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crise

BCE teria 1 trilhão de euros em títulos “ruins”

O Banco Central Europeu (BCE) po­­de estar sentado em cima de uma bomba-relógio de 1 trilhão de euros em dívidas de risco da zona do euro e a inflação talvez seja a melhor maneira de neutralizá-la, afirma um novo estudo da Colum­bia Business School. A dificuldade financeira da Grécia pode acender o pavio, le­­vando a "defaults e reestruturações em cascata" dentre as 17 na­­ções da zona do euro que podem até mesmo ameaçar a solvência do BCE, segundo David Beim, professor de Finanças na Columbia Busi­ness School, membro do Conselho de Relações Exteriores e autor do estudo.

"Com certeza isso explica por que o BCE tem sido tão estridente em seu antagonismo em relação à modesta menção de default e reestruturação", diz o estudo. "Eles precisam manter a ilusão da dívida soberana livre de risco porque a confiança no euro é construída em cima disso", acrescenta.

Na verdade, defaults são bastan­­te comuns, escreveu Beim, mas o en­­volvimento do segundo maior banco central do mundo eleva os riscos a um nível muito mais perigoso. "Quem resgataria o BCE?", questiona Beim, dizendo que a perspectiva de uma maciça bai­­xa contábil da dívida periférica detida pelo banco central e por outras instituições é "as­­sustadora demais para se imaginar".

Ontem, a troica – formada pelo BCE, União Europeia (UE) e FMI – declarou que a Grécia provavelmente vai receber a próxima parcela do seu pacote de resgate no começo do próximo mês. No entanto, o grupo de inspetores reconhece que a Grécia não conseguirá atingir a meta de redução do déficit em 2011, mas diz que as medidas adicionais adotadas pelos gregos para 2012 são adequadas, e que a meta de um déficit de 14,9 bilhões de euros será atingida.

O caminho a ser seguido pela Grécia, escreveu Beim, é sair da zona do euro. A fim de isolar outros membros da zona do euro das consequências da saída da Grécia, o BCE precisa fazer algo hostil a seu mandato: imprimir euros e permitir um fortalecimento temporário da inflação, que "não é literalmente um default sobre os instrumentos da dívida e por isso não parece ser um default", mas seria "um imposto camuflado" na zona do euro, diz o estudo.

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