
O programa Cooperativa Mirim do Sicoob Ouro Verde está mudando a realidade de crianças e jovens de 8 a 17 anos no Paraná, com destaque para Londrina e Lerroville. A iniciativa utiliza a criação de associações reais para ensinar liderança, educação financeira e empreendedorismo. Através da prática direta, os participantes aprendem a produzir itens viáveis, gerir recursos e investir na própria comunidade.
Como funciona o aprendizado prático dentro das cooperativas mirins?
O aprendizado ocorre através da criação de um objeto de aprendizagem, que é um produto ou serviço viável para a comunidade. Os jovens fazem um aporte financeiro inicial para custear a primeira produção e, a partir das vendas para familiares e empresas parceiras, sustentam a associação. Eles elegem uma diretoria completa, com presidente e responsáveis por finanças e marketing. Todas as etapas do negócio, desde a redação do estatuto e atas até o controle do livro-caixa ou planilhas de Excel, são executadas pelos próprios alunos sob supervisão de um educador responsável.
Quais são as regras para a gestão do dinheiro nessas associações?
As cooperativas mirins não utilizam contas bancárias tradicionais. O recurso financeiro é mantido em uma caixa física dividida em compartimentos específicos para cada finalidade, como fundo de reserva e custos de produção. Existe uma regra rígida: o valor total guardado não pode ultrapassar um salário mínimo por mês. Essa norma serve para estimular o investimento constante dos recursos, garantindo que o dinheiro circule em novos produtos ou atividades. O objetivo central não é acumular lucro, mas ensinar como funciona o fluxo de caixa e a importância de reinvestir no próprio negócio.
De que forma o projeto promove a inclusão social em Londrina?
Um dos grandes diferenciais do programa é a unidade Mãos que Transformam, mantida dentro da Apae de Londrina. Esta é a única cooperativa mirim do país composta integralmente por alunos com deficiência intelectual ou múltiplas deficiências. Através da reativação de uma padaria desativada, esses cooperados produzem biscoitos, doces e até itens como água de lençol. O projeto ajuda a desenvolver autonomia, cidadania e habilidades sociais, mostrando que o modelo de cooperação é capaz de integrar e valorizar talentos diversos, independentemente das limitações intelectuais dos participantes.
O que acontece com os resultados financeiros obtidos pelos jovens?
No cooperativismo, os resultados positivos são chamados de sobras em vez de lucro. Esses valores pertencem aos cooperados e seu uso é decidido de forma democrática por meio do voto em assembleia. O excedente pode financiar atividades de lazer, como passeios à sorveteria, cinema ou churrascarias no final do ano, premiando o esforço coletivo. Além disso, as sobras são frequentemente destinadas a ações sociais e sustentabilidade, como a doação de excedentes de alimentos para crianças carentes ou o financiamento de cestas de Natal para residências inclusivas da região.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.






