Apesar do crescimento generalizado da saúde privada, o diretor do CRM em Maringá, Natal Domingos Gianotto, alerta que ainda há uma grande fatia de mercado subaproveitada pelos planos de convênios de saúde tradicional, que é o das classes D e E. "As classes média e alta estão realmente bem supridas, mas o resto da população ainda é atendido basicamente via SUS, porque o custo da medicina ainda é alto."
O plano individual mais barato da principal operadora da cidade custa R$ 126. Na opinião do médico, o barateamento desses serviços provocaria a inclusão das classes mais baixas e, ao mesmo tempo, aumentaria a carteira das empresas.
Tendo passado por mudanças no orçamento, a comerciante Dolores da Luiz Cesari, dona de uma lanchonete em Cascavel, no Oeste, teve que mudar sua relação com o serviço de saúde. Com o corte de despesas domésticos, ela trocou de modalidade no plano de saúde mesmo tendo problemas de arritmia cardíaca. O marido e o filho, que também tinham um plano com cobertura completa, hoje dependem do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
O preço dos convênios também é apontado como o grande vilão para a queda no número de beneficiários dos planos de saúde privados em Foz do Iguaçu. A cidade foi a única dos grandes municípios do estado que sofreu uma queda no número de clientes nos planos.
Em setembro de 2008, 35.288 pessoas tinham convênios no município. No mesmo período do ano passado esse número caiu para 34.861, queda de 1,2% . Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, Ricardo Soley Foster, a queda está ligada à redução do poder aquisitivo do iguaçuense. "Não existe outra explicação. O Sistema Único de Saúde não melhorou, ele continua o mesmo, ruim. A única justificativa plausível é a realidade econômica da população", afirma.



