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Giovani Ferreira

A economia de carona no agronegócio

  • Porgiovanif@grpcom.com.br
  • 15/07/2012 21:18

No momento em que a economia dá sinais de enfraquecimento, com a previsão de crescimento menor em 2012, o agronegócio caminha no sentido oposto, esbanja fôlego, disposição e promete um ano para ficar na história. A julgar as projeções conservadoras de outros segmentos, a atividade deve, inclusive, aumentar sua participação no desempenho econômico do país e se destacar como a variável que pode frear a tendência de queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. E o que é melhor: estamos falando de um potencial traçado a partir fundamentos, com pouca especulação, cenário que coloca as projeções em terreno fértil e seguro, quase que matemático. Isso porque até mesmo o clima, o revés da última temporada, deve colaborar.

O país está prestes a encerrar 2011/12 com a colheita de 162 milhões de toneladas de grãos, resultado que apesar da estiagem que castigou a Região Sul, iguala a marca recorde do ciclo anterior. Mas não foi apenas o clima que marcou a temporada. Com uma supersafra, de 67 milhões de toneladas, o milho supera pela primeira vez o volume da soja. Outro destaque do cereal, o que também é inédito, é que a 2.ª safra, ou a safrinha de inverno, será maior que a safra de verão. Então, não fossem as adversidades climáticas, o potencial de 170 milhões de toneladas seria facilmente atingido e as estimativas sobre PIB nacional talvez pudessem ser um pouco diferentes. Não o suficiente para reverter a tendência de baixa. Mas no mínimo para esboçar uma reação de estabilidade.

De qualquer forma, começa uma nova safra e um novo ciclo econômico, não apenas no campo, como nas cidades. Renovam-se as apostas nas economias rural, urbana, nacional e globalizada que compõem o PIB e sustentam a geração de riquezas de um país agroindustrial. Se na campanha anterior a busca pelas 170 milhões de toneladas foi frustrada no comportamento do clima, em 2012/13 o potencial é de superação, para romper agora as 175 milhões de toneladas. A soja, principal produto do agronegócio brasileiro, não apenas retoma a liderança sobre o milho, como pode render mais que a safra dos Estados Unidos, historicamente os maiores produtores da oleaginosa, e superar as 80 milhões de toneladas.

A depender do resultado das lavouras norte-americanas, o Brasil não apenas consolida sua posição como maior exportador de soja, como tem grandes chances de ser o maior produtor mundial do grão. Entre milho e soja, os produtores dos Estados Unidos devem perder mais de 50 milhões de toneladas para a estiagem que castiga o Corn Belt, região onde está concentrada a produção daquele país. São mais de 46 milhões e de 4 milhões de toneladas, respectivamente. Em fase de desenvolvimento, a safra ainda não está consolidada. Se a chuva não voltar, em volume e regularidade, as perdas podem ser ainda maiores. Ainda que volte, as perdas verificadas são praticamente irreversíveis, com pouca ou quase nenhuma chance de replantio.

Enquanto isso, o mercado segue sustentado e com preços futuros que estimulam o aumento da área e incentivam o investimento em tecnologia no Brasil. Para a América do Sul, em especial Paraguai e Argentina, onde o impacto da seca foi mais severo, é a chance de recuperação. A venda antecipada da próxima safra segue em ritmo acelerado, apesar dos contratos supervalorizados na Bolsa de Chicago. Os negócios para novembro e janeiro se sustentam acima de US$ 15/bushel de soja. Os contratos mais próximos, agosto e setembro, perseguem os US$ 16/bushel, ou US$ 35/saca de 60 quilos. O que faz com que as cotações no mercado interno na conversão direta do câmbio superem os R$ 70/saca, apesar de não existir soja disponível.

O que dizer então do milho. Nunca se colheu tanto milho no Brasil. E os preços resistem, seguem sustentados. Em Chicago fechou a sexta-feira valendo US$ 7,4/bushel, ou US$ 17/saca. Na moeda local, mais de R$ 34/saca, embora a conversão direta no câmbio não espelhe a realidade do mercado interno, a julgar a oferta abundante em plena colheita do cereal de 2.ª safra. Ainda assim, o indicador de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab-PR) fechou a semana com máxima de R$ 27/saca na praça de Ponta Grossa, um excelente preço, a considerar custo de produção e tamanho da safra no Paraná e no Brasil. A continuar como está, dificilmente o governo federal vai precisar intervir no mercado com leilões de subvenção à venda e escoamento da produção.

A depender do agronegócio, então, o Banco Central poderá até rever a sua previsão de 2,5% de crescimento do PIB. Não necessariamente de reversão da tendência de queda, mas para estancar um possível recuo ainda maior desse indicador. Afinal, a safra 2011/12 não será menor, como apontavam os números oficiais. E a safra 2012/13 será ainda maior, a se confirmar a expectativa, não do governo, mas do mercado.

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