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Após 16 anos, Microsoft desbanca Apple e volta a ser a empresa mais valiosa dos EUA

Sob o comando de Satya Nadella desde 2014 e foco em computação na nuvem, a Microsoft tirou o título de empresa norte-americana mais valiosa da Apple

  • Thomas Heath
  • Washington Post
Satya Nadella, CEO da Microsoft. | David Ryder/Bloomberg
Satya Nadella, CEO da Microsoft. David Ryder/Bloomberg
 
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TOPO

A Microsoft e a Apple duelaram durante toda a semana passada pelo título de empresa norte-americana mais valiosa. A disputa revive uma rivalidade de décadas, marcada por tecnologia avançada, gadgets icônicos, algumas falhas e dois líderes empresariais revolucionários: Bill Gates e o falecido Steve Jobs.

A Microsoft, sediada em Seattle, assumiu a liderança no fechamento da sexta-feira (30), com um valor de mercado de US$ 851 bilhões, ultrapassando a fabricante do iPhone no Vale do Silício. A Apple valia US$ 847 bilhões. A Amazon ficou em terceiro lugar, valendo US$ 826 bilhões. “Elas estão em uma batalha”, disse Howard Silverblatt, da S&P Dow Jones Indices.

O setor de tecnologia recuperou o terreno perdido à medida que a paixão dos investidores pelas chamadas FAANGs — Facebook, Apple, Amazon.com, Netflix e Google — esfriava.

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“Esta é uma luta de sumô quase sem precedentes na história corporativa dos EUA”, disse Michael Farr, gerente de investimentos em Washington. “Houve um tempo em que a Microsoft não se importava com a Apple. A Apple não era grande o suficiente para se preocupar.”

A ascensão da Microsoft é seu primeiro retorno ao topo desde 2002. A Apple ocupava o primeiro lugar como a empresa mais valiosa desde 2012, quando destronou a Exxon.

A IBM estava na posição de liderança nos anos 1980 e início dos anos 1990, mas a Microsoft — então uma novata que fabricava algo chamado “software” — logo eclipsou a Big Blue como a principal empresa de tecnologia. A AT&T, atualmente lutando para se manter relevante, chegou a ocupar o primeiro lugar por um tempo.

“A tecnologia e o capitalismo cobram seu preço”, disse David Kass, professor de finanças da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. “A Apple e a Microsoft também serão eclipsadas”, completou. Mas não na semana passada.

A Apple emprega 123 mil funcionários, tem vendas anuais de US$ 265 bilhões, lucrou US$ 60 bilhões em seu último ano fiscal e está com US$ 122 bilhões em caixa. As recompras de ações da Apple — a quantidade de dinheiro que gasta apenas para recomprar suas ações em mercados públicos — valem mais do que a maioria das empresas.

A Apple aumentou sua receita em 2018 em US$ 36,4 bilhões, o que equivale a um ano de vendas totais de uma empresa da Fortune 100 — ranking com as 100 maiores empresas dos Estados Unidos.

A Microsoft lucrou US$ 30 bilhões com receita de US$ 110 bilhões em seu último ano fiscal. A empresa emprega 131 mil funcionários e tem US$ 135 bilhões em caixa.

Histórico de rivalidade

A Microsoft e a Apple foram lançadas por rivais, o pioneiro do software Gates, e Jobs, o sonhador e gênio do design.

Se Gates é o pai do software, Jobs é o Henry Ford da computação pessoal.

Volte para 1997. As empresas cresceram e decaíram por 20 anos, com a Microsoft mantendo a vantagem na época e a Apple quase sumindo do mapa. Graças ao seu domínio no software de computadores pessoais, a Microsoft era a terceira empresa mais valiosa dos Estados Unidos, avaliada em US$ 156 bilhões em valor de mercado. A Apple, que fabricava os computadores Apple II e Macintosh e o notebook PowerBook, em 1997, ficou em 456.º lugar entre as 500 maiores empresas públicas americanas, no valor de US$ 1,7 bilhão, ou cerca de 1/90 da rival.

O século 21 é a história da reinvenção para ambas as empresas. O crescimento da Apple foi movido pelo lançamento do iPod, do iPhone e de seu carismático inventor, Jobs, um cidadão corporativo, com um grupo de seguidores fanáticos, que foi banido da empresa em meados da década de 1980, para retornar mais de uma década depois.

Jobs reinventaria sua empresa e mudaria para sempre a forma como as pessoas se comunicam e passam seu tempo livre. “O iPod foi o primeiro gadget e substituiu o Sony Walkman e as fitas cassete”, disse Farr. “Era algo que nunca havíamos visto antes. A Apple se tornou a mestre dos gadgets, ultrapassou a Microsoft e todos os outros.”

A Apple logo prosperou e, eventualmente, seria coroada a empresa mais valiosa do mundo. É tão rica que gastou US$ 64 bilhões para recomprar suas ações nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2018, um recorde para uma empresa americana e o suficiente para comprar 410 corporações do índice S&P 500.

A Microsoft viu suas ações entrarem em estado de hibernação no início dos anos 2000. A desenvolvedora de software foi extremamente lucrativa em seus produtos Windows e Office, mas não conseguiu replicar a mágica que Jobs infundiu na marca Apple.

Por causa de um conjunto de falhas — produtos como Kin, Zune, Nokia, Windows Vista — sob o comando do então presidente-executivo Steve Ballmer, as ações da Microsoft ficaram no “mercado de ações da Sibéria” por uma década. 

A virada da Microsoft

Então 2014 chegou. Satya Nadella substituiu Ballmer e transformou o gigante da tecnologia no segmento altamente lucrativo e em expansão de computação na nuvem com o Azure. O ecossistema de aplicações para escritório do Windows e do Office 365 tornou-se um negócio de assinaturas e, juntamente com a migração da empresa para a nuvem, a receita e o lucro dispararam. Assim como o preço das ações.

“O momento chave foi em 2014, quando Satya focou a empresa em seus pontos fortes tradicionais”, disse Todd Bishop, editor da GeekWire ,que cobriu a Microsoft por muito tempo. “Eles pararam de tentar imitar a Apple. A Microsoft voltou a fazer o que faz melhor. Pode não ser legal, mas é claramente valioso.”

“A Microsoft caiu em desgraça enquanto a Apple continuou subindo”, disse Silverblatt, do S&P Dow Jones Indices. “Agora a Microsoft se reinventou e subiu também”.

Ambas as empresas estavam no caminho certo no ano passado, como os principais motores do “boom” tecnológico que ajudou a impulsionar o mercado de ações. As ações da Apple atingiram o pico em agosto, quando custavam em torno de US$ 232, fazendo da empresa a primeira norte-americana de US$ 1 trilhão. Seu valor chegou a US$ 1,12 trilhão. 

Tem sido difícil desde então, com as ações caindo 20% nas últimas seis semanas, apesar de a Apple ter registrado vendas de US$ 62,9 bilhões no último trimestre. “Achamos que as ações estavam supervalorizadas porque as expectativas para o crescimento do iPhone eram muito agressivas”, disse o analista Abhinav Davuluri, da Morningstar Research.

As vendas do último iPhone, que começaram em meados de setembro, têm sido menos robustas. Segundo analistas, a demanda está ligeiramente enfraquecida. 

A Apple aumentou o mistério em uma teleconferência de resultados de 1.º de novembro, quando anunciou que não divulgaria mais quantos produtos, incluindo iPhones, iPads e notebooks e desktops para Mac, estaria vendendo. “Ficamos desapontados com a decisão de não divulgar as unidades vendidas, o que obscurece a trajetória de crescimento do iPhone”, disse Davuluri. 

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A Microsoft decolou com Nadella, o preço de suas ações mais do que triplicaram para um pico de US$ 115 em outubro, antes de cair sob o recente declínio de ações de tecnologia. “Steve Ballmer não tinha a visão e a capacidade de execução que Satya Nadella tem”, disse Ivan Feinseth, diretor de investimentos da Tigress Financial Partners. 

Durante os anos difíceis, a Microsoft manteve os jogos para Xbox, que muitos achavam que Nadella iria extinguir. O Xbox agora contribui com US$ 10 bilhões por ano para a Microsoft. “É uma empresa empolgante”, disse Feinseth. “As coisas que eles estão fazendo no campo da medicina, financeiro, videogames, Surface, varejo, inteligência artificial. Eles são a força por trás de todos os computadores”.

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