Houve uma época, entre meados dos anos 80 e o começo desta década, em que se imaginou que as grandes empresas paranaenses virariam farinha. Nomes até então sólidos, como Hermes Macedo e Móveis Cimo, haviam quebrado. A indústria de eletrodomésticos Prosdócimo havia passado para o controle de estrangeiros, e o mesmo destino coube aos supermercados Mercadorama e ao banco Bamerindus. Um quadro assustador e que, para os observadores mais pessimistas, seria irreversível.

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Ninguém substituiu os nomes de antigamente, nem a força econômica que representavam para o estado. Mas um fenômeno interessante fez com que se invertesse, pelo menos em alguns segmentos, o eixo da indústria paranaense. O interior, antes apenas agrícola, passou a concentrar companhias industriais líderes nas áreas onde atuam. A Gazeta do Povo selecionou algumas dessas empresas e conta nesta edição suas histórias, que são indissociáveis dos seus fundadores.

Rovílio Mascarello, de Cascavel; Mário Gazin, de Douradina; os irmãos Bonilha, de Siqueira Campos; e Cláudio Petricosky, de Pato Branco, são alguns desses líderes. Em suas regiões, eles plantaram fábricas de carrocerias de ônibus, móveis, peças de motocicletas e eletrodomésticos. Das cinco empresas que o leitor conhecerá nas próximas páginas, apenas uma – a Alimentos Zaeli, dirigida por Valdemir Zago em Umuarama – lida apenas com o agronegócio, que até há pouco era tido como a única vocação do interior. E muitas outras empresas poderiam fazer parte da lista.

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Os cinco grupos empresariais têm muito em comum. Em sua maioria, estão na faixa dos 40 anos – exceção é a Tork, adolescente de 17 anos –, sobreviveram a várias crises e aproveitaram oportunidades como as abertas pelo "milagre econômico" dos anos 60 e 70. Venceram também uma infra-estrutura ruim e a falta de meios para escoar a produção. "Por certo essas empresas não tinham concorrência na região, e começaram a atender a demanda local com uma certa exclusividade", diz o economista Paulo Garcia, coordenador do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná. "Além disso, elas tinham disponibilidade de matéria-prima e, até hoje, têm poucos conflitos entre trabalhador e empregado, já que os sindicatos locais são fracos."

A vitalidade dessas empresas chega a surpreender os especialistas. "Quando elas nasceram, o interior era dominado pelas la-vouras, com pouca capacidade de empreendimento industrial, tendo no máximo um pequeno beneficiamento agrícola. E conseguiram crescer apesar de os governos terem dado muito pouco incentivo", diz Belmiro Castor, professor do mestrado em Orga-nizações da UniFAE e colunista da Gazeta do Povo.