Fabiane Rosa fala aos demais vereadores na primeira sessão após ganhar direito à prisão domiciliar
Fabiane Rosa fala aos demais vereadores na primeira sessão após ganhar direito à prisão domiciliar| Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Curitiba

Em prisão domiciliar, a vereadora Fabiane Rosa (PSD) participou na manhã desta segunda-feira (17) de sua primeira sessão na Câmara Municipal de Curitiba desde que foi presa pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 27 de julho. Denunciada por concussão e peculato, por supostamente exigir parte dos salários de seus funcionários e colocar uma empregada doméstica na folha de pagamento do gabinete, ela deixou o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na última quarta-feira (12).

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Logo no início da sessão, no chamado Pequeno Expediente, a vereadora pediu a palavra para falar à Casa Legislativa. Ela disse estar vivendo os piores dias da vida e lamentou ter deixado seu filho, de 4 anos, sem o colo da mãe por 16 dias e 16 noites. Também contou que sua mãe, de 83 anos, acordou no dia 27 de julho com informações de que a filha estava sendo presa. “Não estou vindo aqui para me vitimizar”, explicou.

Ela lembrou que foi eleita com a bandeira da defesa dos direitos dos animais. “É uma pena, mas tentaram calar minha voz; espero que não consigam”, afirmou, sem dizer a quem se referia. “Fui eleita por uma causa e foi por ela que lutei nestes três anos e oito meses de mandato.”

“Em nenhum momento me apropriei do que não é meu. Em nenhum momento fui corrupta. Em nenhum momento fiz as coisas das quais estou sendo acusada”, se defendeu. “Eu não sei a quem interessa tanta maldade, mas o que fizeram foi muito cruel: minha vida foi investigada, minha casa foi invadida, minha liberdade, tolhida, estou tomando vários medicamentos e ainda assim estou engasgada”, disse.

“Quem é da proteção animal sabe que a gente tem que se doar. E as pessoas que não podem se doar, não podem adotar, ir a um evento de doação, ser voluntário, doam através de rifas, de leilões, de doações mensais – a gente chama de padrinhos e madrinhas”, afirmou.

Áudios revelados pelo telejornal Meio Dia Paraná, da RPC TV, na última sexta-feira (14), mostram Fabiane pedindo parte dos salários de ex-assessoras com a justificativa de que o dinheiro seria destinado à causa animal. As gravações seriam de 2018, segundo as investigações do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

“Vocês têm os salários maiores do gabinete... Eu quero pedir que vocês também colaborem aí com um valor todo mês porque eu não tenho o que fazer, não tenho o que fazer”, teria dito a vereadora em uma conversa gravada. Uma assessora responde: “Me admira você falar isso porque a tua fala era totalmente contra. Agora é tudo normal”. Fabiane se justifica: “Não, não é normal, mas é... mas é a causa”.

No discurso na Câmara Municipal, a parlamentar disse que vai provar ser inocente. “As denúncias contra mim falam muito mais sobre os denunciantes do que sobre mim. A gente vai conseguir provar. O crime que cometi foi amar demais os animais e ser a voz deles.”

Além da denúncia que corre em segredo de Justiça, Fabiane também é alvo de uma representação na Câmara Municipal. Na última sexta-feira (14), o corregedor da Casa, Mauro Ignácio (DEM) encaminhou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar os resultados de uma sindicância realizada ao longo de 11 dias com pedido de perda de mandato da vereadora.

A parlamentar também responde a um processo interno no diretório municipal do PSD, que pode levar à sua expulsão do partido. Enquanto o caso não é encerrado, ela está temporariamente suspensa da legenda.

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