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E aí? Alguém do banco onde você tem conta já ligou para oferecer um plano de previdência?

Se você passar por uma agência nos próximos dias e ousar falar com um gerente, ele vai te oferecer um PGBL. Vai contar que você pode ter uma vantagem na declaração de Imposto de Renda se fizer um aporte até o dia 31. E vai dizer, claro, que é um excelente negócio. E pode até ser.

Só que é preciso tomar cuidado. Um plano de previdência é uma aplicação de longo prazo mesmo – e isso quer dizer dez anos ou mais. E a tal vantagem no Imposto de Renda só existe para quem faz a declaração de IR pelo formulário completo, aquele em que o contribuinte apresenta todos os gastos com educação e saúde, por exemplo. A imensa maioria dos brasileiros é isenta ou apresenta a declaração simplificada (lembrando: é preciso ter deduções que superem R$ 12.200,00 por ano para que a declaração completa faça sentido).

Quando o sujeito do banco fala sobre isso, o pobre correntista que chegou à agência querendo uma informação sobre outra coisa já está confuso. Esse é o primeiro passo para tomar uma decisão errada.

Previdência privada não foi feita para enganar o Leão. Ela é uma forma de investimento programado para cumprir um objetivo de longo prazo, que quase sempre é a obtenção de uma renda futura.

Li há pouco tempo um artigo de um consultor em finanças pessoais que esteve com uma cliente no banco para avaliar alternativas de investimento. O gerente propôs uma aplicação em previdência privada, com o atraente argumento de que, se sacasse o saldo dali a dez anos, ela teria uma substancial redução no imposto devido. A questão é que a cliente era uma senhora de 90 anos, que está na fase de obter renda de seus investimentos. Não de pensar em vantagens para quando for centenária.

Mas ela tinha um consultor para ajudá-la na escolha. Pou­­cos têm essa possibilidade. Enquanto isso, gerentes sorridentes continuam a enganar velhinhas. Feio, muito feio.

Tem de decidir já?

Antes de cair nas conversas de fim de ano dos funcionários do banco, que te dão um prazo estreito para aderir aos tais planos, peça um tempo para refletir. Leve para casa o material de divulgação que o banco tiver sobre os fundos, pesquise um pouco, converse com outras pessoas. Peça conselhos de pessoas mais bem informadas sobre o assunto.

Em sua palestra no Fórum de Marketing de Curitiba, o ex-pre­­feito de Nova Iorque Ru­­dolph Giuliani explicou que nunca toma uma decisão sob pressão. Se alguém diz que ele precisa comprar determinado bem hoje, sob pena de ter de pagar mais, ele simplesmente diz não. Melhor não gastar do que comprar por impulso e arrepender-se depois. Boa política essa.

Ainda o Couto

Fiquei surpreso com a reação de algumas pessoas à ideia de que o preço baixo do ingresso não tem nada a ver com a violência registrada no Couto Pereira, na semana passada. Entre os presos tem gente formada, cursando pós-graduação e até funcionário do clube. Dizer que eles só estavam lá porque pagaram R$ 5,00 para entrar é bobagem preconceituosa.

Interdição do estádio, punição para o clube, cadeia para os baderneiros. Mas convém lembrar que a sensação de vale tudo que autoriza a turba a partir para a ignorância só vai acabar quando todo crime for punido. "Realmente não é o preço do ingresso que leva os marginais a campo. É a certeza de que, se aprontar, nada irá acontecer", diz o leitor Ennio, em e-mail enviado à coluna. "Aqueles que dirigem embriagados, com carteira vencida, causando destruição de patrimônio público e morte de uma família inteira, por ser filho de ‘senhor’ e ter à disposição um advogado, está por aí andando livremente como se nada tivesse acontecido", observa o leitor Ramon.

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