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Proibição

Bets pedem que Fux suspenda MP de Lula até audiência solicitada pela AGU

Entidades apontam contradição do governo ao admitir necessidade de informações após proibição.
Entidades apontam contradição do governo ao admitir necessidade de informações após proibição. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

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Entidades que representam as casas de apostas esportivas no Brasil pediram nesta terça-feira (6) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux libere a operação das bets no país até uma audiência pública para discutir a proibição imposta pelo presidente Lula (PT).

A petição foi protocolada conjuntamente pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O campo de batalha é a ação direta de inconstitucionalidade protocolada pela ANJL três dias após a proibição.

O documento usa como justificativa a própria admissão, por parte da Advocacia-Geral da União (AGU), de que os fatos em discussão "recomendam a atualização da instrução". Para as bets, se o próprio governo admite que é necessário entender melhor o caso, a consequência seria preservar a realidade como estava antes da proibição.

"Uma audiência pública sobre um mercado regulado já extinto [...], com autorizações revogadas, contratos rescindidos e apostadores dispersos pelo mercado clandestino, discutiria fato consumado. A suspensão até o resultado da audiência é, assim, a medida mínima para que a instrução requerida pela própria UNIÃO conserve utilidade", argumentam.

Cronograma estreito prejudicaria usuários

Segundo as entidades, o cronograma estreito para a retirada dos saldos e indisponibilização dos sites produz efeitos difíceis de reverter, mesmo que o Congresso derrube a Medida Provisória. Com isso, argumentam que seria necessário, no mínimo, um regime de transição, começando em 2027.

O cronograma, seguem, prejudicaria os próprios usuários, uma vez que os sites saíram do ar antes das plataformas cumprirem totalmente a obrigação de devolverem os saldos.

"Desde a madrugada de hoje, ademais, as contas dos agentes autorizados nas redes sociais foram bloqueadas administrativamente sem nenhuma explicação, suprimindo também o canal de comunicação direta com os apostadores. [...] A restrição, assim, vai além do que a própria MP determina, e em prejuízo daquele a quem ela diz proteger", argumenta.

Como exemplo, a petição cita um balanço anterior do governo, segundo o qual 28,65 milhões de CPFs ainda tinham R$ 1,453 bilhão a resgatar. Já após a retirada das plataformas do ar, o governo atualizou o saldo pendente para R$ 1,325 bilhão, distribuído entre cerca de 26,5 milhões de apostadores. Também critica a anulação das apostas ainda sem resultado, que terão o valor apostado devolvido, mas não poderão gerar eventual prêmio caso o palpite posteriormente se confirme.

Petição aponta surgimento de mercado clandestino de apostas

A medida de Lula ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições e repercutiu negativamente entre entidades liberais e clubes com patrocínios ativos. Um dos argumentos é de que a extinção de um mercado regulado abriria margem para que a criminalidade explore clandestinamente a opção.

A petição cita um relatório que detectou 18.195 domínios ilegais ativos. O patamar é cerca de três vezes e meia maior do que o bloqueio das bets anteriormente regulares determinado pelo governo, que atingiu 5.209 domínios. Separadamente, o governo informou que, entre 25 de setembro e 6 de outubro, encaminhou 13.241 sites ilegais para bloqueio.

"Reconhecidos pela própria União a existência e o tamanho do mercado ilegal, evidencia-se a gravidade superlativa do risco decorrente da MP: migrado o apostador, perdem a proteção do Estado os 827 mil impedidos de apostar por renegociação de dívidas, as 1.294.328 pessoas autoexcluídas, 36,41% delas por perda de controle sobre o jogo", pontua o documento.

Veja o cronograma imposto pela MP de Lula

A Medida Provisória foi assinada no dia 25 de setembro de 2026, faltando nove dias para as eleições. A partir de então, ficaram proibidos novos depósitos e a publicidade da modalidade. Os apostadores tiveram até as 23h59 desta segunda-feira (5) para sacar voluntariamente os saldos, mesmo prazo concedido às plataformas para encerrar a operação dos sites.

As bets também precisam informar às instituições financeiras os saldos remanescentes individualizados por CPF. Entre 9 e 14 de outubro, os bancos deverão devolver esses valores aos apostadores. A partir do dia 14, os recursos cuja restituição não tenha sido possível serão encaminhados à Caixa Econômica Federal, responsável por concluir a devolução.

No dia 9 de novembro, a Medida Provisória entra no regime de urgência previsto para sua tramitação no Congresso Nacional.

Relembre o histórico das bets no Brasil

As bets passaram a ter aval jurídico no Brasil graças a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no final do seu mandato (12 de dezembro de 2018). A norma determinava que o governo federal deveria regulamentar o setor em até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

O prazo expirou sem que houvesse uma regulamentação. Houve consultas, minutas e até inclusão das apostas no programa de desestatização, mas a norma final não saiu. Em julho de 2023, Lula editou uma medida provisória para tratar do assunto e enviou à Câmara um projeto de lei. O ato perdeu a validade em novembro de 2023. O Congresso, então, acelerou a tramitação do que se tornou o marco legal das apostas esportivas.

Já o "Tigrinho" veio de uma brecha aberta durante a passagem do marco legal pela Câmara. O deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA) ampliou o conceito de aposta de quota-fixa, anteriormente associados a eventos reais do esporte. Ele registra, em um parecer, que "a ampliação desse conceito permitirá, por exemplo, que sejam oferecidas apostas de quota fixa sobre jogos on-line". A definição abarca os cassinos virtuais:

"Jogo on-line: canal eletrônico que viabiliza a aposta virtualem jogo no qual o resultado é determinado pelo desfecho de evento futuro aleatório, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos definido no sistema de regras".

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) reagiu quando o texto chegou à Casa Alta, apresentando uma emenda para limitar apostas a eventos reais. Flávio Bolsonaro votou a favor dessa limitação, mas o PT e o governo orientaram voto contrário. Depois o texto voltou à Câmara, que restabeleceu os jogos on-line, e Lula sancionou a Lei 14.790 em 29 de dezembro de 2023.

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