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Financês

A verdade sobre a gripe

Veja uma tabela com as variações das bolsas das construtoras |
Veja uma tabela com as variações das bolsas das construtoras (Foto: )

Você deve ter ouvido nos últimos dias alguém dizer que a gripe suína (ou A H1N1, como preferem os suinocultores) é uma invenção criada por alguém para tirar a atenção das pessoas da crise econômica – eu ouvi essa história pelo menos três vezes no fim de semana.

Antes de dar crédito à conspiração da moda, pense um pouco. A gripe é um fator restritivo para a economia mundial – portanto, cada notícia ruim sobre ela é capaz de aprofundar (e não atenuar) os problemas que empresas e governos estão enfrentando.

Pense, por exemplo, no turismo. Esse segmento já vai mal das pernas, porque a turma do Hemisfério Norte está sem muito dinheiro para gastar em viagens. Imagine então o efeito de uma doença potencialmente mortal nesse ambiente. Desesperador, não?

Para um exemplo mais concreto, veja os números do balanço que a Walt Disney Co., dona dos estúdios de cinema e dos parques temáticos, divulgou na semana passada. As receitas dos filmes produzidos pela companhia caíram 21%. O público dos parques nos EUA caiu 6%, mas os turistas gastaram menos, o que resultou num lucro operacional 50% menor.

Isso é reflexo apenas da crise econômica. Caso o pânico em torno da doença venha a se instalar – não há nem sombra de motivos para isso, mas os seres humanos parecem gostar desse estado –, as pessoas podem ter a tendência de evitar lugares fechados e grandes aglomerações de gente. Aí não tem mais lugar para cinema nem para parque. E os números se estragam de vez.

No comércio internacional a situação também não é bonita. Os países podem vir a adotar medidas sanitárias que nada mais são do que protecionismo oculto. Foi o que fez a Rússia, quando proibiu a importação de carne de porco dos Estados Unidos e do México. Claro, sabe-se que a carne do bichinho não passa a doença, mas o que os russos queriam mesmo era uma melhor condição para negociar. Eles já fizeram isso antes, e provavelmente vão fazer de novo no futuro.

Com a gripe, o que já era ruim pode piorar.

Construindo ganhos

Há um ano, as ações de construtoras estavam micando na bolsa. Investidores estrangeiros, que estavam vendo a crise do crédito destruir o setor nos Estados Unidos, abandonaram os papéis e estes desabaram. Algumas empresas tiveram realmente problemas para financiar seus empreendimentos, porque os bancos haviam fechado as portas. Agora, depois do pacote de estímulo à habitação de baixa renda, as construtoras voltaram a brilhar, como mostra a tabela.

Onde cair morto

Foi destaque do fim de semana no blog Freakonomics (freakonomics.blogs.nytimes.com), mantido pelo economista Steven Levitt e pelo jornalista Stephen J. Dubner: na cidadezinha de Imperial, na Califórnia, um cemitério está indo a leilão para pagar dívidas imobiliárias. Os administradores esclarecem que o mais provável é que uma outra empresa da área adquira o lugar e passe a administrar o cemitério de Memorial Gardens. Uma alternativa a la Poltergeist – o filme de terror de 1982, dirigido por Tobe Hooper, em que uma casa na Califórnia é assolada por fantasmas por ter sido construída sobre um antigo cemitério indígena –, diz, está descartada.

Mães sem presente

Percorrer as lojas de um shopping center na véspera do Dia das Mães me fez chegar a uma conclusão: o mix de produtos nas lojas de roupas é planejado para pessoas que têm (ou pretendem parecer ter) 20 anos de idade. Roupas para senhoras são uma raridade, e a maioria delas carece de imaginação em desenhos e materiais. Quando se fala em tamanhos, então, a coisa se complica ainda mais. Se a mamãe ou a vovó não vestem M, a escolha fica bem restrita.

Está aí um desafio para empreendedores e estilistas. Alguém está disposto a trabalhar para essa faixa?

Mães e avós certamente vão agradecer.

Poupança a salvo

Segundo as agências de notícias, o governo está cada vez mais propenso a reduzir a tributação dos fundos de renda fixa em vez de mudar as regras da caderneta de poupança para baixar-lhe os rendimentos. Agora só falta os bancos baixarem as taxas de administração.

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