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Consumo

Classe C poupa mais que as A e B

A chamada nova classe média brasileira poupou 55% a mais que os mais ricos no ano passado, segundo pesquisa

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Pela primeira vez, a classe C passou a poupar mais que as classes A e B |

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Pela primeira vez, a classe C passou a poupar mais que as classes A e B

Depois de mobiliar a casa, renovar os aparelhos eletroeletrônicos e comprar o carro, a classe C – que passou de 45% para 49% da população entre 2008 e 2009 – aprendeu a poupar. Pela primeira vez, a chamada nova classe média brasileira destinou maior volume de recursos à poupança, aplicações e investimentos que as classes A e B. É o que revela a quinta edição da pesquisa "O Observador – Barômetro Brasil 2010", divulgada ontem pela Cetelem, braço financeiro do grupo BNP Paribas no Brasil. Segundo o levantamento, a base de entrevistados da classe C poupou 55% a mais que os membros das classes A e B. Em termos nominais, cada membro da classe C conseguiu poupar, em média, R$ 633, contra R$ 407 dos mais ricos.

Em relação ao ano anterior, a classe C foi a única que consegiu economizar mais, com acréscimo de 203% ante retrações de 19% nas classes A e B e 33% nas D e E. A pesquisa revela ainda uma expressiva ampliação da classe C, que em 2009 atingiu participação de 49% da população brasileira, com 92,8 milhões de pessoas, ante 45% em 2008. Enquanto isso, as classes A e B subiram de 15% para 16% do total, enquanto as D e E perderam representatividade, de 40% para 35%. No período de 5 anos, a classe C cresceu quase 50%, e contou com o ingresso de 30 milhões de pessoas, das quais 27 milhões emergiram das classes D e E. Foi justamente essa ascensão social que passou a impulsionar grande parte do consumo brasileiro. Nesse período, fica evidente a mudança nos hábitos de consumo dessa nova classe média. A primeira fase foi a experiência do consumo reprimido, com a compra massiva de eletroeletrônicos, geladeiras e fogões. A segunda fase foi a renovação desses itens, com a substituição por produtos mais caros e de melhor qualidade, como televisores de plasma em vez dos de tubo. Por último veio a compra de automóveis e motocicletas – em grande parte incentivada pela desoneração fiscal.

"Agora crescem os gastos com itens não essenciais, como viagens e lazer, além da própria intenção de economizar. Antes ,viajar era uma questão quase que exclusiva das classes A e B. Hoje a classe C tem lazer financiado em dez vezes sem juros no cartão", avalia o diretor geral da Cetelem no Brasil, Marcos Etchegoyen.

A tendência de poupar, aliás, deve continuar em 2010, já que 76% dos entrevistados afirmaram que pretendem aumentar as economias nos próximos 12 meses, em detrimento do consumo de bens e serviços.

Para o consultor da Go4! Carlos Esteves, o surgimento de uma classe C poupadora é um reflexo natural do processo de fortalecimento e amadurecimento da classe média brasileira nos últimos anos. "Este é um reflexo de desenvolvimento da sociedade brasileira em todos os sentidos e um sinal positivo não apenas para a classe C, mas para toda a economia, já que esse crescimento acaba alavancando também o desenvolvimento das outras classes. Por trás disso tudo temos um custo de capital mais baixo, o acesso facilitado ao crédito e o apoio do governo às classes menos favorecidas", avalia.

Mas para o consultor Marcos Pazzini, da Target, a nova poupança da classe C não deve ter um peso significativo na capacidade total de poupança do país. "Não deixa de ser uma poupança para um consumo mais pensado, mais planejado – o que por si só já é positivo –, mas que pode ser liquidada em uma oferta de consumo no futuro. Resolvida essa questão de consumo reprimido, é preciso planejar aspectos como o estudo dos filhos e a aposentadoria", aponta.

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