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Varejo em crise

Ações da Casas Bahia desabam e diretores renunciam após pedido de recuperação

Casas Bahia
Papéis da varejista caíram 30% durante a abertura do mercado, acumulando grande perda desde o início do ano. (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo / arquivo)

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As ações das Casas Bahia despencaram até 30% na abertura do mercado nesta segunda-feira (17), após a varejista protocolar pedido de recuperação judicial no domingo (16). No mesmo dia, dois integrantes do conselho de administração e o diretor jurídico e tributário, Fábio Eduardo de Pieri Spina, renunciaram aos cargos.

Com a forte queda, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 0,43, aprofundando uma trajetória negativa que já vinha pressionando a companhia. Desde janeiro, as ações acumulam queda próxima de 85% e já não fazem parte da carteira do Ibovespa.

O pedido de recuperação judicial ocorreu após a divulgação de resultados que mostraram uma forte deterioração financeira da empresa. No segundo trimestre de 2026, o prejuízo informado chegou a R$ 10,1 bilhões, contra R$ 555 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

A situação financeira já havia levado a Casas Bahia a buscar uma recuperação extrajudicial em abril de 2024, envolvendo dívidas de R$ 4,1 bilhões. Na ocasião, o plano apresentado pela companhia foi homologado dois meses depois pelo Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

O novo pedido também confirma o fechamento de 298 lojas, medida que já havia sido divulgada anteriormente. A decisão foi aprovada em reunião extraordinária do conselho realizada no domingo, mesmo dia em que a companhia apresentou seus resultados financeiros.

As mudanças na administração ocorreram simultaneamente ao pedido de recuperação judicial. Fábio Spina, que ocupava a direção jurídica e tributária desde 2024, deixou a posição após uma carreira que inclui passagens por empresas como Gerdau, Vale, CSN e Anheuser-Busch InBev.

No lugar de Spina, Sírley Fabiann Cordeiro de Lima, ex-Heineken, assumirá como diretora vice-presidente jurídica e tributária, acumulando também as áreas de compliance e controle interno. A mudança ocorre em meio à reorganização da estrutura administrativa da companhia.

Também deixaram o conselho de administração Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres. As renúncias foram apresentadas na mesma reunião que aprovou o pedido de recuperação judicial.

Calderón Peres ocupava ainda posições nos comitês de Auditoria Estatutário e de Finanças. Para as funções, foram indicados Cláudia Quintella Woods e André Luiz Helmeister, respectivamente.

Apesar de deixar o conselho de administração, Farias Schneider permanecerá como coordenador do Comitê de Auditoria, Riscos e Compliance e do Comitê Independente de Investigação. A sequência de mudanças ocorre enquanto a Casas Bahia tenta reorganizar suas finanças e enfrentar uma das maiores crises de sua história.

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