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Ricardo Teixeira, presidente da Centauro: 2 anos de negociação | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Ricardo Teixeira, presidente da Centauro: 2 anos de negociação| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Visão de mercado

Concorrência com planos obrigou companhia a mudar campo de atuação

A seguradora paranaense chamou a atenção da Ohio National por causa da atuação no ramo de seguros de vida e previdência. Este segmento, no entanto, não era o foco da empresa há alguns anos. Quando foi criada, há 21 anos, a Centauro era uma empresa voltada, principalmente, para a administração de seguros de saúde.

Cinco anos mais tarde, em 1998, a companhia teve de se reinventar: com a criação de uma nova regulamentação da área, os seguros perdiam espaço para os planos de saúde e assistência médica. "Optamos por continuar com a operação de seguros e focar naquele mercado que era menos representativo na nossa carteira", afirma o diretor-presidente da Centauro, Ricardo José Iglesias Teixeira. Na oportunidade, 95% dos planos administrados pela companhia eram de seguros saúde e apenas 5% eram relacionados com o nicho atual da Centauro.

A escolha se mostrou acertada. Com o aumento da renda da classe média e da expectativa de vida do brasileiro nas últimas duas décadas, o ramo dos seguros de vida tem crescido até cinco vezes acima da média da economia brasileira. No ano passado, por exemplo, enquanto o Produto Interno Bruto do Brasil avançou 2%, o segmento dos seguros de vida registrou alta de 13%.

A seguradora curitibana Centauro Vida e Previdência firmou uma associação com a companhia de seguros norte-americana Ohio National. O acordo, que compreende um contrato inicial de cinco anos, prevê que a empresa com sede em Cincinatti passe a controlar metade da sociedade da Centauro.

Esta é a primeira parceria da Ohio National no Brasil, que conta com um capital social de US$ 2 bilhões e ativos no valor de US$ 38,8 bilhões. O valor da negociação não foi informado e ainda depende do desempenho do plano de expansão da empresa paranaense até 2019.

O contrato foi fechado depois de dois anos e meio de negociações com a seguradora dos EUA – e após uma série de recusas de propostas para que a paranaense fosse vendida. "Fomos assediados algumas vezes por grupos de fora, mas não estava nos nossos planos vender a companhia. A negociação com a Ohio foi mais tranquila por conta da proposta ser diferente e as empresas terem muitas coisas em comum", afirma o diretor presidente da Centauro, Ricardo José Iglesias Teixeira.

Perfil parecido

O negócio partiu da indicação de uma resseguradora que trabalhava com as duas companhias. Geralmente, boa parte das companhias de seguros aplicam os recursos que administram em ativos especulativos – as duas seguradoras não. "Os perfis são muito parecidos, com um crescimento muito sólido, mesmo nos anos de crise mundial, quando o setor foi amplamente impactado. Isso tudo nos aproximou", lembra Teixeira.

O plano estratégico traçado pelas companhias prevê a entrada da Centauro nas regiões Nordeste e Sudeste ainda no biênio 2014/2015. A meta estipulada é de que a empresa cresça até sete vezes no período de cinco anos. "Vamos adotar uma agressiva política de foco no crescimento e reinserção do capital", explica. No ano passado, o faturamento da empresa paranaense foi de R$ 75 milhões.

Segundo o executivo, o mercado brasileiro tem um potencial enorme para adquirir planos previdenciários e seguros de vida – produtos que a Centauro comercializa. "É o mercado mais promissor da América Latina. O potencial é enorme e a penetração é a menor do continente, proporcionalmente. Até por isso que as seguradoras daqui entraram no radar das empresas estrangeiras", afirma.

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