
As mais de 4,4 mil cooperativas que operam no Brasil registraram um resultado histórico de R$ 61,28 bilhões em sobras em 2025. Esse valor, que representa um crescimento de 14,17% em relação ao ano anterior, é devolvido aos associados conforme a participação de cada um nos negócios. O modelo fortalece economias locais e oferece vantagens competitivas em relação ao sistema financeiro tradicional.
O que são as sobras e como elas funcionam na prática?
Diferente de uma empresa comum, onde o lucro vai para os acionistas, na cooperativa o resultado positivo é chamado de sobra. Como o associado é também dono do negócio, ele tem direito a receber uma parte desse excedente. O cálculo não é feito com base em quanto dinheiro ele investiu para virar sócio, mas sim no quanto ele utilizou os serviços da cooperativa ao longo do ano. Se um produtor rural vendeu muita soja ou um cliente de cooperativa de crédito pagou juros de empréstimos, eles contribuíram mais para o resultado e, por isso, recebem uma fatia proporcionalmente maior de volta.
Quais setores lideram esses resultados bilionários no Brasil?
O agronegócio e o setor de crédito são os grandes motores desse desempenho. Sozinhos, eles concentram quase 87% de todas as sobras geradas no país. Em 2025, o ramo agropecuário respondeu por R$ 29,25 bilhões, enquanto as cooperativas de crédito somaram R$ 24,01 bilhões. Um exemplo prático vem da cooperativa Cocamar, no Paraná, onde cada saca de soja rendeu R$ 2,50 extras ao produtor. Para muitos agricultores, esse retorno financeiro funciona como um 13º salário, sendo usado para quitar dívidas da safra ou cobrir custos operacionais essenciais, como o gasto anual com combustível diesel.
Quem decide como esse dinheiro será utilizado ou distribuído?
A decisão é democrática e acontece nas assembleias gerais, onde cada cooperado tem direito a voto. Os sócios analisam as contas e deliberam se o dinheiro volta para o bolso de cada um ou se será reinvestido na própria estrutura. Uma parte dos resultados obrigatoriamente permanece na cooperativa para formar reservas de segurança, financiar a modernização de indústrias ou ampliar silos de armazenagem. Esse fundo de reserva é vital para garantir a saúde do negócio em anos difíceis, permitindo que a organização continue prestando serviços de qualidade mesmo quando as despesas superam as receitas.
Quais são as vantagens de ser sócio além do recebimento das sobras?
A cooperação oferece benefícios que vão muito além do dinheiro em espécie no final do ano. Ao unir forças, pequenos e médios produtores ganham poder de barganha para comprar fertilizantes e insumos por preços menores, algo impossível de conseguir individualmente. No setor bancário, cooperativas como Sicredi e Cresol oferecem taxas de juros mais baixas em empréstimos e melhores rendimentos em aplicações financeiras. O foco não é apenas o ganho financeiro direto, mas a segurança de ter assistência técnica especializada e estruturas compartilhadas que seriam caras demais para manter sozinho.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.






