haviam sido encontrados mortos na orla entre Matinhos e Pontal nos últimos 20 dias.

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De acordo com a bióloga Camila Domit, do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (CEM-UFPR), não só as tartarugas de couros mas também de outras espécies têm se aproximado da orla paranaense devido ao avanço das águas vivas, o que é comum com a proximidade do verão. As águas vivas servem de alimento para diversas espécies de tartarugas. No entanto, não é possível saber a causa das mortes. “Pode ser por alta contaminação química, por algum tipo de doença ou por algum outro fator que tenha retirado esses animais, juntos, do ecossistema”, explicou.

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As carcaças de todas as tartarugas foram levadas para o CEM-UFPR, que vai tentar descobrir a causa das mortes. O sistema digestivo de todos os animais será analisado para averiguar se há plástico - muitas tartarugas morrem por confundirem plástico com águas marinhas. Duas destas tartarugas tinham raspões na cabeça que indicam que podem ter ficado presas a redes. O CEM-UFPR entrou em contato com centros de preservação de tartarugas em Santa Catarina para que também fiquem atentos às condições da tartarugas de couro que frequentam o litoral de lá.

Pesca industrial

Como o número de tartarugas mortas na mesma região é alto, Camila acredita que o motivo das mortes tenha sido a captura acidental por diferentes tipos de pescarias industriais. “Pode ser pelas pescarias de espinhel pelágico, que são com anzol, e pelas pescarias de arrasto de parelha, usadas para pesca de camarão e peixe. Ambas industriais”, afirma a bióloga.

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Uma retroescavadeira da prefeitura de Guaratuba auxiliou na remoção do animalColaboração/Jornal de Guaratuba

Segundo Camila, essas pescarias não têm intenção de capturar tartarugas marinhas, mas podem fazê-lo acidentalmente por atuarem na mesma região em que os animais estão. “As tartarugas acabam interagindo negativamente com os artefatos pesqueiros, sendo capturadas e morrendo”, lamenta.

Não é possível confirmar que a captura acidental tenha sido o motivo da morte das tartarugas gigantes encontradas na costa paranaense, já que a maioria delas estava em avançado estado de decomposição e não apresentava marcas de rede. No entanto, a possibilidade já abre espaço para discussão. “É necessário pensar em maneiras de reduzir a ameaça às espécies marinhas sem causar prejuízo econômico e social aos pescadores”, solicitou.

Entre as possibilidades, segundo Camila, está a instalação de dispositivos nas embarcações que reduzam a chance de captura de espécies ameaçadas e a troca de artefatos utilizados na pesca. “Também é possível restringir o uso de algumas áreas para pesca em determinados períodos do ano para proteger essas espécies”, finaliza.

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