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Parque eólico da Copel no Rio Grande do Norte: empresa aumentou investimentos e viu sua dívida crescer nos últimos anos. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Parque eólico da Copel no Rio Grande do Norte: empresa aumentou investimentos e viu sua dívida crescer nos últimos anos.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

As ações preferenciais da Copel voltaram a cair e fecharam o pregão desta quarta-feira (20) cotadas a R$ 17,75 na BM&FBovespa, 0,56% abaixo do valor de fechamento anterior.

Com a baixa, a sétima consecutiva, os papéis acumulam desvalorização de quase 50% em apenas três meses. Na comparação com o fechamento de 20 de outubro (R$ 33,30), as cotações recuaram 47%, atingindo os níveis mais baixos desde 2009.

As demais companhias elétricas também perderam valor nesse período, mas a queda média foi mais suave. O IEE, índice que reflete o desempenho das principais empresas do setor, caiu 22% nos mesmos três meses.

Energia mais barata

Uma série de fatores está por trás do recuo da Copel, segundo analistas. Um relatório do banco BTG Pactual relacionou o movimento à forte queda dos preços da energia no mercado à vista (“spot”). Esse ambiente, onde as geradoras negociam a parte da sua produção que está “descontratada”, garantiu lucros significativos para a Copel nos últimos anos, mas já não é tão atraente.

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O PLD, preço de referência do mercado spot, estava acima de R$ 200 por megawatt-hora (MWh) três meses atrás. Com as chuvas enchendo reservatórios em várias regiões, o valor caiu até chegar a R$ 30,25 por MWh nesta semana, diminuindo o potencial de faturamento das empresas do setor.

Segundo o analista Victor Martins, da corretora Planner, outro aspecto que pode estar pesando na avaliação dos investidores é o crescente endividamento da Copel. Segundo o último balanço, referente ao terceiro trimestre de 2015, a dívida líquida da estatal é de quase R$ 5,9 bilhões.

“Em 2010, a Copel tinha mais caixa do que dívidas. Em setembro do ano passado, a dívida líquida chegou ao equivalente a 2,7 vezes a geração de caixa”, diz Martins. “Não é um indicador ruim. Está adequado ao tamanho da empresa. Mas sabe-se que ela está investindo para aumentar a geração de energia, e que investir ficou muito mais caro no Brasil.”

Problemas setoriais

Martins também cita como fontes de pressão as dificuldades enfrentadas pelas companhias elétricas com as constantes mudanças na regulação do setor e a aversão ao risco que tem marcado os mercados financeiros nos últimos meses, que derrubou as cotações da maioria das ações negociadas na BM&FBovespa.

“Além disso, o investidor olha muito os pares da empresa ao fazer negócios. As ações da Cemig, que também é uma empresa estatal e integrada [gera, transmite e distribui energia], também caíram muito nos últimos meses. Então o preço da Copel acaba caindo junto”, explica Martins.

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