i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
obituário

Wirmond Luiz Rocha D’Angelis: luta pela humanização do tratamento de saúde mental

  • PorMarina Pilato, especial para a Gazeta do Povo
  • 16/02/2019 07:00
 | Arquivo da família/
| Foto: Arquivo da família/

Dentro do movimento antimanicomial, do qual o psiquiatra Wirmond Luiz Rocha D’Angelis fez parte desde que ingressou na área da saúde, nos anos 80, a quebra do preconceito contra o paciente de saúde mental foi a questão que ele mais destacava. Afirmação difícil de ser elencada, já que Wirmond – falecido em janeiro deste ano aos 56 anos, em decorrência de um câncer de pele – foi liderança em várias frentes da luta que defende a humanização do tratamento a esses pacientes e seu direito à liberdade e à vida em sociedade. Fato é que, por causa dele, essa mudança de perspectiva sobre os pacientes acontecia até mesmo com a visão que eles tinham sobre si mesmos.

Pelo receio em relação à receptividade da sociedade a esses pacientes, é incomum que eles falem sobre sua condição a públicos desconhecidos. Wirmond trabalhava para que houvesse, junto com o tratamento, aceitação por parte deles mesmos e das pessoas ao redor. Durante as homenagens após sua morte, por exemplo, vários de seus pacientes compareceram e relataram quem eram, mostrando que esse progresso vinha de dentro do consultório.

Natural de Arapongas (PR), por causa do trabalho do pai como servidor público, a família morou em diferentes cidades até fixar residência em Curitiba, onde Wirmond formou-se em medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em 1985. No ano seguinte, já com especialidade em psiquiatria e homeopatia, foi aprovado em concurso público municipal e passou a atuar como médico psiquiatra da Prefeitura de Curitiba. Também pela PUC, concluiu pós-graduação em Saúde Mental Comunitária.

Atuou em hospitais psiquiátricos de referência na cidade, foi membro da Associação Paranaense de Psiquiatria, diretor geral do Centro Psiquiátrico Metropolitano de Curitiba e respondeu pelo Programa de Saúde Mental em Curitiba entre 1999 e 2004. Segundo ele mesmo, buscava “tratamentos que promovam a recuperação, reabilitação, reinserção social e formação profissional, tornando possível a convivência na família e que eles se mostrem socialmente úteis, respeitando os limites de cada um”.

O médico se preocupava de forma mais ampla com o bem-estar do paciente, com concentração não apenas em medicar e regular dosagens de remédios. “Ele atuava como uma mistura de psiquiatra e psicólogo. Trabalhava a aceitação dos pacientes em ter uma condição de transtorno mental. Ele era muito acolhedor e amável nas consultas, que duravam uma hora, tempo incomum para a área dele”, conta a esposa de Wirmond, a dentista Marici da Silva D’Angelis.

Suas três grandes paixões pessoais eram compartilhadas com os irmãos Wagner, Waldir e Wilmar. A música, praticada desde cedo por eles, suscitou durante toda a vida cantoria conjunta durante os encontros de família, com Wilmond, canhoto, empunhando o violão. O incentivo da mãe professora alimentou a criação de poesias, que mais tarde seriam expostos entre amigos e em “varais de poesia” para o público. E por último o mar. “Esse era um gosto que estava na alma e nas raízes da família. Ir à praia era ritual de todos os irmãos, um prazer coletivo”, lembra o irmão Wagner. Wirmond deixa esposa, três filhas, dois genros e dois netos.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.