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O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou neste sábado (15) que não apoiará Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em nenhuma hipótese, nem mesmo em um eventual segundo turno. A declaração foi uma reação direta à fala do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que dois dias antes havia dito que os partidos do Centrão já atuam em favor da reeleição do petista e que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) tem “chance zero” de vitória.
“Em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT”, escreveu Caiado em uma publicação nas redes sociais. O governador de Goiás disse que sua candidatura tem como objetivo justamente retirar o PT do poder e oferecer uma alternativa de direita sem vínculo com o bolsonarismo.
A reação expôs uma divergência dentro da própria estratégia eleitoral do PSD. Kassab, que é candidato a vice na chapa de Caiado, afirmou na quinta-feira (13), durante um encontro com mais de 200 empresários em São Paulo, que os partidos do Centrão não estão neutros na disputa presidencial. Na avaliação dele, essas siglas estão alinhadas com Lula.
Kassab também descartou as chances de Flávio Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto. “Não tem a menor chance”, afirmou. Segundo ele, o senador ainda estaria preservado de ataques por estar no início da disputa, mas sofreria desgaste quando a campanha começasse oficialmente e o histórico político do grupo bolsonarista fosse explorado. “Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar”, disse.
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Caiado reforça histórico de oposição ao PT
Ao responder a Kassab, Caiado apresentou sua trajetória política como prova de uma oposição ao PT que, segundo ele, atravessa quase quatro décadas.
O candidato lembrou que disputou a Presidência contra Lula em 1989 e permaneceu na oposição nas eleições presidenciais seguintes. Também destacou sua participação no processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, e afirmou ter feito campanha contra o retorno de Lula ao Planalto em 2022.
“São trinta e sete anos, dez eleições presidenciais e um impeachment. Nunca houve um ano em que eu estivesse do outro lado”, afirmou. Na sequência, resumiu a posição que pretende levar para a eleição de 2026: “Não há acordo, não há negociação, não há segundo turno em que isso aconteça.”
A declaração também coloca Caiado em uma posição distinta da estratégia de parte dos partidos de centro que decidiram não lançar candidatos próprios ao Planalto. Kassab argumentou que a desistência de MDB, PP, União Brasil e Republicanos favorece a chapa do PSD porque amplia o espaço de propaganda eleitoral de Caiado. Segundo ele, o tempo estimado da chapa passaria de cerca de 50 segundos para quase 2 minutos e 20 segundos.
Disputa pela direita
A fala de Kassab provocou reação imediata entre adversários de Lula. Flávio Bolsonaro defendeu a união dos candidatos de direita contra o PT e afirmou que sua candidatura pretende “resgatar o Brasil do cativeiro”.
Romeu Zema (Novo) também se posicionou. O governador de Minas Gerais afirmou que, contra o PT, votaria “até num copo” e disse que apoiará um candidato que enfrente Lula caso ele próprio não esteja no segundo turno. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) endossou a posição.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, atacou diretamente o PSD de Kassab. Disse que o partido funciona como “linha auxiliar” do governo Lula e questionou a candidatura de Caiado, citando os três ministros do PSD na atual administração federal.
Kassab aposta no espaço de Caiado
Apesar da reação, Kassab mantém a aposta na candidatura de Caiado como uma alternativa competitiva na centro-direita. Segundo ele, pesquisas internas do PSD mostram o governador de Goiás com desempenho superior ao apontado pelos levantamentos divulgados publicamente.
O dirigente também avalia que o aumento do tempo de televisão será decisivo para apresentar Caiado ao eleitorado nacional. Durante o encontro com empresários, afirmou que a saída de outras siglas da corrida presidencial deu ao candidato do PSD mais espaço para expor suas propostas.
A estratégia, portanto, coloca Caiado diante de um desafio duplo: disputar o eleitorado de direita sem se confundir com o bolsonarismo e, ao mesmo tempo, manter distância de uma eventual composição com Lula, hipótese que seu próprio vice passou a considerar como provável entre os partidos do Centrão.




