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Diversificação

Empresas facilitam acesso do investidor a debêntures

Valor de lançamento dos títulos cai, e eles se tornam alternativa de investimento para as pessoas físicas. Já é possível fazer aplicações a partir de R$ 1 mil

Veja como funciona as debêntures |
Veja como funciona as debêntures (Foto: )
Veja quais são as vantagens e desvantagens de investir em debêntures |

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Veja quais são as vantagens e desvantagens de investir em debêntures

Após a popularização das ações, começa a se firmar a tendência de maior abertura do mercado de debêntures para investidores pequenos e médios. O primeiro passo nesse sentido foi a redução nos valores mínimos de aplicação. Dos quatro lançamentos feitos neste ano, três tinham o valor dos títulos fixado em R$ 1 mil, e um em R$ 10 mil.

Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. Quem compra os papéis, na realidade, está emprestando dinheiro para que as companhias toquem seus projetos. Em troca, recebe uma taxa de juros e, em alguns casos, correção por algum índice inflacionário.

A complexidade do investimento não é muito diferente de outros que ganharam corpo nos últimos anos, como a compra de títulos do governo pelo Tesouro Direto ou a compra de ações em processos de abertura de capital. Os lançamentos de debêntures são normalmente anunciados com algumas semanas de antecedência e qualquer pessoa pode reservar os papéis através de uma corretora. Além disso, é possível negociá-los no mercado secundário – onde, após o lançamento, são comprados e vendidos livremente.

De acordo com o professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Alexandre Assaf Neto, o grande atrativo das debêntures é que elas geralmente oferecem taxas acima do CDI, a taxa de juros praticada entre os bancos e que baliza outros investimentos. Em abril, por exemplo, a operadora de telefonia Telemar lançou duas séries de debêntures. A mais longa, com resgate em 2012, ofereceu razoáveis 120% dos juros DI. "É uma opção interessante de diversificação para quem quer um rendimento superior aos fundos conservadores de renda fixa", diz Assaf.

Apesar do bom retorno, as debêntures têm duas características que precisam ser levadas em conta. Primeiro, é que o investidor corre o risco de a empresa escolhida não pagar a conta, como qualquer devedor. Além disso, a liquidez é baixa – nem sempre é fácil encontrar compradores em caso de o poupador precisar resgatar o dinheiro antes do vencimento do papel.

"Cada emissão de debêntures tem uma avaliação de risco que dá uma nota para os papéis", explica Gustavo Muller, especialista em mercado de capitais do Citi Brasil. Quanto maior a nota, dada por agências de avaliação de risco, menor a chance de um calote. "Por isso é bom conhecer bem a empresa e acompanhar sua saúde financeira", completa o professor de finanças da Fundação Dom Cabral Haroldo Mota.

Em um mês, apenas 80 negócios – sinal de baixa liquidez

O advogado Rodrigo da Silva, de Curitiba, comprou debêntures do BNDESPar, o braço de investimentos do BNDES, por sugestão de seu gerente no Banco do Brasil. "Eu queria diversificar. Já tinha ações e não pensava em usar o dinheiro logo", conta. "Entendi que o risco era baixo, com a vantagem de não pagar taxa de administração como em um fundo." Silva diz que acompanha a variação de preços no mercado secundário no site da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas não pensa em se desfazer dos papéis antes do vencimento. Atualmente, há um deságio de cerca de 5% sobre o valor corrigido do título no momento da venda.

Mesmo no caso das debêntures do BNDESPar, lançadas com valor unitário de R$ 1 mil, o volume negociado no mercado secundário não é alto. Em abril, por exemplo, foram apenas 80 transações com as três séries lançadas pela companhia. "Mesmo em mercados mais maduros esses títulos têm uma base de investidores institucionais, como fundos de pensão. O varejo participa com algo entre 10% e 15% de um lançamento. A diferença é que o mercado secundário tem uma liquidez muito maior", compara Sandy Severino, responsável pela área de mercado de capitais do Citi Brasil.

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