Os smartphones já representam 76% das vendas totais de celulares no Brasil: popularização| Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo

Com conexão mais rápida, rede 4G cresce 150% em seis meses

As conexões 4G também são exemplo máximo da mudança do perfil do usuário de telefonia móvel. A rede dedicada para grande tráfego de dados mais do que dobrou de número de clientes no Brasil nos primeiros seis meses do ano. O número de planos de alta velocidade saltou de 1,3 milhão em dezembro de 2013 para 3,2 milhões em junho de 2014 – uma alta de praticamente 150% em apenas seis meses.

Ainda que o crescimento seja expressivo, a penetração no mercado é bastante modesta: somente 1,2% dos aparelhos se conectam à rede 4G atualmente. "Existe um problema de cobertura. O 4G ainda tem muitas sombras e não conquistou o público", explica o presidente da consultoria em telecomunicações Teleco, Eduardo Tude. Atualmente, apenas 119 municípios possuem cobertura deste tipo de conexão no país – na soma do número de habitantes destas cidades, a rede está disponível para apenas 38% da população.

No início de 2013, a Anatel previu que, ao final do ano, 4 milhões de usuários seriam clientes de planos 4G, a abrangência de cobertura, mas o número final não chegou a um terço da previsão.

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Estratégia das operadores foca em dados

A evolução no tipo de conexão efetuada pelos usuários de telefonia móvel também mudou a estratégia das operadoras de celular. Antes baseada em planos de voz, apostando nas ligações e trocas de mensagens de SMS, as empresas tiveram de se voltar para a grande demanda por dados.

A TIM anunciou no final do ano passado o investimento em uma rede de fibra ótica para melhorar o serviço da sua conexão de alta velocidade. A empresa espera que, com um serviço mais estável, a sua base de clientes migre mais rapidamente para planos de cobertura 3G e 4G.

A aposta da Claro também é de intensificação no uso de dados. A operadora abriu a conexão 4G para sua base de clientes pré-pagos gratuitamente e, em vez de cobrar pela velocidade de conexão, passou a cobrar de seus clientes por pacotes de dados. "É muito inteligente, pois você oferece uma conexão melhor ao usuário, mas ele também acaba contratando uma franquia maior", explica o especialista em e-commerce da Digital Mark, Marco Bauducco.

A consequência disso também fica visível no balanço das empresas. No consolidado do ano passado, por exemplo, quase 20% da receita da Oi foi proveniente dos pacotes de dados – um aumento de 60% na comparação com 2012.

Até o final do ano, a maioria dos acessos à internet pelo celular no Brasil será feita por conexões de banda larga. Hoje, os acessos pelas redes 3G e 4G ainda somam 44%, mas em breve deverão ultrapassar o número de conexões feitas pela rede 2G, que responde por 50% dos acessos. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A mudança, além de oferecer um serviço melhor aos clientes, também muda a forma como os usuários navegam, se comunicam e consomem pelo celular.

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INFOGRÁFICO: Veja a popularização dos smartphones

O domínio das conexões mais rápidas é inevitável e está em franca expansão. Ao final de 2012, 52 milhões dos acessos móveis eram feitos pela tecnologia WCDMA, que permite a conexão em banda larga à rede 3G. Já as conexões pela tecnologia GSM, que conectam à tecnologia 2G, mais lenta, ultrapassavam as 195 milhões de linhas habilitadas. Um ano e meio mais tarde, o momento da virada se aproxima: são 138 milhões de conexões lentas frente a 121 milhões via banda larga, seja por conexão 3G ou 4G.

A mudança é impulsionada pelo avanço dos smartphones. Em abril do ano passado, a venda mensal destes aparelhos ultrapassou a dos celulares convencionais e, hoje, os smartphones já representam 76% das vendas totais de celulares no Brasil. Segundo os dados mais recentes da consultoria IDC, referentes ao mês de maio, foram vendidos 4,5 milhões de celulares inteligentes , contra 1,4 milhão de aparelhos convencionais.

Mudança

Com isso, o perfil de navegação dos consumidores tem mudado de forma drástica. Segundo a Planet Mobile, pesquisa anual do Google sobre comportamento dos usuários de smartphones, o crescimento no número de perfis em redes sociais, busca por notícias por acesso remoto e compra de aplicativos no Brasil é diretamente proporcional ao aumento da qualidade das conexões. "É um mercado que está em franca ascensão no Brasil. Nunca se viu um número tão grande de empresas e investidores apostando no desenvolvimento de ferramentas para conexão móvel", afirma o consultor Aldo Santini, da DataSensor, empresa que monitora acessos à internet em todo o mundo.

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Segundo o estudo do Google, no ano passado, cada usuário tinha, em média, um aplicativo pago no celular. Hoje, a média é de três programas comprados para usar no smartphone. "A ligação é direta com a qualidade de conexão. O usuário só paga por um aplicativo de qualidade e um aplicativo só desempenha seu máximo com uma boa conexão", completa Santini.

Tanto é que as principais redes de e-commerce também investem em serviços para os celulares. Segundo o relatório do Google, 30% dos usuários de smartphones já realizaram alguma compra pelo celular – quatro vezes superior ao registrado no ano passado. "Existe uma barreira para o comércio online, mas o usuário que já está acostumado a este tipo de consumo e que usa smartphone não tem mais receio. E este perfil está se multiplicando muito rapidamente", completa o especialista em e-commerce da Digital Mark, Marco Bauducco.

Comprar pelo celular ainda é pouco comum

Ainda que o empecilho técnico para que o e-commerce decole no celular esteja sendo superado, muitos usuários ainda não se sentem confortáveis em fazer compras pelo aparelho móvel. Segundo a pesquisa anual de comportamento no uso de smartphones do Google, Planet Mobile, a demora no carregamento de páginas e o tamanho da tela são os maiores problemas para que o comércio virtual pelo celular deslanche de vez.

Pelo menos um terço dos entrevistados brasileiros pela pesquisa apontaram um destes problemas para justificar porque não compram pelo smartphone. "É típico de um público que está se acostumando com esta realidade. Em países em que a conexão é mais rápida há mais tempo, vemos um comportamento diferente", explica o consultor Aldo Santini, da DataSensor.

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No Reino Unido, onde o comércio eletrônico pelo celular é referência para o restante do mundo, 65% dos usuários frequentes de smartphones fizeram alguma compra pelo celular – diante dos 30% dos usuários brasileiros.

Os britânicos que não compram pelo celular, justificam com outros motivos. Metade deles não confia no sistema financeiro dos aparelhos móveis e um quarto dos não-compradores acredita que as lojas virtuais para celulares ainda não oferecem informações com detalhamento suficiente.