| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O investidor que tem parte do capital alocada em títulos públicos deve ficar atento aos trâmites da reforma da Previdência no Congresso. Mesmo que os ganhos da renda fixa sejam mais previsíveis do que os ativos de renda variável, o impacto das negociações sobre o tema do momento também pode interferir no rendimento das aplicações dos poupadores brasileiros.

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Caso a reforma seja aprovada, o que é esperado pelo governo ainda para o primeiro semestre, quem tem recursos aplicados em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA – índice de inflação utilizado pelo governo – pode ver seus papéis se valorizarem. Isso ocorre porque o preço dos títulos negociados via plataforma do Tesouro Direto é atualizado todos os dias.

Se o investidor sair da aplicação antes do prazo, estará sujeito ao preço de mercado. É a chamada “marcação a mercado”. Essa dinâmica levou os papéis atrelados à inflação e os prefixados a perder apenas para a Bolsa no ranking de melhores investimentos de 2018, com ganho médio na faixa dos 12%.

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Se, por exemplo, o investidor aplica em um título prefixado, contrata uma rentabilidade determinada de antemão até o vencimento. Se os juros de mercado caírem nesse intervalo, o título se valoriza - assim, caso ele deseje liquidar sua aplicação antes vencimento, terá uma rentabilidade maior do que aquela que contratou. No cenário oposto, se as expectativas da economia piorarem, elevando as taxas de juros, ele pode ter seus ganhos corroídos. Vale lembrar que, carregando o papel prefixado até o vencimento, a rentabilidade será sempre a contratada no momento do aporte.

No mercado, as expectativas de aprovação para a reforma da Previdência são altas. O banco JPMorgan afirmou na semana passada que há 80% de probabilidade de o Congresso aprovar uma reforma, ainda que modesta. Nesse cenário, já há apostas no mercado de que a taxa de juros termine o ano em um patamar inferior ao atual, de 6,50% ao ano.

A Guide Investimentos, por exemplo, prevê que os juros sejam reduzidos para 6% ao fim de 2019. O economista-chefe da corretora, Victor Candido, acredita que a inflação não deve subir muito, especialmente com a aprovação da reforma, o que abre espaço para a queda da Selic. O Itaú Asset Management aposta que as taxas de juros terminarão 2019 em um patamar ainda menor, de 5,75% ao ano. “A atividade econômica está mais lenta do que o esperado e a inflação não vem pressionando. Enxergamos uma possibilidade de corte de juro”, explica Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú. Já sem a aprovação da reforma, avalia Candido, a Selic poderia terminar 2019 já em 7,5% ao ano.

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Gilberto Kfouri, do BNP Paribas, afirma que há um prêmio para o investidor que estiver disposto a correr o risco nos papéis de prazo mais longo, como os indexados à inflação. “O Tesouro IPCA+ 2045 paga 4,55% mais inflação. Com a aprovação da reforma, esses juros podem chegar mais perto de 4%.”

Já neste início de ano, explica Eduardo Castro, da gestora do Santander, esses papéis ingressaram em movimento de apreciação diante de uma política monetária mais paciente dos EUA e da sinalização do governo Bolsonaro de que a reforma previdenciária será ambiciosa. Mas, ele afirma que, antes de esses papéis alcançarem bons resultados como no ano passado, será preciso ver as reformas avançarem no Congresso. “Haverá volatilidade, é uma negociação intensa; é natural que seja um processo de idas e vindas.”

Para não ficar muito exposto a oscilações, a consultora de investimentos da Órama Sandra Blanco recomenda que o investidor diversifique suas alocações de renda fixa, com uma parcela em produtos de liquidez para compor a reserva de emergência.

Embora 2019 traga boas chances de lucrar com a “marcação a mercado”, analistas alertam sobre o alto risco de comprar títulos com o intuito de vendê-los antes do vencimento. A operação está sujeita a uma alta volatilidade e os preços reagem de maneira complexa a indicadores e notícias.