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Otaviano: as ameaças do republicano não colocam em risco a inserção brasileira no comércio internacional | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Otaviano: as ameaças do republicano não colocam em risco a inserção brasileira no comércio internacional| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

O diretor executivo do World Bank Group, Otaviano Canuto, disse na terça-feira, 22, que as barreiras protecionistas propostas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, têm impacto inflacionário em produtos consumidos por boa parte da população que votou no próprio republicano. Ao participar de seminário promovido pela Acrefi na capital paulista, o economista destacou o perigo das “muralhas protecionistas” sugeridas por Trump - caso da taxação de produtos chineses - por seu potencial em produzir guerras comerciais, com efeitos não apenas nos Estados Unidos, mas à economia de todo o mundo.

Sem benefícios imediatos no terreno doméstico e pelo impacto na inflação, diversos analistas, conforme lembrou Canuto, apostam na moderação das promessas feitas pelo magnata na campanha, uma conversão a um “Soft Trump”. Ainda assim, a agenda do próximo presidente dos Estados Unidos já foi suficiente para causar alocação de recursos e preocupação com mercados emergentes.

Pelo nível da relação do Brasil com os Estados Unidos, Canuto avaliou que as ameaças do republicano não colocam em risco a inserção brasileira no comércio internacional. Pelo contrário, o economista considera que as commodities do País, em especial o minério de ferro, poderão ser beneficiadas pelo pesado programa de investimento em infraestrutura que Trump promete executar nos Estados Unidos, em conjunto com a proteção dada à indústria siderúrgica americana.

O aumento dos juros americanos, já em alta no horizonte do mercado, pode, por outro lado, afetar tanto o Brasil quanto os demais países da América Latina ao enxugar o fluxo de recursos à região, analisou o diretor do World Bank Group.

Novos ajustes

Canuto disse também que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos pode gerar mais instabilidade nos mercados e “ajustes patrimoniais”, à medida que surgirem novas informações sobre como será o governo do republicano. Ele lembrou que o discurso mais moderado de Trump após a vitória sobre a democrata Hillary Clinton ajudou a acalmar investidores. No momento, o mercado digere as informações disponíveis, mas pode ter que enfrentar turbulências no curto prazo, ponderou.

Segundo ele, há dúvidas sobre a capacidade de Trump incentivar a retomada dos investimentos no país via redução de impostos corporativos. Durante palestra em seminário promovido pela Acrefi, o economista destacou que as empresas estão com caixas abarrotados de recursos, mas não investem por não verem taxas de retorno atraentes. Segundo Canuto, o plano do republicano de repatriar investimentos, em especial da indústria americana com operações no exterior, terá que ser amarrado com programas locais de investimento.

O diretor do World Bank Group considerou que as propostas de Trump sugerem mais crescimento, porém com mais inflação nos Estados Unidos. Ele enfatizou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, além de renomados economistas, já vinham conclamando os EUA a implementarem um ambicioso programa de investimentos em infraestrutura, como promete o magnata que chega em janeiro à Casa Branca. O objetivo é evitar uma estagnação secular e, via politicas fiscais, tirar a economia americana das taxas de crescimento medíocre, afirmou Canuto.

Ele, porém, ressalvou que, quanto menor for a parceria do setor privado nesse programa, maior será o impacto nas contas públicas do país. O espaço para o aumento de gastos, financiado pela emissão de títulos, dependerá da perspectiva de uma reforma fiscal que permita ao mercado traçar, no longo prazo, uma trajetória de contenção da dívida pública, assinalou Canuto.

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