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Subsídios

Após acordo com governo Lula, Câmara aprova projeto que reduz tributos dos combustíveis

Após acordo com governo Lula, Câmara aprova PLP dos combustíveis
Câmara aprova projeto PLP dos Combustíveis após acordo com o governo Lula. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o projeto do governo que cria subsídios para conter a alta no preço dos combustíveis causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Foram 318 votos favoráveis, 113 contrários e 1 abstenção.

Agora, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/26 segue para análise do Senado. O acordo foi firmado em uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A proposta cria regras para o governo federal compensar com as receitas extraordinárias do petróleo a renúncia pela redução de tributos sobre combustíveis durante o ano de 2026.

Com o barril de petróleo saltando de patamares inferiores a US$ 70 para picos acima de US$ 120 no início de 2026, a arrecadação brasileira com a extração de petróleo e gás cresceu 211% no primeiro trimestre deste ano em comparação a 2025, segundo o substitutivo.

A proposta autoriza que esse "excesso" de arrecadação — proveniente de royalties, participações especiais, dividendos de empresas estatais e tributos como IRPJ e CSLL do setor de óleo e gás — seja usado para compensar renúncias fiscais.

O objetivo é garantir a neutralidade fiscal, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ao vincular a desoneração a uma receita real e extraordinária.

Ajuste fiscal a partir de 2027

A proposta estabelece mecanismos de ajuste fiscal a partir de 2027, condicionados à situação das contas públicas. O ponto central é o Artigo 14 do substitutivo, que cria gatilhos para conter despesas em caso de resultados fiscais negativos.

Caso o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) que antecede o envio do projeto de lei orçamentária anual projete um déficit primário, ficam proibidas, a partir do ano seguinte e até que se apure um superávit, as seguintes medidas:

  • A programação de crescimento anual de despesa primária decorrente de vinculações legais não poderá ser superior à variação do limite de despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal (Lei Complementar nº 200/2023);
  • Fica vedada a contabilização de certas receitas do setor de óleo e gás (especificamente as do Fundo Social previstas no Art. 46 da Lei 12.351/2010) para o cálculo de obrigações de despesas indexadas à Receita Corrente Líquida.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), elogiou as inclusões feitas no texto pela relatora, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO). Ela defendeu preservar o diferencial entre biocombustível e combustíveis fósseis como medidas para reduzir os preços do setor.

Segundo a relatora, os produtores de etanol também devem receber R$ 1,2 bilhão de subvenção, bem como poderão utilizar saldos de PIS e Cofins para compensação de débitos próprios, com limite global de R$ 750 milhões neste ano, informou a Agência Câmara.

"Não faz sentido reduzir a carga do combustível fóssil e destruir por consequência a competitividade de uma cadeia que gera emprego, renda e desenvolvimento no interior do país", disse a deputada.

Entre os "jabutis" incluídos no texto, estão as regras para a destinação de recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e um benefício fiscal para a Fifa pela realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2027.

Produção rural

Além das regras de ajuste, otexto autoriza créditos fiscais para proteger a produção rural brasileira, incluindo fertilizantes, matérias-primas e bioinsumos e remineralizadores. O percentual mínimo para enquadramento de empresas exportadoras será reduzido de 50% para 30% da receita.

Neste caso, a União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031. O valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e matérias-primas em território nacional.

As mercadorias destinadas a projetos de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e matérias-primas ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). A renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano.

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