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Riscos psicossociais no trabalho: o que muda com a NR-1 e por que empresas precisam agir agora

A nova NR-1 transforma a saúde mental em obrigação legal dentro das empresas e exige a identificação, gestão e prevenção dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, sob pena de impactos jurídicos, financeiros e reputacionais.

Empresas precisam mapear e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho para atender às exigências da nova NR-1 e prevenir passivos trabalhistas.
Empresas precisam mapear e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho para atender às exigências da nova NR-1 e prevenir passivos trabalhistas. (Foto: Shutterstock)

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A atualização da NR-1 coloca o ambiente de trabalho no centro do debate sobre saúde mental e exige das empresas medidas concretas para prevenir riscos psicossociais antes que eles se transformem em passivo trabalhista. A gestão de riscos psicossociais passou a ocupar papel estratégico nas relações de trabalho no Brasil.

Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), promovida pelas Portarias MTE nº 1.419/2024 e nº 765/2025, com vigência a partir de 25 de maio de 2026, empresas de todos os portes precisam olhar com mais atenção para fatores internos que impactam diretamente a saúde mental dos trabalhadores, conforme analisa a advogada Priscila Sequinel, sócia do escritório Deneka Advogados Associados.

Diferente de abordagens anteriores, os riscos psicossociais passam a ser tratados com a mesma prioridade e rigor técnico que os riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e demais fatores ergonômicos no inventário de riscos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Segundo a advogada Priscila Sequinel, a principal mudança trazida pela NR-1 é o deslocamento do foco para dentro do ambiente laboral.

“A norma não trata de benefícios externos ou programas genéricos de bem-estar, mas dos riscos psicossociais gerados pela própria organização do trabalho e pela forma como as relações profissionais são conduzidas.”

Advogada Priscila Sequinel

A fundamentação técnica dessa gestão pode se inspirar nos preceitos da ISO 45003, que orienta sobre o impacto da cultura organizacional e das práticas de gestão na saúde psicológica dos trabalhadores.

Acompanhe conteúdos informativos do Escritório Deneka Advogados

NR-1 não se confunde com selo de saúde mental

Um dos pontos que mais geram dúvidas é a associação entre a NR-1 e o selo de saúde mental, instituído pela Lei nº 14.831/2024. Enquanto o selo reconhece iniciativas voluntárias voltadas ao bem-estar individual e extra laboral, a NR-1 impõe uma obrigação jurídica clara de prevenção e controle dos riscos no ambiente de trabalho.

Além disso, a Lei nº 14.457/2022 (Emprega + Mulheres) ampliou as exigências ao tornar obrigatória a inclusão de regras de conduta contra o assédio sexual e outras formas de violência nas normas internas das empresas, transformando a CIPA em CIPAA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio).

A prática da gestão: da AEP ao plano de ação

Para estar em conformidade com a norma, a empresa não deve direcionar suas ações ao indivíduo, mas às condições de trabalho. O processo deve ser integrado à Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), conforme a NR-17, identificando perigos como:

• Gestão de tarefas: ausência de regras claras para execução do trabalho, falhas de comunicação, sobrecarga ou metas irreais;

•Configuração do trabalho: ambientes isolados, jornadas exaustivas, ausência de intervalos intrajornada, entre jornadas e do direito à desconexão;

• Relações interpessoais: assédio moral ou sexual, falta de suporte da liderança e práticas discriminatórias.

Esses fatores devem ser registrados no Inventário de Riscos e desdobrados em um Plano de Ação estruturado, com monitoramento contínuo e participação ativa dos trabalhadores.

Riscos jurídicos e a lista de doenças relacionadas ao trabalho

A omissão na gestão desses riscos pode gerar consequências relevantes. A Portaria GM/MS nº 1.999/2023 atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), facilitando o reconhecimento do nexo causal entre o ambiente laboral e transtornos como burnout, depressão e ansiedade.

“Nenhum programa de benefícios externos resolve o problema se a empresa não enfrentar os fatores internos que geram adoecimento”, ressalta Priscila Sequinel.

Entre as principais implicações jurídicas estão:

  • Ações trabalhistas por danos morais e materiais;
  • Ações regressivas do INSS para ressarcimento de benefícios acidentários;
  • Aumento das alíquotas de FAP/RAT;
  • Autuações do Ministério do Trabalho e Emprego, inquéritos civis e ações civis públicas propostas pelo Ministério Público do Trabalho;
  • Impactos negativos à reputação e às práticas de ESG das organizações.

O que as empresas devem fazer agora?

Para se adequar à nova realidade, as empresas devem:

  • Revisar o PGR e a AEP, incluindo expressamente os riscos psicossociais;
  • Capacitar lideranças e trabalhadores, ao menos anualmente, sobre prevenção ao assédio, inclusão e diversidade;
  • Estabelecer canais de denúncia efetivos, com garantia de anonimato e não retaliação;
  • Alinhar políticas internas às diretrizes da ISO 45003.

A atualização da NR-1 reforça que a saúde mental no trabalho é uma obrigação jurídica e um imperativo ético. Organizações que se antecipam reduzem riscos legais e fortalecem a sustentabilidade do negócio por meio da valorização real de suas pessoas.

Entrevista | Priscila Sequinel responde às principais dúvidas sobre riscos psicossociais e a NR-1

Jornalista da Gazeta do Povo – O que muda, na prática, para as empresas com a atualização da NR-1?

Advogada Priscila Sequinel – A principal mudança é que os riscos psicossociais passam a exigir o mesmo nível de gestão técnica que outros riscos ocupacionais. A empresa precisa identificar, avaliar, documentar e agir sobre fatores internos que impactam a saúde mental, sob pena de responsabilização jurídica.

Jornalista da Gazeta do Povo – A NR-1 pode ser substituída por programas de bem-estar ou pelo selo de saúde mental?

Advogada Priscila Sequinel – Não. Programas de bem-estar são complementares, mas não substituem a obrigação legal da NR-1. A norma exige prevenção dentro da organização do trabalho, enquanto o selo é uma iniciativa voluntária.

Jornalista da Gazeta do Povo – Qual o principal risco para empresas que ignorarem essas mudanças?

Advogada Priscila Sequinel – Além das autuações administrativas, há risco de ações trabalhistas, ações regressivas do INSS e danos à reputação. A gestão inadequada desses riscos pode gerar impactos financeiros e institucionais significativos.

Saiba mais

Para acompanhar conteúdos e análises jurídicas sobre direito do trabalho, compliance e gestão de riscos nas empresas, acompanhe os canais do Deneka Advogados Associados.

A advogada Priscila Sequinel, OAB/PR 52.956, é sócia do escritório e atua com foco na prevenção de passivos trabalhistas e na segurança jurídica das organizações.

Site: https://deneka.com.br/ / Redes sociais: @denekaadvogados

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