Grandes players de tecnologia, como Apple (foto), Facebook e Google, estão de olho nesse mercado.| Foto: Mike Blake/Reuters

Comprar produtos e adquirir serviços pela internet usando o celular já não são novidade há um bom tempo. Uma nova leva de aplicativos e plataformas, porém, está dando o passo adiante e transformando o smartphone no próprio meio de pagamento, driblando o uso de cartões de crédito e até a necessidade de uma conta corrente em banco.

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O mercado das chamadas carteiras digitais tem crescido no mundo e no Brasil nos últimos anos, tanto com a chegada de novos players quanto com o ingresso de empresas “tradicionais”no ramo. Em geral, as iniciativas se dividem em duas frentes, que contemplam novos recursos nos celulares, como a NFC – que permite efetuar pagamentos apenas aproximando o smartphone de máquinas com a tecnologia –, e as contas pré-pagas, que possibilitam aos usuários realizar operações bancárias sem ter uma conta corrente, também utilizando o dispositivo móvel.

Em março, a TIM, em parceria com a Caixa e a MasterCard, lançou em Curitiba, Natal (RN) e Uberlândia (MG) um projeto piloto para que clientes da operadora utilizem o celular para pagar contas e fazer transferências de dinheiro, sem necessidade de conexão à internet – o público-alvo são os usuários da TIM sem conta corrente ou poupança, que representam mais de 50% do segmento pré-pago da empresa. A MasterCard também possui um serviço semelhante com a Vivo (veja box nesta página). Nos dois casos, os clientes podem solicitar um cartão físico da bandeira para fazer compras em estabelecimentos comerciais.

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Cada vez mais teremos métodos de pagamento via carteiras virtuais, que englobam múltiplos cartões, integrando esse uso com programas de fidelidade e bônus, para trazer uma nova experiência e uma maior facilidade para o cliente final.

Marcos Santos, diretor do Grupo GFT.

Apesar de não haver dados consolidados sobre o número de usuários desses serviços no Brasil, pesquisa da Boston Consulting Group (BCG) prevê que o mercado de contas e cartões pré-pagos, voltados a quem não tem acesso aos serviços financeiros formais, deva movimentar US$ 65 bilhões em 2017 – mundialmente, a cifra deve chegar a US$ 822 bilhões. Na América Latina, o Brasil desponta como o principal mercado, ao lado do México.

“O uso de dinheiro físico e mesmo de cartões de créditos tem um custo altíssimo. Então esses novos modelos de negócios digitais chegam muito forte, com grande apelo. Cada vez mais teremos métodos de pagamento via carteiras virtuais, que englobam múltiplos cartões, integrando esse uso com programas de fidelidade e bônus, para trazer uma nova experiência e uma maior facilidade para o cliente final”, afirma Marco Santos, diretor regional do Grupo GFT na América Latina, especializado em tecnologia no setor financeiro.

Empurrão

O boom dos smartphones no Brasil –ano passado, foram vendidos 104 aparelhos por minuto no país – contribui para que esses novos serviços de pagamento se disseminem.

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A maior adesão do brasileiro ao e-commerce, setor que faturou por aqui R$ 35,8 bilhões em 2014, também ajuda a deixar para trás o velho mito de que transações pela web e por meio de celulares seriam arriscadas.

“O quesito segurança é algo que preocupa bastante os fornecedores desses serviços. Isso porque, na ótica do usuário, a transação com segurança é uma obrigatoriedade. O mercado brasileiro já está bastante maduro para isso, o que ajuda a tornar o ambiente por aqui tão propício à implementação de carteiras eletrônicas e meios de pagamento móveis”, reforça o diretor comercial para serviços financeiras da Gemalto no Brasil, Sérgio Muniz.

Gigantes de tecnologia batalham para emplacar alternativas

As carteiras digitais também estão no radar das grandes empresas de tecnologia, que buscam integrar os novos serviços de pagamento às suas ferramentas tradicionais. O Google anunciou mês passado um novo sistema que usará celulares com Android para fazer pagamentos em lojas físicas nos EUA. O Android Pay, como foi chamada a iniciativa, utiliza a tecnologia de transmissão de dados NFC, cerne do serviço Apple Pay, lançado junto dos últimos iPhones da marca – no Brasil, as operadoras de pagamentos Cielo e Rede têm máquinas equipadas com NFC.

Apesar da aposta das marcas na tecnologia, a utilização da NFC ainda esbarra na adesão lenta das grandes redes de varejo aos serviços, mesmo lá fora. Levantamento feito pela Reuters e divulgado nesta sexta-feira (5) mostra, por exemplo, que menos de um quarto das 100 maiores varejistas dos EUA aceitam atualmente o Apple Pay –entre as razões citadas pelas empresas estão a demanda insuficiente de consumidores, a falta de acesso aos dados gerados nas vendas pelo serviço e o custo das máquinas para fazer as transações.

Transferências

Em outra linha, o Facebook divulgou em março que permitirá aos usuários enviar dinheiro aos amigos por meio do Messenger, aplicativo de troca de mensagens da rede social. A nova ferramenta será lançada ainda neste ano e estará disponível para sistemas Android e iOS, além de poder ser usada em computadores.

O Google já tem em seu portfólio o Google Wallet, que, nos Estados Unidos, permite aos usuários enviar e receber dinheiro pelo Gmail – a opção ainda está restrita ao país.

Aplicativo ajuda profissionais liberais a receber pagamentos

Uma das empresas pioneiras em carteiras virtuais no Brasil, o MercadoPago lançou no fim do ano passado um aplicativo para celulares de olho no mercado mobile. O app para iOS e Android permite enviar e receber dinheiro pelo celular, além de administrar em um único local todos os cartões de crédito e completar as compras no site iniciadas no computador.

Entre os principais alvos do serviço estão os profissionais liberais, que podem cobrar e receber pagamentos de seus clientes por meio de uma solicitação gratuita de dinheiro pelo aplicativo – driblando, assim, a necessidade de ter máquinas de cartão de crédito. “Os millenials (jovens da geração Y, nascidos entre 1980 e 2000) são totalmente afeitos ao dinheiro digital. É uma geração que já está ambientada a essas possibilidades. A partir de agora teremos mais e mais empresas aparecendo e se propondo a atuar nesse mercado no Brasil, atendendo nichos que não são o foco de instituições financeiras”, aposta o diretor geral do MercadoPago, Marcelo Coelho.

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