Veja como identificar entre seus sócios e/ou familiares possíveis sucessores| Foto:
Veja se sua empresa está preparada para uma sucessão inesperada

Todos nós sabemos que não somos eternos, mas costumamos viver como se isso não fosse verdade. Muitas histórias de empresas que quebram após a saída do fundador são conhecidas. É disso que venho falar hoje. A importância de ter um plano de sucessão é algo muitas vezes esquecido, ou só lembrado quando já é tarde demais.

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Por vezes, as empresas entram em uma má situação porque não há ninguém preparado para assumir; outras, porque a pessoa supostamente preparada não consegue dar conta do trabalho, ou mesmo não possui a menor afinidade com o estilo de gestão imposto pelo dono anterior e aceito pelos colaboradores.

Aí está o ponto-chave. Quan­­do a sucessão do dono é pensada antecipadamente, a empresa evita ser pega de surpresa. O fato é que a mudança de gestão é um processo inevitável e a forma como a empresa lidará com isso determina se este terá mais ou menos sucesso – pois todos os colaboradores e clientes sentem isso.

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Empresas de grande porte costumam ter planos de carreira e de sucessão alinhados aos objetivos da organização, o que torna essa mudança menos traumática tanto para quem assume, quanto para quem fica na empresa. Ademais, é um pouco mais fácil, pois geralmente tem o capital necessário para buscar no mercado com rapidez um profissional capacitado para uma substituição.

Já as empresas familiares de pequeno e médio porte tendem a ficar na mão do dono. Parece que tudo acabará quando ele se for ou se aposentar. Aí entram aqueles colaboradores que cresceram junto com a empresa e a viram crescer. Os que possuem o perfil de gestão – e o próprio dono da empresa vai saber quem são – podem ser treinados e devem ser comunicados em um determinado momento sobre esta transição na presidência. Por isso, a substituição do gestor enquanto ele ainda pode orientar o sucessor pode ser determinante para a continuidade do negócio de forma eficaz.

Antes de tudo, todo proprietário de empresa deve ter em mente que não ficará nela pra sempre. Sem pensar numa fatalidade, pode ocorrer o fato de a pessoa simplesmente querer se aposentar. E ninguém gostaria de ver a empresa que construiu com trabalho duro, dedicação e esforço, ir pelo ralo após a sua saída.

Mas quem pode ser essa pessoa? Pode ser um sócio, alguém da família ou até mesmo um colaborador da empresa. Contudo, é muito importante que seja alguém de confiança e que reúna entre suas características a habilidade de gestão, o comprometimento com a organização e afinidade com a função. Ser reconhecido pelos colaboradores da empresa como o futuro líder da organização pode ser determinante para seu sucesso.

Importante também é que, quando esta escolha acontecer, ambos os lados estejam de acordo – o presidente, na certeza de que deixará a empresa em boas mãos; e o sucessor, que tem consciência de que é capaz e que concorda com a mudança. Assim, ambos estão altamente comprometidos com o processo e já tem meio "problema" resolvido.

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Após a escolha, vem o momento do preparo. Isso inclui formação educacional, profissional e conhecimento profundo sobre a organização. Envolve também o desenvolvimento de competências comportamentais importantes para a função de gestão, tais como liderança, foco em resultados, tomada de decisão e gerenciamento de conflitos.

O comportamento do gestor e do sucessor são decisivos neste processo. Ambos devem dedicar tempo para compartilhar ideias, valores e projetos para o futuro. Quanto mais familiarizado o profissional estiver com os projetos e ideais do dono, mais facilmente ele assimilará seu novo papel.

Para que tudo isso funcione, é preciso muita organização e planejamento. Sugiro um plano de sucessão estruturado com etapas, atividades e cronograma. Isto pode fazer parte do plano de aposentadoria do dono. Quando este pensa que vai parar e estabelece um prazo para tal, automaticamente sua próxima preocupação será quem irá sucedê-lo.

Estar aberto ao feedback dos clientes antigos e novos é crucial. Eles são os mais capacitados para ajustar e readequar mudanças imperceptíveis aos que estão dentro da empresa. Refiro-me a mudanças na prestação de serviços ou na criação dos produtos.

Para finalizar, deixo aqui uma comparação que acho válida: como em um jogo de xadrez, pense e preveja cada movimento. Cada peça movida acarreta em desdobramentos totalmente diferentes. Por isso, pensem no futuro – no que está próximo e também no mais distante. Afinal de contas, ninguém gosta de sofrer um xeque-mate.

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