
Mesmo com o avanço de tecnologias como o Pix e os bancos digitais, as cooperativas de crédito ampliaram sua rede de agências físicas em 2026. Atualmente, essas instituições estão presentes em 59% dos municípios brasileiros e são o único ponto de atendimento bancário em 1.072 cidades. Essa estratégia foca na inclusão financeira e no fortalecimento das economias locais por meio da proximidade.
Por que as cooperativas investem em agências físicas na era digital?
A estratégia baseia-se na ideia de que proximidade gera confiança e fidelização, o que traz retorno financeiro. Diferente dos bancos tradicionais, que fecharam unidades, as cooperativas entendem que o atendimento presencial é essencial para o modelo de negócio cooperativo. Em cidades pequenas, a agência não é apenas um local para pagar contas, mas um espaço de convivência onde os associados encontram conhecidos. O objetivo é oferecer o melhor dos dois mundos: a agilidade das ferramentas digitais no celular e o suporte consultivo humanizado dentro da unidade física.
Como esse modelo beneficia a economia das comunidades locais?
O grande diferencial das cooperativas de crédito é garantir que o dinheiro da comunidade circule na própria região. Os recursos depositados pelos cooperados são utilizados para financiar famílias, produtores rurais e pequenos empreendedores locais. Esse ciclo fortalece a economia regional e promove a inclusão financeira, especialmente em locais onde não há interesse dos grandes bancos. Com ativos que ultrapassam R$ 1,15 trilhão, o segmento já responde por 8% do Sistema Financeiro Nacional, demonstrando que o apoio aos pequenos negócios locais gera um impacto nacional expressivo.
De que forma o ambiente das agências mudou nos últimos anos?
As agências físicas passaram por uma transformação visual e funcional para se adaptarem aos novos tempos. Saíram de cena os guichês fechados e as longas filas em terminais, dando lugar a salas de negócios abertas, sofás confortáveis e o tradicional cafezinho. Como as operações mais simples foram migradas para o aplicativo de celular, o espaço presencial ficou dedicado ao relacionamento e à consultoria financeira. Em cidades como Serranópolis do Iguaçu, no Paraná, as unidades funcionam como verdadeiros escritórios de negócios que buscam integrar as pessoas em vez de apenas processar transações.
Como a proximidade física influencia a concessão de crédito?
A presença física permite que os gerentes conheçam profundamente a realidade, a propriedade e os desafios de cada associado. Esse vínculo ajuda na análise de crédito, pois possibilita discutir se um investimento é oportuno para aquele momento específico da vida do cooperado. No entanto, a amizade não substitui o rigor técnico: as cooperativas utilizam parâmetros sistematizados e tecnologia de análise de risco idênticos aos dos bancos. A vantagem é que a educação financeira ocorre de forma personalizada, visando evitar o endividamento excessivo, já que, no cooperativismo, o sucesso do associado é o sucesso da instituição.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





